quinta-feira, 16 de julho de 2026

Alfabeto Literário - E

 Escrita 

A arte de dar forma às ideias

Registros que uniram povos, culturas, línguas e globalizaram o mundo.


    Desde os primórdios da humanidade, o ser humano teve a necessidade de deixar registrado o que via, sentia, acreditava e a sua relação com o outro através da língua falada e posteriormente, a escrita.

    Segundo antigos historiadores, a escrita surgiu por volta de 3.500 anos a.C, na Mesopotâmia (atual Iraque) denominada Escrita Cuneiforme, onde os Sumerianos usavam plaquetas de argila úmida e uma espécie de estilete, em forma de cunhas, para registrarem respectivamente a cultura, conhecimentos, leis e suas crenças religiosas. E, também, transações comerciais e financeiras. 

    Heródoto[3], filósofo grego do século V a.C, um dos escritores mais influentes da Idade Antiga, foi o precursor da escrita propriamente dita, é considerado o “Pai da História”. Em sua obra – HISTÓRIAS - definiu inteligentemente que a investigação, ouvindo relatos e histórias, e comparação, usando a pesquisa e a razão pudessem aproximar os registros com a luz da verdade dos fatos ocorridos, opondo-se a outros métodos fantasiosos contados por mentes imaginativas e contraditórias.

    Em uma outra linha de pensamento, de acordo com o também filósofo grego, Aristóteles[4], as palavras escritas não são apenas marcas ou símbolos da fala - a escrita serve para registrar e transmitir o conhecimento humano e unir realidades diferentes.

Simultaneamente às diversas concepções filosóficas acerca da escrita, o que podemos perceber é que ao longo do tempo ela exprime os sentimentos da alma, as emoções, as paixões, os costumes, as experiências, as dores, as tragédias, os humores e as competições humanas.

A escrita, desde as primeiras pinturas rupestres catalogadas pelo homem na pré-história, retrata cenas do cotidiano, rituais de caça e crenças implícitas, ligadas diretamente a sua essência e originalidade.

Além de ser uma invenção extremamente relevante na história da humanidade, a escrita uniu povos, culturas, línguas e globalizou o mundo na atualidade. Trouxe a oportunidade para as pessoas refletirem e buscarem respostas conjuntas sobre seu papel na sociedade em que vivem e sua relação com os outros.

Consequentemente, o alfabeto criado pelos Fenícios por volta de 1.000 a.C, no antigo Oriente Médio, foi outra invenção genuína que contribuiu significativamente para a consolidação da escrita até os dias atuais, na contemporaneidade. Um legado ricamente utilizado pelas nações orientais e ocidentais para a construção da chamada “civilização”.

Atualmente, vivemos na Era Digital, um salto gigantesco, extraordinário e vasto nas informações e tecnologias com o uso de computadores, internet, smartphone, tabletes, notebook, televisão e a inteligência artificial (IA) capazes de alavancar, com primorosa rapidez, as principais atividades do dia a dia da comunicação e da modernidade. Houve um grandioso aceleramento, tratando-se das mídias, que substituíram vários trabalhos os quais os homens realizavam anteriormente. Sendo assim, hoje vivenciamos um período de “robotização” que favorece aos interesses capitalistas em todo o mundo. 

Acho prudente ressaltar que estamos em um período tecnológico muito avançado, com padrões midiáticos com relevância assustadora para os “fazedores das leis”. Considero isso, um perigo eminente para aqueles que vivem à margem de um sistema baseado em dados, números, códigos e regras, desvalorizando impiedosamente as classes menos favorecidas. 

Portanto, vejo a escrita e a literatura como uma estratégia fundamental para a educação das gerações vigentes e vindouras,  uma ferramenta poderosa para a conscientização e libertação de paradigmas e comportamentos que impedem as pessoas de se tornarem melhores. 

As palavras proferidas de forma rasa e vazia o vento leva, mas a escrita publicada com o intuito de promover e propagar o bem, permanece para sempre.


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Autores e obras
[1] imagem 5e:pgeditora58078477000170
[2]Jane Costa é historiadora, escritora, poeta, psicopedagoga e professora aposentada. Tem seis livros publicados, sendo quatro infantis e dois de poesias. Participou de Antologias no Brasil, Estados Unidos, França e Cabo Verde. Membro da União Brasileira de Escritores, seção Goiás (UBE-GO), da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB), da Focus Brasil em Nova York. Premiações: Concurso de Poesia Cid Moreira(2021); 1º lugar no Concurso de Contos da Academia de Letras de Taubaté (SP) - Dando a luz durante uma tempestade; Arte Cultural, Florianópolis (2023). Prêmio Destaque Focus Brasil/Nova York - AILB – 1º lugar - Categoria infantil (2025).
[3] Filosofia - Heródoto
[4]Filosofia - Aristóteles

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