Autor
O papel social do autor na era da IA
Alfabeto Literário - A
À época da virada do milênio, estávamos percebendo a Era digital. No cerne do mundo literário, o papel do autor na sociedade fortalece sua identidade, uma certeza ou ainda um questionamento.
A conhecida frase “ninguém segura a roda do progresso” ultrapassou Maverick, alcançou Mach 15. A “roda” não é mais o Concorde ou Stealth pois foguetes de E. Musk agora tem marcha ré! Toda a Terra avançou na Era Digital e vinte seis anos a frente dos anos dois mil, a Era Digital se converteu em Inteligência Artificial - IA.
Estamos diante de grandes desafios de autoria, qual é o papel do autor/escritor na sociedade hodierna, e para essa resposta, mister é desenvolver uma identidade autoral. Antes, autor que se fazia presente na arte e na literatura escrevia o lhe vinha “à telha”, gêneros e números. Não creio que se persista desta forma, o leitor quer mais, muito mais. Também não se trata da resistência do livro, ele é um sobrevivente, a exemplo de Gilgamech que viveu o grande incêndio, sobreviveu as areias do tempo, literalmente, e hoje se mostra na Biblioteca de Londres. O livro é um sobrevivente há milênios e continuará a ser.
Voltamos aos autores, escritores sincrônicos, estes que lutam para desenvolver sua identidade, fazer-se presente e agente da sociedade. A IA é um instrumento eficaz e eficiente, mas ainda um instrumento. Por mais que se digne a uma presunçosa posição paralela ao escritor, postando de humanoide, jamais alcançará Machado de Assis ou Clarice Lispector, faltará sempre ingredientes de pertencimentos humanos: a imaginação original, o pensamento originário, a emoção translúcida única.
Sua velocidade de análises algorítmicas podem alcançar infinitos conhecimentos, no entanto, todas serão provenientes de aprendizes e aprendizados, de Sócrates ou Galileu, de Picasso ou Bach.
Como se vê a questão é humana – o medo, que trava e empobrece o raciocínio que se conclui na falácia da superioridade da IA. Quem pode ser maior que os nosso ícones literários, alguns dos novos que se compare aos clássicos? Resposta fácil – não! Por quê? Fácil também, cada um de nossos escritores tem identidade própria, aquela maravilha que nos alegra, nos inspira ou até mesmo nos reprime, mas ainda única e autêntica.
Assim como cada DNA é individual, assim é a identidade autoral, em qualquer Era ou milênio.
E vêm o questionamento verdadeiro: o autor/escritor, qual seu papel social?
Se na legislação existe a função social da propriedade, na escrita não é apenas um papel, mas uma ou mais funções sociais a serem desenvolvidas pelo escritor.
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Este é o começo da Série Alfabeto Literário, venha ver!
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