Mostrando postagens com marcador Série Alfabeto Literário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Série Alfabeto Literário. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - L

Alfabeto Literário - L

Leitura: o encontro que transforma

  L de ler, leitor, livro, livraria

A letra L tem uma história longa. Remonta aos egípcios, passando pelos fenícios, gregos e chegando aos romanos que apenas copiaram dos gregos a forma estrutural que usamos até hoje. Inicialmente chamada de “lamed” que queria dizer bastão ou aguilhão. Uma curiosidade linguística ou fonética: o som de L é chamado de "lateral", pois é quando o ar sai pelos lados da língua. Talvez, por isso palavras com L dão certa sensação de leveza: lua, luz, lar, lago.

Para quem gosta ou entende de numerologia, na numerologia romana L = 50. Na linguagem de Libras, L é o polegar e indicador abertos. A maior contribuição da letra L para a humanidade são os Livros! E ou as palavras derivadas ou ligadas ao universo dos livros: leitura, ler, livraria. Porém, a contribuição não para nos livros: nas artes e na música, o L nos apresentou talentos atemporais de grandes obras:


Legião Urbana - banda que marcou o rock brasileiro.
Luiz Gonzaga - o Rei do Baião.
Lupicínio Rodrigues - mestre do samba-canção.
Leonardo da Vinci - gênio renascentista.
Lygia Fagundes Telles - escritora brasileira.

Também na história e na política o L nos traz expoentes que mudaram a geopolítica nacional e mundial:

Lula - Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil.
Lincoln - Abraham Lincoln, presidente dos EUA que aboliu a escravidão.
Lênin - líder da Revolução Russa.
Luís XIV - o "Rei Sol" da França.

Na ciência:

Lavoisier - pai da química moderna.
Lamarck - naturalista, teoria da evolução.
Lovelace - Ada Lovelace, considerada a primeira programadora.

Grandes e relevantes fatos históricos que moldaram o Brasil atual e também outras partes do mundo, tiveram como primeira letra o nosso L:

Lei Áurea - 1888 - A lei que libertou os escravos no Brasil assinada pela Princesa Isabel.

Um dos "L" mais importantes da nossa história.

Luz Elétrica. A invenção da Lâmpada por Thomas Edison em 1879 mudou o mundo. A noite deixou de ser limite.


Lua - 1969
Lançamento da Apollo 11. "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade". O homem levou o pé na Lua.

Liderança e Revoluções

Lenin e a Revolução Russa de 1917.
Lutero e as 95 teses em 1517 que iniciaram a Reforma Protestante.

Literatura: Livros mudaram o mundo. Da Líada de Homero até Lolita. A Língua portuguesa também se espalhou pelo mundo com as Largas navegações portuguesas.

Luta: Libertação das mulheres, Lutas sociais, Lutas pelos direitos civis. O L sempre
aparece quando falamos de avanço.

Mas, e a história do livro e de todas as palavras oriundas desse objeto sagrado? Será que é possível listar uma pequena parte? A história do L nos livros: L de Livro: Vem do latim liber, que era a casca interna
das árvores onde se escrevia. Por isso "liber" virou livro. L de Ler: Também do latim legere = colher, juntar. Ler é colher palavras e juntar sentido. De Literatura. A palavra vem de Littera = Letra. Sem L, não tem letra. Sem letra, não tem literatura.

Ler nos remete a livros, revistas, jornais impressos ou virtuais. Já livros nos remete às livrarias! Ao espaço físico que guarda não apenas livros, mas também, ambiente! Local de aconchego, de conversas sem pressa, de presenças, amizades. Livrarias com cafeterias são aqueles espaços sagrados onde se misturam os cheiros dos livros, do café, do bolo, do pão de queijo! Onde cheiro se torna protagonista, se torna o personagem principal. Onde o amigo se torna mais especial, a conversa vira tratado filosófico digno de publicação!

Se o livro materializa os sentimentos de quem criou o seu conteúdo e externou; a livraria é o relicário de múltiplos sentimentos sacralizados em forma impressa!


Ler é abrir portais dimensionais, bidimensionais e até tridimensionais; é o transporte que leva o leitor às grandes batalhas, às pequenas batalhas, não menos importante, conforme seu contexto. Leva ao coração atormentado e também ao coração apaixonado; leva ao desencontro de pais e filhos; e ao reencontro também. Não sei quem disse que o universo cabe numa página de livro!

Cada universo pode ser descrito numa página de livro ou em várias páginas, visto que cada autor ou autora, descreve sobre universos das mais diversas maneiras! Jorge Amado e o universo da Bahia, em Capitães de areia, Gabriela! Machado, não o que corta a árvore para transformá-la em papel, mas o que
corta a realidade colonial, transformando em dúvida aquilo que não é necessário se duvidar! Carolina e o universo dos quartos de despejo; Cora e o universo rural repleto de doces!

A letra L não é não é a mais importante e ou a mais bonita do nosso alfabeto; nem a que tem as palavras mais impactantes. Quando pensamos em palavras iniciadas com L, lua aparece destacada. Nosso satélite regula o fluxo das marés, embeleza e alumia nossas noites. Aliás, o sertão goiano, à noite, sob a luz do luar é de uma beleza singular. Não importa a região do estado.

Outra palavra com L que também é sempre lembrada é lago. Lago que carrega muita vida, que conserva a água mesmo após o período chuvoso. Que proporciona contemplação, calma, banhos e pesca.

Lavoura, lenha, lida, labareda, laço, laçada, lasca, lebre, leitão falam entre si no dia a dia do povo campesino.


E quantos outras poderíamos destacar que fazem parte do nosso cotidiano?
Talvez, dezenas, centenas ou milhares delas.
Nem sempre atentamos para as letras, apesar de as usarmos rotineiramente, só pensamos em sua utilidade quando fazemos esse tipo de exercício mental. E assim como todo exercício, mental ou não, nos fortalece e revigora-nos. 

Elas exercem a função estrutural das palavras; servem como elos que farão o sentido de cada palavra. As vogais unem as consoantes e as tornam compreensíveis. Sem as vogais nosso idioma ficaria parecido com alguns idiomas europeus onde as consoantes tem a função das vogais inclusive na fonética. Porém, a nossa língua portuguesa é tão rica e vasta que oferecesse palavras para todas coisas com até mais de uma opção para o que desejamos falar, como por exemplo: casa de morar e casa de casamento; Sara como nome próprio e sara de sarar ou o pássaro saracura!


Na nossa cultura goiana, uai serve para exclamar, duvidar ou responder. Serve também para ganhar um tempinho até achar a palavra mais adequada para responder algo a alguém.


Sem a letra, não tem palavra! Sem a palavra não tem a frase! E sem a frase, não tem comunicação. Apesar de a letra ser a menor parte na construção do pensamento, seja escrito ou falado, sem ela, a letra, não há livro, nem música, nem poesia! Há só o silêncio. O silêncio é bom também. Mas só quando não
temos a necessidade de interagir com as outras pessoas. 

Assim, de letra em letra, de sílaba em sílaba, de palavra em palavra e de frase em frase, construí esse texto. Obrigado à todas as letras e em especial à letra L.


 Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, e assine a newsletter para acompanhar as próximas publicações. 

Compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.


Autores e obras

[1] Idário Carvalho Garcês Filho. Goiano de Itauçu, formado em administração com MBA em Marketing pela FGV-RJ., sócio da Livraria Palavrear. Morador de Goiânia há 55 anos. Sem livro publicado, escrevo por hobbie.

[2] Imagem 11l:pgeditora58078477000170.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Marislei Espíndula Brasileiro

 P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS

Marislei Espíndula Brasileiro

Escritora | Enfermeira | Professora | Pesquisadora | Presidente da Academia Goianiense de Letras – AGnLTitular da Cadeira nº 3 | Patrona: Cora Coralina


DADOS BIOGRÁFICOS

  • Nome completo: Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro
  • Nome de apresentação institucional: Marislei Brasileiro
  • Nascimento: 27 de abril de 1969
  • Naturalidade: Cromínia, Goiás
  • Residência em Goiânia: desde os 7 anos de idade
  • Atuação: escritora, enfermeira, professora e pesquisadora
  • Academia: Academia Goianiense de Letras – AGnL
  • Cadeira: nº 3
  • Patrona: Cora Coralina
  • Função atual na AGnL: Presidente

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro nasceu em Cromínia, Goiás, em 27 de abril de 1969. Aos sete anos, mudou-se para Goiânia com os pais e as irmãs. Sua trajetória reúne literatura, saúde, educação, ciência e atuação institucional. Escritora desde a juventude, desenvolveu paralelamente uma sólida carreira acadêmica e profissional, construindo uma produção intelectual que transita entre diferentes áreas do conhecimento.


FORMAÇÃO ACADÊMICA

    Marislei possui formação multidisciplinar, com percurso acadêmico nas áreas da saúde, educação e religião. Essa formação contribui para uma produção intelectual caracterizada pelo diálogo entre ciência, saúde, educação, espiritualidade e literatura.

  • Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • Doutora em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás;
  • Mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG;
  • Especialista em Educação;
  • Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • possui Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Goiás – UFG.



TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

    Marislei construiu carreira como enfermeira, professora, pesquisadora e autora. Sua atuação está relacionada à formação acadêmica e profissional, à pesquisa científica e à produção de conhecimento, especialmente em áreas vinculadas à saúde e à educação. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à formação de profissionais, ao desenvolvimento da pesquisa científica, à produção intelectual e ao incentivo à leitura e à cultura. Sua experiência acadêmica e científica estabelece uma relação direta com sua produção editorial, fazendo com que sua bibliografia compreenda tanto obras literárias quanto livros de caráter técnico e científico.


TRAJETÓRIA LITERÁRIA

    A literatura integra a trajetória de Marislei desde a juventude. Sua escrita é caracterizada pela Academia Goianiense de Letras como multifacetada, transitando entre ciência e espiritualidade, saúde e educação, com presença do protagonismo feminino. A produção de Marislei aproxima conhecimento científico e expressão literária, permitindo que temas oriundos de sua formação e experiência profissional também se projetem em sua atividade como escritora. Ao longo da carreira, consolidou extensa produção bibliográfica, tornando-se autora de mais de 40 livros, além de centenas de trabalhos e artigos de natureza científica.


OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

    Sua bibliografia abrange literatura, saúde, educação, ciência e outros campos de reflexão e conhecimento.

  • O Poder das Memórias;
  • Madeleine, um passado em Paris;
  • A Joia da Galileia;
  • Leonardo Da Vinci, a alma de um gênio

ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS – AGnL

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro é Titular da Cadeira nº 3 da Academia Goianiense de Letras, cuja patrona é Cora Coralina. Integra a Diretoria da AGnL para o período 2025–2029 como Presidente da instituição. Sua atuação à frente da Academia está vinculada à valorização da literatura, ao fortalecimento da identidade cultural goiana, à preservação da memória e à ampliação do diálogo da instituição com a sociedade. A presença de Marislei na presidência da AGnL reúne dois aspectos centrais de sua trajetória: a produção intelectual e a atuação institucional em favor da literatura, da leitura e da cultura.

    Marislei é também fundadora e membro da Diretoria da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, instituição na qual ocupa a Cadeira nº 3. Sua participação nas duas academias amplia sua atuação institucional em favor da literatura, da memória, da cultura e da circulação do conhecimento em Goiás.

BIBLIOTECA DRA. MARISLEI ESPÍNDULA BRASILEIRO

    A Academia Goianiense de Letras mantém em sua sede a Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro. Segundo a própria AGnL, a denominação foi estabelecida por deliberação da primeira Diretoria da Academia, em 2006, como homenagem à trajetória de Marislei e à sua dedicação à ciência, à educação e às letras. A Biblioteca constitui espaço de preservação da memória, pesquisa, promoção do conhecimento, literatura e difusão cultural. Também abriga o Clube de Leitura da Academia Goianiense de Letras, destinado à realização de encontros, debates, estudos e reflexões sobre obras clássicas e contemporâneas. A existência de uma biblioteca institucional que leva seu nome constitui um registro relevante do reconhecimento de sua contribuição intelectual e cultural.


PRÊMIOS, TÍTULOS E DISTINÇÕES

    A Academia Goianiense de Letras registra oficialmente entre seus títulos e distinções. As distinções registram diferentes dimensões de sua atuação profissional, intelectual e social.

  • Comenda Berenice Artiaga — Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, 2005;
  • Título de Cidadã Goianiense — Câmara Municipal de Goiânia, 2010;
  • Diploma de Honra ao Mérito — Câmara Municipal de Goiânia, 2011;
  • 1º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – Finalista Estadual – Microempreendedora — Sebrae, 2023.



PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PESQUISA

    A pesquisa científica constitui parte expressiva da trajetória de Marislei. A Academia Goianiense de Letras registra que a autora possui centenas de artigos científicos, além de extensa produção bibliográfica. Sua atuação como pesquisadora e professora estabeleceu uma produção intelectual que relaciona formação acadêmica, atividade científica, docência e publicação. Essa dimensão científica diferencia sua trajetória dentro do campo literário, ao aproximar produção acadêmica e criação editorial.


FRASE ASSOCIADA À AUTORA

    A Academia Goianiense de Letras registra como frase pela qual Marislei é conhecida. A formulação sintetiza uma perspectiva recorrente em sua trajetória, marcada pela valorização da educação, da sensibilidade e da capacidade de transformação humana.

“A boa vontade transforma pedra em pena, enquanto que a má vontade transforma pena em pedra.”


CONTEMPORANEIDADE

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como uma personalidade cuja atuação aproxima literatura, ciência, saúde, educação e participação institucional. Sua trajetória reúne a experiência da escritora à da pesquisadora e professora, demonstrando a possibilidade de diálogo entre produção literária e conhecimento científico. Como titular da Cadeira nº 3, de Cora Coralina, e presidente da Academia Goianiense de Letras no mandato 2025–2029, participa diretamente da preservação e da continuidade da memória literária goianiense. Sua extensa produção bibliográfica, a atividade científica e a atuação na promoção da leitura e da cultura fazem de Marislei uma presença ativa na vida intelectual contemporânea de Goiás. Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como escritora, pesquisadora e agente da cultura goiana em plena atividade.


FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Academia Goianiense de Letras – AGnL: Perfil oficial de Marislei Brasileiro (Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro). Fonte principal para dados biográficos, formação acadêmica, Cadeira nº 3, patrona Cora Coralina, títulos, distinções, características da produção literária e relação de obras.
  • Academia Goianiense de Letras – Diretoria Atual: Registro oficial da Diretoria e do Conselho Fiscal da AGnL para o mandato 2025–2029, identificando Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro como Presidente e titular da Cadeira nº 3.
  • Academia Goianiense de Letras – Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro: Fonte institucional para a homenagem que denomina a Biblioteca, deliberação da primeira Diretoria em 2006, produção superior a 40 livros, centenas de artigos científicos e atuação em ciência, educação, literatura e cultura.
  • Universidade Federal de Goiás – UFG: Documentação acadêmica complementar utilizada para conferência do nome e da trajetória acadêmico-científica.
  • Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN: Documentação institucional complementar relacionada à atuação docente e à produção acadêmica.


P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS
Literatura, memória e cultura em construção.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - I

 


Alfabeto Literário - I

Imaginação - o voo que cria mundos


    Antes de um livro existir, ele é imaginado.


"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca."
Jorge Luis Borges[3] 


Toda obra de arte existe duas vezes: primeiro na imaginação, depois no mundo. Com os livros não é diferente. Muito antes de ocupar uma estante, receber uma capa ou ganhar um ISBN, eles já existiram como possibilidades. Antes do papel, da tinta e da impressão, houve uma ideia… Um personagem ainda sem nome, um cenário sem contornos, uma frase que insistia em nascer. Um livro não começa quando é escrito. Começa quando é imaginado!

Segundo o Dicionário Aurélio, imaginação é a faculdade de representar objetos pelo pensamento, bem como a capacidade de conceber e criar imagens novas. Talvez seja justamente essa capacidade que torna toda criação artística possível. Afinal, ninguém pinta uma tela sem antes visualizá-la. Nenhum escultor revela uma forma que não tenha enxergado na pedra. Nenhum compositor escreve uma melodia que ainda não tenha ouvido, mesmo que apenas em silêncio.

O livro também nasce assim…

A imaginação do escritor é, sem dúvida, o primeiro impulso. É dela que surgem histórias, personagens, conflitos e emoções. Mas ela não trabalha sozinha. À medida que a obra ganha forma, outras imaginações passam a dialogar com a do autor, ampliando aquilo que antes existia apenas como ideia.

O ilustrador imagina a emoção que uma cena pode transmitir. O designer imagina como a essência da obra pode ser traduzida em uma capa. O revisor imagina o texto em sua forma mais clara e precisa. O editor imagina como aquele livro encontrará seus leitores. E o diagramador imagina algo ainda mais silencioso: a experiência da leitura.

Quando alguém abre um livro, normalmente elogia a narrativa, a beleza das palavras ou a força da mensagem. Raramente percebe a largura das margens, a escolha da tipografia, o respiro entre os parágrafos, a posição de uma imagem ou o cuidado com que cada capítulo encontra seu lugar na página. No entanto, nada disso acontece por acaso.

Antes de existir na página, tudo precisou ser imaginado.

Entre todas as formas pelas quais a imaginação se materializa em um livro, talvez a diagramação seja a mais silenciosa — e, não por acaso, a arte pela qual me apaixonei. Seu maior mérito é justamente passar despercebida. Quando o projeto gráfico é bem construído, o leitor não pensa na composição da página; ele simplesmente mergulha na história. Parece natural. Parece inevitável. Mas essa naturalidade é fruto de escolhas cuidadosamente imaginadas.

Diagramar não é apenas distribuir textos e imagens. É antecipar o encontro entre o livro e quem o lerá. É imaginar o ritmo da leitura, o descanso do olhar, a harmonia entre os elementos, o silêncio dos espaços em branco. Cada decisão procura responder a uma pergunta invisível: como quero que o leitor sinta esta obra?

Talvez o diagramador se pareça com o maestro de uma orquestra. O público raramente volta seus olhos para ele, mas é sua sensibilidade que permite que instrumentos tão diferentes encontrem unidade. Da mesma forma, o diagramador não escreve a história, mas imagina como palavras, imagens e espaços podem dialogar para que a leitura aconteça de maneira fluida, quase imperceptível.

No fim das contas, a imaginação não pertence apenas ao escritor. Ela percorre todo o caminho que transforma uma ideia em livro. Está presente na criação da história, na escolha das imagens, no desenho da capa, na organização das páginas e, finalmente, no leitor, que completa a obra ao transformar palavras em cenas, vozes e emoções dentro da própria mente.

Talvez essa seja a maior beleza da literatura: um livro nunca é fruto da imaginação de uma única pessoa. Ele nasce da imaginação de muitos e só se completa na imaginação de quem o lê.

Porque, antes de um livro existir no mundo, ele já existia no lugar onde toda arte começa: a imaginação.


 Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.


Autores e obras

[1]Katiúscia Bonfanti. Diagramadora e capista, formada em Design Gráfico pela UCG (atual PUC Goiás) em 2004. Foi na redação do extinto Diário da Manhã que teve seu primeiro contato com a diagramação e, mais tarde, entrou de vez no universo do design editorial. Já desenvolveu projetos gráficos para inúmeros livros e revistas, dos mais diversos gêneros. Neste texto, reflete sobre a imaginação como matéria-prima invisível de todo livro — inclusive daquela parte que raramente é notada, mas que ela ama fazer: dar forma silenciosa à experiência de leitura.
[2]imagem 9i:pgeditora58078477000170
[3] BORGES, Jorge Luis. A cegueira. In: BORGES, Jorge Luis. Sete Noites. Tradução de Benamira de Oliveira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
[4] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da língua portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ALFABETO LITERÁRIO - H

 

Alfabeto Literário - H

História - Memória que conta o tempo


    Assim  caminha a humanidade, cantou Lulu Santos(1994). A memória que conta o tempo marca o início da nossa História, tudo antes, aproximadamente três milhões e trezentos mil anos, foi pré. Quem conta um conto, que aumente um ponto - uma palavra, uma frase, uma linha inteira; escreva! Esse é o grande marco da evolução histórica, a escrita traz até nós, nossa humanidade e, por certo, assim caminhamos, às vezes a favor do tempo, às vezes contra o tempo.

    Penso ser contra o tempo tudo aquilo que leva ao retrocesso, promovido em geral por pensamentos retrógrados. Ninguém segura a roda do progresso, que tipo de ABS conseguiria segurar as turbinas que movimentam a nossa Atualidade.

    Nessa música, Lulu Santos salvou, sem usar o salvar como uma memória do nosso tempo, do tempo neste continental país chamado Brasil. Pode-se dizer que a canção melodiosa brinca com a juventude, o amor e capta o zeitgeist , o espírito do tempo, era década de 90, redemocratização, em alta velocidade o que era antigo cede ao novo, a conexão discada já ia morro abaixo, de CP500 a Laptops, globalização! Bauman, o sociólogo da modernidade líquida, as relações humanas fragmentando, as certezas históricas ruindo e um pouco de carpe diem, naquela urgência existencial. Porque amadurecer dói.

    Assim caminha a humanidade - passos de formiga - ele, Lulu Santos falava de sentimentos, expressava o lugar da maturidade, progresso social e o coração, humanos por natureza, a formigar por aí - tanto mais que se queira crescer rápido, os passos jovens são formigantes, não alcanças grandes passadas, grandes velocidades. 

    Talvez, um pouco, para alguns muito, de repente os pensamentos ficaram a vadiar, se enroscaram em redemoinhos de Saci. Nosso gigantesco país e suas incontáveis preciosidades e diversidades entraram para a modernidade globalizada, nós também, entretanto o eu-lírico, o indivíduo sofre junto ao amadurecimento inevitável da vida adulta. Vai levar um tempo pra fecha o que feriu por dentro... 

    A tecnologia bateu à porta, e como cavalo arriado não passa duas vezes, nossa UFG tomou para si o referencial brasileiro em inteligência artificial, deixando na garupa outras grandes universidades nacionais. em contrapartida a urgência do tempo, trouxe consigo a SPA (o pensamento acelerado, a urgência exagerada e o conflito de ritmos), Burnout (numa marcha compulsiva, sem desejo, propósito ou vontade) e autoimunes (resistência interna e autodestruição pelo ritmo voraz, uma revolta do próprio corpo na tentativa de frear o sistema).

    Tempus fugit - a memória é capaz de congelar o tempo para que lá no futuro possamos visitar o passado, examinando-o com os olhos de um novo presente, motivo pelo qual a história conta o tempo pouco se importando se Chronos - a devorar nossos dias, ou se kairós - a abençoar momentos oportuno, tempos de graça e decisão.

    Enfim, História que conta o tempo, que é memória, movimento e escolha, essa história de prosa e poesia, literatura que conta ao tempo que também nos encanta.

 Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.



Autores e obras

[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL. Site da autora:
[2] imagem 8h:pgeditora58078477000170
[3]Lulu Santos. Assim caminha a humanidade. Album de vinil, 1994. a música: Assim caminha a humanidade ( ainda vai levar um tempo/pra fecha o que feriu por dentro/natural que seja assim/tanto pra você quanto pra mim./ ainda leva  uma cara/ pra gente poder dar risada/assim caminha a humanidade/com passos de formiga e sem vontade/ não vou dizer que foi ruim/também não foi tão bom assim/não imagine que te quero mal/apenas não te quero mais).
[4] The Human Past. 5. ed. Londres: Thames & Hudson, 2020.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Alfabeto Literário - G


 Alfabeto Literário - G

GÊNEROS LITERÁRIOS

FORMAS DE EXPRESSÃO

Por Luiz Vagner Jacinto

Com o propósito de contribuir na construção de um pensamento crítico sobre a Inteligência Artificial - IA na sociedade contemporânea, tomo emprestado como prólogo os dizeres de Rômulo Vaz sobre a IA:

    Ela pode ser uma excelente parceira de estudo, pesquisa, criação e inovação. Contudo, não substitui a experiência humana de olhar nos olhos, compreender silêncios, acolher emoções ou compartilhar afetos. Uma IA processa linguagem; seres humanos vivem histórias. (Rômulo Vaz)

  Do viver histórias surgiu a contação de histórias. Da contação de histórias, a necessidade de classificá-las para melhor entendê-las, dando origem à categorização dos gêneros literários em narrativas, prosas e lirismo, as três formas clássicas tradicionais usadas para retratar as ações humanas. 

       Ao longo dos séculos, essa divisão foi considerada o bastante para a compreensão e a ordenação das produções literárias. Entretanto, as transformações culturais, sociais e artísticas ocorridas a partir da modernidade tornaram cada vez mais recorrentes as combinações de elementos do lírico, do narrativo e do dramático. 

       A essa simbiose deu-se o nome de hibridismo literário. Bernardo Élis, por exemplo, em prosa narrativa conta histórias do coronelismo marcadas pela crueldade, ao tempo em que, poeticamente, descreve o cerrado, fala da solidão do homem do campo e mostra o realismo da vida sertaneja.

       Esse processo de hibridização intensificou-se com o advento das tecnologias digitais e, mais recentemente, com o surgimento da IA, vista como uma concorrente do ser humano na produção de textos e como um recurso capaz de levar os literatos à acomodação intelectual.

           No primeiro caso, há de se distinguir “produção de textos” da “criação de textos”. A IA consegue produzir obras em qualquer estilo ou até mesmo combinar vários deles. Nesse caso, sua capacidade de produzir textos se sobrepõe de modo incomparável aos humanos.

       De outro modo, por não ter consciência nem sentimentos, a IA dependerá sempre de uma referência criativa do ser humano para recriar e produzir textos. Sua produção será sempre desalmada, um arremedo de tudo o que os humanos criam movidos pelos sentimentos que agitam, enternecem, alegram ou entristecem os espíritos. Como o fazia Benedito Odilon Rocha ao descrever com belezura o cotidiano de sua Corumbá, as ruas da cidade e os costumes de sua gente. Seus sentimentos o inspiravam a poetizar com as tintas da simpatia, do amor e da bondade, cenas que a IA jamais será capaz de criar.

No segundo caso, porém, há algo de preocupante. Por ser capaz de produzir textos que combinam e mesclam características de diversos gêneros e estilos literários e, até mesmo elaborar uma narrativa em linguagem poética, a IA pode levar o ser humano a uma acomodação no processo criativo, cedendo para as tecnologias digitais espaços antes destinados à criatividade humana. Estamos, pois, diante de uma encruzilhada: com acomodação, perderemos gradualmente a habilidade para contar histórias interessantes; sem acomodação, poderemos, utilizando recursos da IA, criar e contar histórias épicas, líricas e dramáticas ainda mais vibrantes e inesquecíveis. 

        A escolha será sempre nossa!


Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.

Autores e obras

[1]. Luiz Vagner Jacinto nasceu em Corumbá de Goiás (GO), onde aprendeu as primeiras letras no Grupo Escolar João Mendes. É graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Anápolis, com especialização em Processo Civil pela Universidade de Caxias do Sul. Foi advogado do Grupo COPLAVEN em Anápolis, onde especializou-se na área de consórcio. Por meio de concurso público de provas e títulos, ingressou na magistratura tocantinense, onde se aposentou voluntariamente como Juiz de Direito de 3ª. Entrância. Após sua aposentadoria, exerceu as funções de assessor jurídico de Desembargador e assessor jurídico da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins. Vocacionado para o magistério, foi professor de Português no Colégio André Gaudie (Corumbá de Goiás), e de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito de Anápolis, na Universidade do Tocantins e na Universidade Federal do Tocantins, em Palmas (TO). É membro da AC-CLAM – Academia Corumbaense de Ciências, Letras, Artes e Música, onde ocupa a cadeira n. 17, que tem por patrono seu avô Odorico dos Reis Leal.
[2] imagem 7g:pgeditora58078477000170
[3]Rômulo Vaz é escritor e autor da reflexão sobre o papel da Inteligência Artificial nos processos de estudo, pesquisa, criação e inovação citada neste texto. Sua contribuição destaca a importância de compreender a IA como ferramenta de apoio, sem desconsiderar a experiência, a sensibilidade e os afetos próprios da condição humana.
[4]Bernardo Élis (1915–1997) faz parte da PG GALERIA - LEGADO. Foi escritor, advogado e professor goiano, reconhecido como um dos maiores representantes do regionalismo brasileiro. Primeiro autor de Goiás a ingressar na Academia Brasileira de Letras, retratou com profundidade o sertão goiano, os conflitos sociais e a condição humana. Sua obra, marcada pelo realismo e pela força narrativa, ocupa lugar de destaque na literatura brasileira.PG GALERIA - LEGADO: Bernardo Elis
[5]Benedito Odilon Rocha (1926–2003) PG GALERIA - LEGADO. Foi poeta, escritor, jornalista e professor goiano, amplamente reconhecido por sua contribuição à cultura e à literatura de Goiás. Em sua produção literária, destacou-se pela linguagem sensível e pela valorização da memória, das paisagens, dos costumes e do cotidiano goiano, imprimindo lirismo e profundo humanismo às suas obras. É considerado uma das vozes mais importantes da poesia goiana do século XX.

domingo, 26 de julho de 2026

Alfabeto Literário - F

 

Alfabeto Literário - F 

FICÇÃO – O MUNDO INVENTADO

Vozes da literatura feminina - Brasil


 Conhecer para melhor entender, e assim escrever, 
comunicar e vivenciar um mundo melhor.

Por Patrícia.Gabriel

 

O verbete em si aceita ser criação imaginária; invenção, fantasia; gênero literário baseado na imaginação, cujos personagens, fatos e situações podem ou não ter relação com a realidade[1]. É ato ou efeito de fingir; criação imaginária; invenção literária em prosa ou verso que apresenta acontecimentos e personagens imaginários[2]. Se formos às origens do Latim fictio, derivado do verbo fingere, que significa moldar, formar ou criar, reforçando a ideia de construção imaginativa da realidade [3].

A ficção é uma das mais importantes manifestações da criatividade humana. Por meio dela, autores e autoras constroem universos capazes de transcender os limites da experiência cotidiana, criando personagens, cenários e acontecimentos que, embora imaginários, que podem ou não podem dialogar com a realidade. Mais do que simples entretenimento, a ficção constitui uma poderosa ferramenta de reflexão sobre a condição humana, os conflitos sociais, os sentimentos e os valores que moldam a existência.

Das narrativas míticas da Antiguidade aos nano contos contemporâneos, a ficção desempenha papel fundamental na preservação da memória cultural e na transmissão de conhecimentos. Ao inventar mundos possíveis, a literatura permite ao leitor experimentar outras perspectivas, desenvolver a empatia e ampliar sua compreensão da sociedade. Como observa Antônio Candido[4], a literatura atende a uma necessidade universal de fabulação, contribuindo para a formação humana e para o exercício da imaginação.

Brasil, brasileiro, Brasil Goiano, Brasil Mulher, escritoras nossas que deram vida nova à ficção:

Clarice Lispector  privilegia os movimentos da consciência e os conflitos interiores das personagens. Obras como A Hora da Estrela[5] e A Paixão Segundo G.H.[6] - a complexidade da existência humana, uma aventura dentro da subjetividade.

Lygia Fagundes Telles, a profundidade psicológica e a complexidade das relações humanas. Em obras como As Meninas[7] e Antes do Baile Verde[8], memória, identidade, liberdade e transformação, com personagens que permanecem vivas na imaginação dos leitores.

Conceição Evaristo incorpora as vivências da população negra e das mulheres periféricas. Em obras como Ponciá Vicêncio[9]e Olhos d’Água[10] a escrevivência demonstra que a ficção pode ser simultaneamente arte, memória e instrumento de resistência.

Nélida Piñon trouxe consigo a tradição histórica e mítica, explorou temas relacionados à imigração, à memória e à identidade cultural brasileira. A República dos Sonhos[11]e a formação da sociedade brasileira.

Ana Maria Gonçalves[12], Adriana Lisboa[13] e Martha Batalha[14] ampliaram os horizontes da ficção nacional com obras abordam raça, gênero, pertencimento e desigualdade social. A literatura provando-se capaz de apresentações críticas no mundo contemporâneo.

Rodriana Costa [15], autora do livro de contos Casulo da Borboleta reúne narrativas que exploram sentimentos, conflitos e transformações humanas, utilizando a metáfora do casulo como representação dos processos de mudança vividos pelos personagens. Nas palavras dela Mais ao casulo que às borboletas. Temas como solidão, escolhas, perdas e amadurecimento para mostrar a ficção pode transformar experiências cotidianas em narrativas significativas à complexidade da existência humana.

Jane Costa [16] em O Mundo Secreto de Álvaro. a importância da ficção para a visualização da realidade a infância como momento fundamental na formação de leitores desde a infância, e no aprendizado de valores que formarão consciências livres de discriminação e preconceito – Conhecer para melhor entender, e assim escrever, comunicar e vivenciar um mundo melhor.

A ficção se revela mais do que apenas da fantasia. Constitui-se, pois, em um encontro da imaginação e da realidade, propiciando ao leitor compreender melhor a si, ao outro e ao mundo que o cerca.

Na literatura brasileira feminina, esse mundo inventado ganha vozes múltiplas, perspectivas diversas e novas formas de narrar a experiência humana. Das reflexões existenciais de Clarice Lispector à escrevivência de Conceição Evaristo; das narrativas psicológicas de Lygia Fagundes Telles às histórias contemporâneas de Rodriana Costa e Jane Costa, a ficção reafirma seu papel como instrumento de conhecimento, sensibilidade, transformação e liberdade. Ler ficção é exercitar a capacidade humana de imaginar para compreender, criar para resistir e contar histórias para permanecer.


 Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.



Autores e obras

[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL. Site da autora:
[2] imagem 6f:pgeditora58078477000170
[3] MICHAELIS. *Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa*. São Paulo: Melhoramentos, 2015.
[4] [5] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. *Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa*. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
[6] CANDIDO, Antônio. **O direito à literatura**. In: CANDIDO, Antônio. *Vários escritos*. 4. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São Paulo: Duas Cidades, 2004. p. 169-191. Revista Prosa Verso e Arte.
[7] LISPECTOR, Clarice. *A Hora da Estrela*. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
[8] LISPECTOR, Clarice. *A Paixão Segundo G.H.* Rio de Janeiro: Rocco, 2009.
[9] TELLES, Lygia Fagundes. *As Meninas*. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2009.
[10] TELLES, Lygia Fagundes. *Antes do Baile Verde*. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
[11] EVARISTO, Conceição. *Ponciá Vicêncio*. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
[12] EVARISTO, Conceição. *Olhos d'Água*. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.
[13] PIÑON, Nélida. *A República dos Sonhos*. Rio de Janeiro: Record, 1984.
[14] GONÇALVES, Ana Maria. *Um Defeito de Cor*. Rio de Janeiro: Record, 2006.
[15] LISBOA, Adriana. *Sinfonia em Branco*. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
[16] BATALHA, Martha. *A Vida Invisível de Eurídice Gusmão*. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
[17]COSTA, Rodriana. *Casulo da Borboleta*. Goiânia, 2025.
[18]COSTA, Jane. *O Mundo Secreto de Álvaro*. Goiânia, 2025

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Alfabeto Literário - E

 Escrita 

A arte de dar forma às ideias

Registros que uniram povos, culturas, línguas e globalizaram o mundo.


    Desde os primórdios da humanidade, o ser humano teve a necessidade de deixar registrado o que via, sentia, acreditava e a sua relação com o outro através da língua falada e posteriormente, a escrita.

    Segundo antigos historiadores, a escrita surgiu por volta de 3.500 anos a.C, na Mesopotâmia (atual Iraque) denominada Escrita Cuneiforme, onde os Sumerianos usavam plaquetas de argila úmida e uma espécie de estilete, em forma de cunhas, para registrarem respectivamente a cultura, conhecimentos, leis e suas crenças religiosas. E, também, transações comerciais e financeiras. 

    Heródoto[3], filósofo grego do século V a.C, um dos escritores mais influentes da Idade Antiga, foi o precursor da escrita propriamente dita, é considerado o “Pai da História”. Em sua obra – HISTÓRIAS - definiu inteligentemente que a investigação, ouvindo relatos e histórias, e comparação, usando a pesquisa e a razão pudessem aproximar os registros com a luz da verdade dos fatos ocorridos, opondo-se a outros métodos fantasiosos contados por mentes imaginativas e contraditórias.

    Em uma outra linha de pensamento, de acordo com o também filósofo grego, Aristóteles[4], as palavras escritas não são apenas marcas ou símbolos da fala - a escrita serve para registrar e transmitir o conhecimento humano e unir realidades diferentes.

Simultaneamente às diversas concepções filosóficas acerca da escrita, o que podemos perceber é que ao longo do tempo ela exprime os sentimentos da alma, as emoções, as paixões, os costumes, as experiências, as dores, as tragédias, os humores e as competições humanas.

A escrita, desde as primeiras pinturas rupestres catalogadas pelo homem na pré-história, retrata cenas do cotidiano, rituais de caça e crenças implícitas, ligadas diretamente a sua essência e originalidade.

Além de ser uma invenção extremamente relevante na história da humanidade, a escrita uniu povos, culturas, línguas e globalizou o mundo na atualidade. Trouxe a oportunidade para as pessoas refletirem e buscarem respostas conjuntas sobre seu papel na sociedade em que vivem e sua relação com os outros.

Consequentemente, o alfabeto criado pelos Fenícios por volta de 1.000 a.C, no antigo Oriente Médio, foi outra invenção genuína que contribuiu significativamente para a consolidação da escrita até os dias atuais, na contemporaneidade. Um legado ricamente utilizado pelas nações orientais e ocidentais para a construção da chamada “civilização”.

Atualmente, vivemos na Era Digital, um salto gigantesco, extraordinário e vasto nas informações e tecnologias com o uso de computadores, internet, smartphone, tabletes, notebook, televisão e a inteligência artificial (IA) capazes de alavancar, com primorosa rapidez, as principais atividades do dia a dia da comunicação e da modernidade. Houve um grandioso aceleramento, tratando-se das mídias, que substituíram vários trabalhos os quais os homens realizavam anteriormente. Sendo assim, hoje vivenciamos um período de “robotização” que favorece aos interesses capitalistas em todo o mundo. 

Acho prudente ressaltar que estamos em um período tecnológico muito avançado, com padrões midiáticos com relevância assustadora para os “fazedores das leis”. Considero isso, um perigo eminente para aqueles que vivem à margem de um sistema baseado em dados, números, códigos e regras, desvalorizando impiedosamente as classes menos favorecidas. 

Portanto, vejo a escrita e a literatura como uma estratégia fundamental para a educação das gerações vigentes e vindouras,  uma ferramenta poderosa para a conscientização e libertação de paradigmas e comportamentos que impedem as pessoas de se tornarem melhores. 

As palavras proferidas de forma rasa e vazia o vento leva, mas a escrita publicada com o intuito de promover e propagar o bem, permanece para sempre.


Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.

Autores e obras
[1] imagem 5e:pgeditora58078477000170
[2]Jane Costa é historiadora, escritora, poeta, psicopedagoga e professora aposentada. Tem seis livros publicados, sendo quatro infantis e dois de poesias. Participou de Antologias no Brasil, Estados Unidos, França e Cabo Verde. Membro da União Brasileira de Escritores, seção Goiás (UBE-GO), da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), da Focus Brasil em Nova York. Premiações: Concurso de Poesia Cid Moreira(2021); 1º lugar no Concurso de Contos da Academia de Letras de Taubaté (SP) - Dando a luz durante uma tempestade; Arte Cultural, Florianópolis (2023). Prêmio Destaque Focus Brasil/Nova York - AILB – 1º lugar - Categoria infantil (2025).
[3] Filosofia - Heródoto
[4]Filosofia - Aristóteles

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Alfabeto Literário - D

Diálogo

O Diálogo em tempos de inteligência artificial - IA

Ponte entre ideias e pessoas

Alfabeto Literário - D


Desde que a humanidade descobriu o poder da palavra, dialogar tornou-se muito mais do que trocar informações: tornou-se um ato de reconhecimento. 

Quando escutamos alguém com atenção, validamos sua existência; quando falamos com respeito, construímos pontes. 
O diálogo sempre foi a ferramenta mais sofisticada da civilização. Entretanto, vivemos uma época curiosa. Conversamos menos entre nós e mais com as máquinas. Perguntamos, pedimos conselhos, escrevemos poemas, resolvemos problemas e até desabafamos com sistemas de Inteligência Artificial. Essa transformação não precisa ser vista como uma ameaça, mas como um convite para refletirmos sobre a maneira como nos comunicamos.
Há quem trate uma IA como se fosse uma pessoa. Há quem trate pessoas como se fossem máquinas. Nenhum dos extremos é saudável. A Inteligência Artificial responde, organiza ideias, amplia possibilidades e democratiza o acesso ao conhecimento. Ela pode ser uma excelente parceira de estudo, pesquisa, criação e inovação. Contudo, não substitui a experiência humana de olhar nos olhos, compreender silêncios, acolher emoções ou compartilhar afetos. Uma IA processa linguagem; seres humanos vivem histórias.
Curiosamente, a forma como dialogamos com a IA revela muito sobre nós mesmos. Quem formula perguntas claras costuma receber respostas mais consistentes. Quem escreve com gentileza frequentemente organiza melhor o próprio pensamento. Assim, conversar com uma inteligência artificial também pode ser um exercício de clareza, empatia e reflexão.

Mas há um cuidado indispensável: não permitir que a facilidade tecnológica substitua a profundidade das relações humanas. O risco não está na IA falar conosco; ele existe em deixarmos de conversar uns com os outros, pessoa a pessoa. Nenhum algoritmo pode substituir um abraço, uma conversa entre amigos, um debate respeitoso ou o silêncio compartilhado entre pessoas que se compreendem.

O filósofo Martin Buber[3] afirmava que a verdadeira existência acontece no encontro entre o "Eu" e o "Tu". Esse encontro exige presença, abertura e reciprocidade. 

Paulo Freire[4] também nos ensinou que o diálogo é um ato de amor, humildade e esperança. Dialogar não é vencer uma discussão, mas criar possibilidades para compreender o outro. Talvez essa seja a maior lição para a era digital: utilizar a tecnologia para aproximar pessoas, jamais para substituí-las.
O futuro não será decidido pela Inteligência Artificial, mas pela inteligência humana ao utilizá-la com ética, responsabilidade e sensibilidade. Quanto mais avançam as máquinas, maior deve ser nossa capacidade de ouvir, acolher, questionar e dialogar.
No fim das contas, a tecnologia evolui rapidamente, mas continua sendo a conversa sincera entre pessoas que transforma vidas. Que saibamos dialogar com as máquinas sem perder a capacidade de dialogar com o coração humano. Afinal, nenhuma inovação será verdadeiramente inteligente se nos afastar daquilo que nos torna profundamente humanos.



Gostou desta leitura?

A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.

[1] Rômulo Vaz Youbube. Natural de Goiânia (GO), o escritor Rômulo conta com quatro obras publicadas: "O menino do alpendre"; "Enquanto a vida passa";  "Não foi à toa, foi a palavra" e o lançamento deste ano, pela PG Editora: De 5 em 5 abrem-se as cortinas. Membro correspondente da Academia Goianiense de Letras – cadeira 58 Formado em Filosofia pela PUC/GO, pós-graduado em Filosofia Clínica (Instituto Pacter/Porto Alegre), Produtor Cênico (pelo Instituto Basileu França). Além do trabalho como ator e professor de artes cênicas (adultos e idosos), Rômulo mantém no Youtube o Programa Convescote. @romulovaz.convescote @teatrohumanista @dragsboulevard romulovaz32@gmail.com
[2] imagem 4d:pgeditora58078477000170
[3] BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro.
[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Alfabeto Literário - C

 

Crônica

A literatura que nasce do cotidiano.

Alfabeto Literário - C


    Na cozinha, a pilha de louça, consequência da reunião da noite anterior para festejar a vitória do Brasil sobre o Japão, era minha. Meu palpite venceu: 2x1. Placar de sufoco, mas na Copa do Mundo todos querem vencer. A louça estava lá, a minha espera, grandes panelas foscas e sujas, uma dezena de pratos e duas de copos, mais talheres. Como podiam os alumínios estarem tão apagados? Na época em que eu tinha mais tempo, as panelas brilhavam sem ajuda de limpa alumínio, e, ainda, lembro de minha avó arear com areia e sabão de bolas as grandes panelas. A secar reluzentes ao sol. Lembro de doer-me as vistas.

    Enquanto, areava a panela, com limpa alumínio e Bombril, uma espuma cinza e espessa surgia com o atrito da esponja. Uma nódoa veio à memória: a menina de chinelos e uma pinta no dedão do pé. Qual era mesmo o nome dela?  No tempo de escola, ela andava para lá e para cá marcada de espuma cinza, esquecida no antebraço. Provavelmente, areava as panelas antes de ir à escola. Pensei na tal tarefa doméstica enquanto me abdicava de escrever algumas linhas para a publicação na coluna do dia seguinte, mas a louça não podia esperar. Era dia de home office e eu ainda não havia aberto o computador.

    Lavaria a louça o mais rápido possível a fim de começar a trabalhar na produção da crônica: um gênero textual do cotidiano. O que seria mais trivial do que lavar louça e se perder em pensamentos?

    O que o tempo teve a ver com as nossas tarefas do dia a dia? Agora, não é necessário arear. As panelas são feitas de outros materiais que facilitam a lavagem. Não se usa alumínio batido como antigamente. Existem outros tipos, mais econômicos ou saudáveis. Dizem que o alumínio é proibido em muitos países do mundo. Esquivei da ideia de contabilizar a quantidade dessa substância em meu organismo, absorvida nos meus quarenta e poucos anos de vida.

    Voltei a pensar na crônica, agora esfregando os talheres. A crônica consiste em narrativas sutis. Não há, necessariamente, uma moral da história. Para ser honesta, moralidade é um termo perdido na sociedade contemporânea, fadado aos moralistas sem moral ... mas se ela existe, nesse gênero textual, não deve ser a protagonista.

    Crônica consiste em uma situação paralisante que deve se remeter ao cotidiano... reflexiva imbuída de estar, numa “verdade do cronista”. Parece-me um conceito justo, mas falho ou questionável se comparada a outros gêneros. Suspeito que a crônica seja prima-irmã do conto.  Sua elaboração poderia consistir no esforço de escrever criticamente sem ser explícito, evasivo, como em uma situação do cotidiano observado pelo seu autor. Uma narrativa que desperta um olhar reflexivo sobre um tema que se transveste-se de trivial. 

    Julgo ser um perigo escrever algo sobre o cotidiano que está imbricado em nós... A crônica consiste em narrativas sutis. Sem moral, por gentileza, insisto ... se há alguma deve ser resgatada pelo leitor ou leitora. Cabe a ele ou ela arrancá-la e lançá-la para dentro de si, se fazer introspectivo a partir da realidade massivamente comum.

    Há a crônica jornalística. Essa possui uma função ainda mais social e ousada. Não compliquemos, por isso, pensaremos na crônica sem definirmos o âmbito discursivo, ao menos por enquanto - Dialogo com a minha consciência. A referida instância discursiva, aberta ao público maior, em que populares a leem no jornal, se divertem com a narrativa sem perceber que cada linha esfrega em sua cara um acontecimento corriqueiro, às vezes, íntimo, nostálgico ou memorável ao seu cronista, com um propósito astuto, esporadicamente, não capturado.

    Veio-me Marcuschi que assegura todos os gêneros textuais a partir da sua forma e função. Assim, aplicando à crônica, tendo a pensar que: o primeiro se molda na narrativa curta sobre um enredo acerca do cotidiano que pressupõe um tema relevante sob o ponto de vista de quem a elabora; enquanto o segundo se relaciona com a finalidade de o leitor apreciar um enredo desvelando um tema crítico-reflexivo, sem lhe ser empurrado goela abaixo, feito pílulas amargas que se devem engolir rapidamente antes que a saliva revele seu gosto amargo.

    É certo que não tenho a pretensão de definir ou de conceituar tal gênero. Aprecio escrevê-lo e lê-lo.

    O que está posto, aqui, consiste em uma reflexão ou tentativa de elaboração. Julgo ser difícil exercer a tarefa de crítico ou teórico literário. Para esse momento, costumo citar a escritora Lêda Selma que traduz a beleza de escrever narrativas curtas, trazendo uma resolução para a questão teórica-literária discutida. Ela cunhou o termo Cronto, sem aspas mesmo: ocorre quando não é possível a distinção entre conto e crônica. Lêda Selma escreve maravilhosamente esse novo gênero literário, assim como Clarice Lispector já o fazia, mas foi Lêda quem ousou resolver tal impasse teórico-conceitual, ainda em discussão por muitos estudiosos da literatura e linguística. 

    Percebi, velozmente, a finalização da louça que agora precede a limpeza da pia... Assim que terminar de secar a cuba, me dedicarei às incumbências da escrita da crônica: uma narrativa do cotidiano, como se o conto também assim não o fosse.




Gostou desta leitura?

A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.




Autores e obras
[1] Rodriana Costa. Escritora, entusiasta das artes. Escreve contos e crônicas publicados em sites, coletâneas e livros. Destaca-se “Minha amiga Esmeralda”, conto que compôs a “Antologia Mulheres em seus Destinos”, publicada em Cabo Verde. Em 2022, publicou o livro “Aromas e Memórias: contos” e em 2025, o livro de contos “Casulo da Borboleta”. É doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB/Universtià de Pescara (Itália). É Mestre em Linguística e Língua Portuguesa e graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é docente no ensino superior, coordena e atua em projetos literários e Vice-presidente da UBE-seção Goiás. Site da autora:
[2] imagem 2c:pgeditora58078477000170

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Alfabeto Literário - B

BIBLIOGRAFIA

As leituras que formam um escritor

Alfabeto Literário - B




       Ler e escrever – escrever e ler. Ler sem escrever, até pode ser, mas escrever sem ler – complica! Costuma-se dizer que todo escritor é um leitor, verdade sim, no entanto, é uma resposta incompleta.

Os livros são indispensáveis, sejam obras-primas da literatura mundial e nacional, dos clássicos aos ultramodernos (já leu um nano-conto?)

Para os escritores, ler é mais amplo, vai além daquilo que já foi escrito (papiro, papel, on-line). Escritores leem personalidades, humores, cenários, sociedades, situações, ritmos versos e controvérsias, por isso nem toda leitura que forma um escritor está nos livros. Tais leituras estão nas suas próprias vidas e nas histórias que viveram, vivenciaram, estudaram, e até mesmo ouviram falar. É o que dá aos livros sua característica singular – através dos livros é permitido experienciar outra vida, outras histórias, viajar o mundo viajar no tempo e no espaço (passado, presente e futuro) realidades, ficções e tudo quanto mais e maior puder surgir da imaginação e do pensamento humanos.

Ao abrir um livro, o leitor aceita um convite para enxergar através dos olhos de outra pessoa, e.ao mesmo tempo, projetar seus próprio olhar enquanto lê nas linhas e entrelinhas do autor. Talvez não haja experiências humanas que ofereçam um exercício tão profundo de deslocamento. Talvez seja justamente por isso que a leitura esteja na base da formação de tantos escritores.

Imaginação, percepção!

Técnicas de escrita e estilo podem ser aprendidas e copiadas, é assim que os agentes literários de IA escrevem, mas creio que nunca serão capazes de perceber, a literatura vai, então, além, audaciosamente onde a mente puder nos levar.

Perceber aquilo que passa despercebido; perceber a solidão escondida atrás de uma conversa comum; perceber a coragem que existe em pequenos gestos, perceber que cada pessoa carrega uma história que não pode ser resumida a uma aparência, uma opinião ou uma circunstância.

A bibliografia de um autor contemporâneo não se mede apenas pela estante dos livros já lidos, restam os não lidos, as percepções, as experiências, as inquietações provocadas pelas perguntas uma hora respondidas e outras ainda incógnitas.

        O escritor, autor da escrita que constrói e desconstrói, aquele que assume seu papel social e propõe novos valores, novas crenças... que transforma o mundo feio em rara beleza, ou mostra o horror na belezura, que faz ciência e traz vida ou destruição.



___________________________________________________________________________________

Gostou da leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

Siga o blog, acompanhe as próximas publicações e compartilhe este conteúdo com outros leitores.

Porque cada livro transforma um leitor. 

E cada leitor ajuda a transformar o mundo.

___________________________________________________________________________________


Autores e Obras
[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL.
[2] imagem 2b:pgeditora58078477000170

Postagem em destaque

Alfabeto Literário - L

Alfabeto Literário - L Leitura: o encontro que transforma Por Idário Garcês    L de ler, leitor, livro, livraria A letra L tem uma história ...

Seguidores