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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Alfabeto Literário - R

 

Alfabeto Literário - R

  R - Reflexão

O olhar para dentro e para o mundo

Por José Tannús


        Visitando um museu, não me lembro onde, parei em frente a uma escultura de Rodin, famosa, “O Pensador”. É uma das expressões mais conhecidas da arte de pensar, de refletir. Me imaginei ali sentado, por dias e dias, vendo as pessoas chegarem, olharem, se extasiarem, e saírem. E eu ali... Pensando. Refletindo. Acho que não ficaria ali cinco minutos. Já seria o suficiente para fazer um turbilhão de revisões em minha vida. Por isso gosto de escrever. Pois escrevendo, penso e me liberto do pensamento.
       Quando um escritor envereda por este mundo do pensamento, ele deixa a caneta deslizar, o teclado quase que se auto movimenta, para que as letras sujem o branco papel de tinta. Dali vão aparecendo situações, personagens, suspense, humor. 
        Tenho a mania de não terminar meus escritos com uma conclusão formal. Gosto de deixar isso para o leitor. Ele, o leitor, é capturado e levado a refletir, a pensar. Senta-se num cantinho de sua casa, ao estilo da famosa escultura. O escritor não está ali naquele momento para ver como sua obra trabalhou a mente daquele leitor, mas de longe fica pensando: — O que devem estar pensando disso que eu escrevi? 
        Escrevendo, quase sempre parto de um fato cotidiano, de uma conversa que escuto em um restaurante, de um momento como este da visita ao museu, ou até mesmo na sala de espera de um consultório. Às vezes, o sorriso de uma criança nos captura o pensamento e  voa e ganha vida nos dedos, na caneta, no papel. Como uma varinha mágica de uma fada. É interessante que quase sempre aquela percepção vem realmente de dentro da gente, de coisas que se vive ou que se presencia e de alguma forma fazem parte deste pequenino universo do escritor. Tão espontâneo que muitas vezes ao terminar de escrever, pergunto-me como pode a mente humana ser tão espetacular e maravilhosa. O fato de imaginarmos e colocarmos para o mundo o nosso pensamento traz uma responsabilidade muito grande.
        A frase de Saint-Exupéry, “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, faz-me refletir como o escritor se expõe e o quanto ele pode estar influenciando fora de seu mundo. 
        A reflexão, que parte de dentro e flui para o mundo, torna-o eternamente responsável, de alguma forma. E não interessa de que forma ele escolheu fazer. A reflexão pode parecer
como poema, poesia, prosa, ensaio ou crônica, sem rótulos ou caixinhas dizendo ser isso ou aquilo. Ela simplesmente é um momento de Rodin, que acontece com o escritor, que transborda para o mundo seu pensamento. Um pensamento que leva a refletir. Simples assim, mas não tão fácil. Eu gostaria de, qualquer dia desses, encontrar esse meu leitor, e sentados ao lado da escultura de Rodin, colocar a mão no queixo e dizer:
        É assim mesmo?

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Autor
José Antônio Ribeiro Tannús é engenheiro eletricista, professor, catequista e cronista brasileiro, cujos textos refletem profunda preocupação com a ética, a espiritualidade e os desafios da convivência humana na era digital. Natural de Uberlândia, Minas Gerais, é filho da professora Terezinha Ribeiro Tannús e do eletrotécnico Sebastião Guimarães Tannús. Nasceu em 21 de junho de 1959. Casado com D. Eliane há mais de 44 anos, tem três filhos e três netos. Especialista em engenharia e automação, traz dessa formação muitas comparações entre o cotidiano, a eletricidade e a informática. Professor universitário aposentado e catequista há quase trinta anos, faz de sua fé o alicerce de suas reflexões. Resumindo, José Tannús se descreve como alguém que prefere “crescer no silêncio” e manter-se no “caminho reto”, buscando extrair lições espirituais das situações cotidianas para promover o bem comum e a paz.

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