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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Alfabeto Literário - Q

 

Alfabeto Literário - Q

  Q — Questionamento:  Perguntas que abrem caminhos


A inutilidade desprovida de questionamentos

Rodriana Costa


    Sócrates acordou após o efeito da cicuta. Jaz um sábio. Assim, a viagem iniciou esgotando-lhe não só o corpo como a alma imortal. Atravessou o tempo, perpassou alguns séculos, chegou a lugares contestáveis: foi ao céu, visitou o purgatório, desceu ao inferno incrédulo, quis ficar no limbo, mas divagou no tempo. Sentia-se cheio de dúvidas, revia eras distintas, vasculhava seus próprios pensamentos, refletia incessantemente; concluindo que não sabia nada e confiante em encontrar algum ser humano mais sábio que um dia fora. Seguia sua missão que consistia em contestar o oráculo de Delfos. Acusá-lo-ia de mentiroso! Mas quem é o homem mais sábio de todos?

    Buscava a sabedoria em algum ser humano depois de acompanhar o desenvolvimento das sociedades... Ressignificava suas concepções e instaurava um problema filosófico: Haverá algum ser mais ou tão sábio quanto Sócrates?

    Desembarcou em uma estação de muitas informações. Uma enxurrada de textos, despencou diante de seus olhos. Assim que ouviu sobre a existência de um oráculo veloz a quem tudo respondia, teve impressão de que as pessoas do mundo ocidental tinham mais acesso ao conhecimento. Meio espirituoso, se dedicaria à sua busca. Encontraria o tal sábio. Esse seria dotado de humildade para reconhecer o conhecimento que advém da reflexão, que, por sua vez, precede dos questionamentos, ou seja, não se reconheceria como tal, nem se transverteria em falsa modéstia.

    Desde o oráculo, em tempos de filosofia em pórticos e jardins atenienses, o ser humano se respaldava em um conhecimento vindo de um ser imagético supremo que profetizava e atraia bons ou maus presságios. 

    Agora, Sócrates esbarrava em parafernálias tecnológicas, da automação às Inteligências denominadas por alguns de Superinteligência, sugerindo à sua superioridade mecânica ao intelecto humano. Deveria haver controvérsias! O filósofo jamais conceberia a existência de um cérebro de metal. Possível sugadores de cérebros humanos!

    Sócrates, em sua defesa diante de sua condenação à própria morte, tentando encontrar algum ser humano questionador e desprovido de superegos em diferentes âmbitos, deveria considerar a novidade a qual todos estavam rendidos. Súditos de uma moral encruada. Ele, o filósofo, argumento diante de todos no tribunal:

    “Querofonte foi a Delfos e ousou perguntar ao oráculo se havia alguém mais sábio do que eu [...] A sacerdotisa Pítia respondeu que não havia homem mais sábio”. 

    Na estação XIX, verificaria a atuação feminina, valentes amazonas, reivindicam o seu protagonismo. Ficara absurdamente encantado. Motivou-se buscar nas praças, homens e mulheres que questionam a vida e suas certezas, mas se decepcionava a cada poeta questionado, a cada governante consultado. Não encontrou artesãos como os de outras estações, mas havia oradores, um tanto presunçosos: “todos trágicos, ditirâmbicos e de todos os tipos”.

     Ao perceber que as praças de outrora estavam dentro de aparelhos acoplados em corpos humanos, que podiam ser acessados de qualquer lugar do mundo, a qualquer momento, Sócrates não se fez rogado diante de uma estação fadada ao fracasso. Não ofereceria clemência ou piedade a estação anestesiada.

    Diferentemente do oráculo de outrora, esse podia ser perguntado sem nenhum ritual ou preparo prévio. Assim, Sócrates se regozijou com a satisfação da possibilidade de encontrar um sábio dentre todos os habitantes do planeta.

    Deve apertar as teclas do aparelho de busca ou somente falar o que deseja saber. 

    Pergunte e haverá respostas rapidamente. Essa é uma era da rapidez. De tendências, em que fora dessas praças digitais, ninguém percebe ou é perturbado pelo outro. Disse um homem resguardado em sua própria menoridade.

    Mas para o filósofo, nada lhe interessaria, se não fosse para a aquisição de sabedoria. Durante a sua viagem até a estação XXI, se rendeu, contemplativo, à estação XX, com a obra O idiota, de Dostoievsky, sem titubear, elencou a condição do ser humano como um tema filosófico. O príncipe Míchkin, verdadeiramente, sabe e não se diz saber, mas se questiona a todo tempo. Suspeitava ser esse um sábio.

     Da mesma maneira, de olhar estreito, observava como a sociedade mudou seus costumes, seus comportamentos, suas vestimentas, mas ainda assim, continuava sendo a mesma, com exceção da estação XXI. Assim, examinaria O mentecapto, de Fernando Sabino, como uma figura sábia que não desprezava o questionamento e nem se submetia aos aparelhos ideológicos do discurso.

     Esses, pensava o filósofo, são sujeitos que não se curvam à tendência de “inteligência”. Que não terceirizam seus intelectos provenientes de suas próprias capacidades de pensar, refletir e criar.

    Absorto, na estação XXI, tentava compreender o mundo dividido entre mentes de carne e mentes de metal. Escutava confuso: é feito por humanos de verdade? Esse é humano? Tem garantia de ter sido produzido por humanos? É real ou artificial? Tais questionamentos, colocavam em confronto tudo que havia pensado e ensinado sobre humanidade. Sabia que definitivamente, nada sabia.

    Então pediu para o homem que continuava distraído, de olhos fixados na tela reluzente do tal oráculo, para consultar quem era o mais sábio de todos os tempos. 

    “Não existe um único homem considerado o mais sábio de todos os tempos, pois a resposta depende da tradição religiosa, filosófica ou cultural que você consulta.”

    Satisfeito com a resposta, desejou voltar ao tempo em que foi levado ao tribunal para reafirmar sua tese inicial: de que não poderia ser o homem mais sábio. E constataria que os atenienses ganhariam, de fato, uma imensa e duradoura má fama por terem condenado à morte o sábio Sócrates. O julgamento e a execução por envenenamento (cicuta) em 399 a.C. transformaram-se historicamente no maior símbolo dos perigos da intolerância ideológica e dos excessos da própria democracia.

Então, se sentindo vingado e cheio de razão, desejou nunca ter saído do limbo! 


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Autores e obras
[1] Rodriana Costa. Escritora, entusiasta das artes. Escreve contos e crônicas publicados em sites, coletâneas e livros. Destaca-se “Minha amiga Esmeralda”, conto que compôs a “Antologia Mulheres em seus Destinos”, publicada em Cabo Verde. Em 2022, publicou o livro “Aromas e Memórias: contos” e em 2025, o livro de contos “Casulo da Borboleta”. É doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB/Universtià de Pescara (Itália). É Mestre em Linguística e Língua Portuguesa e graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é docente no ensino superior, coordena e atua em projetos literários e Vice-presidente da UBE-seção Goiás. Site da autora:
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - P


Alfabeto Literário - P

  P — Poesia:  


Ler poesia pra quê?


    Por muito tempo, desde as minhas primeiras leituras de poesia que respondo a esse tipo de questão do título. Com o passar do tempo, treinei minha mente a esquecer esse tipo de tautologia e passei a responder com dois textos, antes de argumentar que, caia chuva ou faça sol (neve, então, ainda mais!) continuarei lendo poesia. O primeiro é do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser e o segundo, do alemão Martin Heidegger (falando sobre a poesia em geral e, especificamente, sobre a poesia de Hölderlin,1940-1960). Volto comentando depois, se mais houvesse pra dizer.

    I

    “Nem sempre estamos cientes do que devemos à poesia, no sentido lato da palavra: quase tudo que percebemos e vivenciamos. Fazer poesia é a produção de modelos de experiência, e sem tais modelos não poderíamos perceber quase nada”. Ficaríamos anestesiados e teríamos de – submetidos aos nossos instintos atrofiados – cambalear cegos, surdos e insensíveis. Os poetas são nossos órgãos do sentido. Nós vemos, ouvimos, sentimos sabores e cheiros devido aos modelos que nos são apresentados pelos poetas. Nós percebemos o mundo por meio desses modelos.

    “Os poetas criaram esses modelos e não os imitaram a partir daquilo que se encontrasse desmodelado e bruto em algum lugar. Quando vemos cores, seja por meio de Van Gogh ou de uma Kodak; [atenção, leitor, que Vilém Flusser ainda atualíssimo em 1987] quando ouvimos sons, seja o de Bach ou de um rock; quando sentimos sabores, seja o de um Brillat-Savarin ou de um fast-food; essas cores, sons e sabores são como são não porque vêm da Natureza assim, mas porque são culturais, isto é, porque foram poeticamente elaborados por um motivo fundamental de alguma forma não percebido naturalmente. Se tentássemos escrever uma história da percepção a partir da hipótese de que as cores são percebidas de maneira diferente antes e depois de Van Gogh, ela seria uma história da estética, da experiência.” (Vilém Flusser).

    II

    “A poesia é o nomear que institui o ser e a essência de todas as coisas, não um dizer qualquer, mas aquele graças ao qual apenas se mostra à abertura tudo o que nós depois discutimos e tratamos na linguagem de todos os dias. Por isso, a poesia não toma jamais a linguagem como um material já presente, mas é somente a poesia mesma a tornar possível a linguagem. A poesia originária de um povo histórico. E, portanto, vice-versa, a essência da linguagem que será compreendida a partir da essência da poesia” (Martin Heidegger, 1889-1976).

    O que dizer depois desses dois pensamentos fundantes? O uso da poesia parece ser posto no terreno da inutilidade cotidiana diante de um mundo que já passou pelo Holocausto e pelo terrorismo de âmbito mundial movido pelo fanatismo religioso.

    Porém, é a poesia também tábua de salvação para muitos homens e mulheres que olham o mundo e diante dele se sentem sem rumo, sem solução diante do problema do ser e do Tempo. É preciso convocar um poeta e não um filósofo para me ajudar a responder pelo atestado de vida da poesia.

    A poesia é a mais condensada forma de expressão verbal, afirma Ezra Pound. Devemos aprender que a poesia antecede ao poema e este (como a boa prosa) pode se basear numa das três saídas: fanopeia, melopeia ou logopeia. Qualquer dos caminhos tomados pode levar o poeta (ou prosador) a bons e maus resultados.

    Uma contradição do mundo atual foi apontada pela professora Goiandira Ortiz: “a literatura, especialmente a poesia, exige um modo de ler que o contexto atual dificulta com sua velocidade de comunicação, de apelos visuais e ruídos, jogando o sujeito para fora de si, não permitindo tempo espaço para uma disponibilidade de silêncio interior”.

    Somente esse “silêncio interior”, esse mutismo pensante, essas meditações, em meio às turbulências do mundo hodierno, só o silêncio, dizia, pode nos conceder o dom e a graça de ler e fazer poesia, em meio ao furacão midiático. Vilém Flusser alertava para os desgastes que a tecnologia e a pressa das rotinas no mundo poderiam impor não só à Poesia, mas à Escrita em geral.

    Por isso, encerro citando a poetisa polonesa Wislawa Szymborska que creio deu o diagnóstico preciso: “Alguns gostam de poesia. Alguns – ou seja, nem todos. Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria. Sem contar a escola onde é obrigatório e os próprios poetas seriam talvez uns dois em mil.”



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Autores e obras
Adalberto de Queiroz: (Goiânia, 5/2/1955) é jornalista e poeta. Estudou Física na Universidade Federal de Goiás e Comunicação Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde frequentou círculos literários e conviveu com autores como Dyonélio Machado, Caio Fernando Abreu e Moacyr Scliar. Mais tarde, concluiu pós-graduação em Marketing e especialização em Estudos Medievais na Universidade do Novo México, formações que dialogam com seu interesse tanto pela tradição quanto pela circulação contemporânea do texto.
Autor de livros de poesia, crônica e ensaio, publicou títulos em que a lírica se cruza com a reflexão sobre o ato de escrever e ler. Sua estreia, Frágil Armação (1985), foi seguida por Destino Palavra, O Rio Incontornável, Os Fios da Escrita, Cadernos de Sizenando, Entrelinhas (Perfis literários), e Entre Esplendores e Misérias (crônicas). O mais recente: Cantos(poesia)”, 2026, prêmio bolsa de publicações Leodegária de Jesus-2024. Sua obra retoma memória, leitura e tradição, com atenção a formas e procedimentos de anotação e comentário. O percurso de Queiroz articula poesia, crônica e ensaio, aproximando gêneros e épocas — e, nesse movimento, consolida uma presença própria e reconhecível na literatura brasileira contemporânea.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - O

Alfabeto Literário - O

  O — Obra:  

o legado do autor

Por Raquel Machado

    O que é uma obra? Talvez, à primeira vista, seja apenas um conjunto de palavras organizadas em páginas, uma história que nasce da imaginação, um poema que traduz emoções, um romance que conduz o leitor por caminhos inventados ou, ainda, uma narrativa que registra acontecimentos que um dia foram vividos. Mas uma obra literária é muito mais do que aquilo que os olhos conseguem enxergar. Ela carrega uma parte invisível de quem a escreveu: seus sentimentos, suas inquietações, suas memórias, seus sonhos e a maneira particular como esse autor olha para o mundo.

    Escrever uma obra é, de certa forma, deixar uma marca no tempo. O escritor recolhe aquilo que a vida lhe oferece — encontros, perdas, descobertas, silêncios, alegrias, dores, perguntas — e transforma tudo em linguagem. Às vezes, escreve sobre aquilo que viveu. Outras vezes, sobre aquilo que imaginou, desejou ou temeu. Há ainda aquilo que não consegue explicar, mas que encontra nas palavras uma possibilidade de existir. A literatura nasce, muitas vezes, desse lugar em que a experiência humana procura uma forma para se expressar.

    Uma obra pode começar com uma lembrança aparentemente pequena: uma voz, um cheiro, uma paisagem, uma conversa, um objeto guardado durante anos. Pode nascer de uma pergunta que insiste em permanecer sem resposta. Pode surgir de uma indignação, de um encantamento ou simplesmente da necessidade de contar uma história. O escritor transforma esses fragmentos em algo novo, oferecendo ao leitor a possibilidade de reconhecer, nas palavras de outra pessoa, sentimentos que também habitam sua própria existência.

    Por isso, uma obra é também expressão de sentimentos. Mesmo quando o texto é ficcional, existe nele alguma verdade emocional. O escritor coloca na criação uma maneira de sentir, de perceber, de compreender ou de questionar a vida. As personagens podem não existir, os lugares podem ser inventados e os acontecimentos podem pertencer ao universo da imaginação, mas as emoções que atravessam essas páginas são profundamente humanas. O medo, o amor, a saudade, a esperança, a solidão, a coragem e a alegria encontram na literatura um espaço para permanecer.

    Quando uma obra é concluída, entretanto, ela deixa de pertencer somente ao seu autor. As páginas são entregues ao mundo. Cada leitor passa a construir uma relação própria com aquela história. Uma mesma personagem pode despertar sentimentos diferentes em pessoas diferentes; uma frase pode tocar alguém de maneira inesperada; uma narrativa pode provocar uma lembrança que o próprio escritor jamais imaginou despertar. É nesse encontro entre quem escreve e quem lê que a obra ganha novas possibilidades de existência.

    Nesse sentido, escrever é também oferecer uma herança ao mundo. Não necessariamente uma herança material, mas algo que pode atravessar gerações: pensamentos, histórias, sensibilidades, perguntas e emoções. O autor parte um dia, mas suas palavras podem continuar encontrando leitores. Uma obra pode sobreviver ao tempo justamente porque registra algo essencial sobre o ser humano e sobre a época em que foi criada. Ela se torna testemunho de uma existência, de uma visão de mundo e de uma necessidade de dizer.

    A literatura tem esse poder de guardar aquilo que poderia desaparecer. Guarda vozes, costumes, sentimentos, acontecimentos e modos de enxergar a realidade. Em suas páginas, o passado pode conversar com o presente e o presente pode deixar pistas para o futuro. Uma obra literária não impede que o tempo passe, mas cria uma espécie de resistência ao esquecimento.

    Talvez seja por isso que escrever seja uma forma tão bonita de permanecer. Não se trata apenas de desejar ser lembrado, mas de compartilhar alguma coisa que possa fazer sentido para alguém. O escritor oferece ao leitor uma parte de si, mas recebe, em troca, a possibilidade de continuar existindo em outras sensibilidades, em outras histórias e em outras leituras.

    E há, ainda, uma dimensão profundamente humana na criação literária: a obra pode ser uma celebração da vida. Mesmo quando fala de sofrimento, perdas ou momentos difíceis, a literatura afirma que aquilo que foi vivido merece ser narrado. Escrever é reconhecer que cada existência é feita de acontecimentos que merecem significado. É transformar a passagem do tempo em memória e a experiência em palavra.

    Celebrar a vida por meio de uma obra não significa ignorar suas dores. Pelo contrário. Significa olhar para elas, dar-lhes nome e, quando possível, transformá-las em alguma forma de beleza. A literatura pode fazer nascer esperança justamente onde antes havia apenas silêncio. Pode transformar uma ferida em narrativa, uma lembrança em poesia, uma experiência em aprendizado.

    Assim, uma obra literária não é somente aquilo que o autor escreve. É também aquilo que permanece depois da escrita. É o sentimento que atravessa as páginas, a pergunta que continua ecoando, a lembrança que desperta, a emoção que encontra um leitor muitos anos depois.

    Uma obra é, portanto, palavra e memória; imaginação e experiência; presença e permanência. É a maneira encontrada pelo escritor para dizer ao mundo: eu estive aqui, eu senti, eu pensei, eu sonhei, eu vivi.

    E talvez essa seja uma das maiores riquezas da literatura: transformar a existência em palavra para que a palavra possa, de algum modo, continuar celebrando a vida.


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Autores e obras

Raquel Machado: Pedagoga, historiadora e mestre em História. Professora e escritora, publicou três livros para crianças. Em sua dissertação de mestrado, pesquisou os santeiros goianos a partir de Veiga Valle, trazendo à luz artistas do século XIX que permaneceram no anonimato e valorizando suas obras. Mãe, apaixonada por plantas e bichos, gosta de viajar e, nas horas vagas, é mãe de plantas e de pet. Escrever é sua paixão e uma forma de criar, sentir e compartilhar histórias.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - N


Alfabeto Literário - N

  N — NARRATIVA:  

a arte de contar histórias - muito mais do que o tamanho do texto.

Por Patrícia.Gabriel

    Durante muito tempo, difundiu-se uma explicação simples: conto é curto, novela tem extensão intermediária e romance é longo. A fórmula é útil, no entanto insuficiente. A extensão do texto participa de sua configuração, mas não constitui, isoladamente, critério capaz de defini-las (SCALIA, 2023; FRANK, 2023).
    Conto, novela e romance pertencem ao campo narrativo e podem compartilhar narrador, personagens, conflito, tempo, espaço e enredo. O que muda é a maneira como esses elementos se organizam. Em outras palavras, a diferença está menos na quantidade de páginas e mais na arquitetura narrativa. O conto tende à concentração. Sua força nasce da seleção rigorosa: poucos elementos precisam produzir alta intensidade de sentido. Isso não significa que deva ter apenas um personagem, um único espaço ou um acontecimento isolado. Significa que seus componentes tendem a convergir para um núcleo dominante. A teoria contemporânea do conto continua destacando justamente sua condensação formal, ao mesmo tempo que reconhece a diversidade histórica assumida pelo gênero (SCALIA, 2023; ZAVALA; BOTOSO, 2026).
    Um conto pode atravessar vinte anos em poucas páginas, desde que o tempo seja condensado por elipses e apenas os momentos decisivos sejam trazidos à cena. Sua economia não é pobreza; é construção estética. Por isso, podemos pensá-lo por quatro ideias: concentração, seleção, economia e intensidade.
    A novela ocupa um território mais complexo, sua faixa de extensão não define sua poética uma vez que a novela possui tradições e configurações formais próprias (FRANK, 2023; MUOIO, 2025; FRANK, 2026). Ao permitir maior desenvolvimento das ações e das personagens, a novela preserva forte unidade em torno de um eixo central. Seu princípio característico pode ser compreendido como progressão: um acontecimento desencadeia outro, produzindo consequências, deslocamentos e transformações. Há expansão, mas ainda sob relativa concentração estrutural. Se o conto concentra, a novela desenvolve.
    O romance, por sua vez, distingue-se pela ampla possibilidade de expansão. Pode articular diferentes núcleos de ação, tempos, espaços, perspectivas, personagens e conflitos. Pode acolher subtramas, digressões, vozes diversas e outros gêneros discursivos, ampliando significativamente a construção do mundo ficcional (WRIGHT, 2024). Existem romances breves, romances concentrados em um único dia e romances construídos em torno de poucas personagens. O que importa não é simplesmente a extensão material, mas a organização e a amplitude estrutural que a obra mobiliza.
    Se o conto concentra e a novela desenvolve, o romance expande. Essa tríade — concentração, progressão e expansão — é mais produtiva do que a sequência escolar “curto, médio e longo”. Ela ajuda o escritor a compreender que a forma narrativa não é um recipiente de tamanho predeterminado, mas uma estratégia de construção.
    Imagine uma mesma situação: uma mulher volta à cidade natal depois de vinte anos para o funeral da mãe.
1. Num conto, poderíamos acompanhar apenas as duas horas do funeral e uma revelação capaz de alterar toda a memória daquela relação.
2. Numa novela, o funeral poderia desencadear uma cadeia de acontecimentos: reencontro com a irmã, descoberta de cartas, investigação, confronto familiar, revisão do passado.
3. Num romance, o retorno poderia abrir vários núcleos: a infância da protagonista, a história da mãe, os irmãos, a cidade, o casamento, os segredos familiares e diferentes perspectivas sobre os mesmos acontecimentos.
    O ponto de partida é idêntico. O que muda é a forma de organizar o mundo narrado. Por isso, o número de páginas deve ser entendido como indicador secundário. A paginação depende inclusive de formato, fonte, entrelinha e projeto gráfico — fatores que evidentemente não modificam o gênero literário de uma obra. A própria discussão recente sobre a novela evidencia os limites de estabelecer fronteiras genéricas apenas pela contagem de palavras (FRANK, 2023; 2026).
    Para quem escreve, portanto, a pergunta mais fértil não é quantas páginas esta história terá?, mas de que forma esta história precisa ser contada? A escolha consciente do gênero começa quando o escritor percebe o que sua narrativa pede: concentração, progressão ou expansão.
O tamanho mede o texto. A arquitetura revela a narrativa.


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Autores e obras
Patrícia.Gabriel
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FRANK, Morgan Day. Notes on the novella. *Novel: A Forum on Fiction*, v. 56, n. 1, p. 105–127, 2023. DOI: 10.1215/00295132-10251280.
FRANK, Morgan Day. Theory of the novella? *New Literary History*, v. 56, n. 4, p. 745–769, 2026.
MUOIO, Ilaria. *La novella dal 1890 al 1929: tipologie, apparati editoriali, modelli di lettura*. Firenze: Firenze University Press; Siena: USiena Press, 2025.
SCALIA, Daniele. O gênero conto: principais teorias e situação no Brasil. *Anuário de Literatura*, Florianópolis, v. 28, p. 1–18, 2023. DOI: 10.5007/2175-7917.2023.e92854.
WRIGHT, Daniel. *The Grounds of the Novel*. Stanford: Stanford University Press, 2024. DOI: 10.1515/9781503637566.
ZAVALA, Lauro; BOTOSO, Altamir. Breve história da teoria do conto. *Fólio — Revista de Letras*, v. 17, n. 1, p. 811–837, 2026. DOI: 10.22481/folio.v17i1.18739

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Alfabeto LITERÁRIO - M

 

Alfabeto Literário - M

Memória: o que nos constitui

 As memórias são muito mais do que simples lembranças do passado. Elas constituem quem somos, influenciam nossas escolhas, moldam nossos relacionamentos e orientam nosso modo de compreender o mundo. Se a memória pudesse falar, talvez dissesse: "Eu sei o que você fez. Eu vi o que você viu, ouvi o que você ouviu, guardei o perfume que marcou sua infância, o sabor do prato que despertava alegria, as palavras de amor e também os silêncios que feriram. Conservei verdades, ilusões e até aquilo que você acreditou ter esquecido." Desde a vida intrauterina, quando o cérebro inicia sua extraordinária trajetória de desenvolvimento, somos continuamente constituídos pelas experiências que registramos. De certa forma, somos a história que nossas memórias contam.

Opa! Um momento! A memória é apenas um arquivo de acontecimentos?

De forma alguma. Ela participa ativamente da construção da identidade, das emoções, da fé, das decisões e dos hábitos. Carregamos informações herdadas de nossos ancestrais e, ao longo da vida, acrescentamos novas experiências que influenciam nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Cada aprendizado fortalece conexões entre neurônios, transformando nosso cérebro de maneira contínua. Descobertas científicas recentes demonstram que determinadas proteínas, como PKMζ e KIBRA, atuam na estabilização das memórias de longa duração, permitindo que elas permaneçam preservadas por décadas. Estudos mais recentes também apontam avanços promissores relacionados à regeneração cérebro-vascular, ampliando nossa compreensão sobre a plasticidade cerebral e a possibilidade de preservar ou recuperar funções cognitivas.

Embora a inteligência artificial seja capaz de aprender, reconhecer padrões, resolver problemas e produzir conteúdos sofisticados, ela opera a partir de informações produzidas por seres humanos. O cérebro humano, porém, vai muito além do processamento de dados: ele atribui significado às experiências, conecta emoções, valores, espiritualidade e consciência. Por isso, compreender como nossas memórias são formadas e como influenciam nossas atitudes talvez seja uma das tarefas mais importantes da existência.

Vale perguntar: o que você tem escolhido gravar em sua memória? Suas palavras refletem esperança ou desesperança? Gratidão ou ressentimento? Você investe recursos financeiros para construir patrimônio e garantir segurança para o futuro. Por que não investir também em memórias saudáveis, capazes de produzir prosperidade, equilíbrio e felicidade? De pouco adianta transformar apenas a aparência física se antigas memórias emocionais continuam determinando comportamentos, medos e sofrimentos.

Durante muito tempo acreditamos que a memória servia apenas para aprender conteúdos escolares ou decorar informações. Hoje sabemos que ela governa praticamente todos os aspectos da vida. É ela que influencia nossas escolhas, nossos vínculos afetivos, nossa forma de enfrentar desafios e até mesmo nossa percepção sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre o futuro.

O livro O Poder das Memórias é um convite para olhar para suas memórias com novos olhos. Não para permanecer preso ao passado, mas para compreender que ele não precisa determinar o amanhã. As memórias fazem parte daquilo que nos constitui, mas seu significado pode ser transformado. Ao ressignificá-las, abrimos espaço para desenvolver nosso potencial, fortalecer nossa saúde, ampliar nossa capacidade de amar e construir uma vida mais plena. Afinal, nossas memórias registram nossa história, mas somos nós que escolhemos qual história desejamos continuar escrevendo.


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Autores e obras

[1] Marislei Espíndula Brasileiro é Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina - UFG, Doutora em Ciências da Religião pela PUC, Mestre em Saúde Pública pela FE/UFMG, Especialista em Educação e Cultura. Enfermeira pela UFG. Escritora, palestrante e professora dos cursos de medicina e enfermagem. Presidente da Academia Goianiense de Letras, ocupando a cadeira Nº 3 - Cora Coralina. Possui 40 livros publicados (10 romances e 30 livros científicos). Casada com Emídio Silva Falcão Brasileiro, tem um casal de filhos e reside em Goiânia desde 1977..

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - L

Alfabeto Literário - L

Leitura: o encontro que transforma

  L de ler, leitor, livro, livraria

A letra L tem uma história longa. Remonta aos egípcios, passando pelos fenícios, gregos e chegando aos romanos que apenas copiaram dos gregos a forma estrutural que usamos até hoje. Inicialmente chamada de “lamed” que queria dizer bastão ou aguilhão. Uma curiosidade linguística ou fonética: o som de L é chamado de "lateral", pois é quando o ar sai pelos lados da língua. Talvez, por isso palavras com L dão certa sensação de leveza: lua, luz, lar, lago.

Para quem gosta ou entende de numerologia, na numerologia romana L = 50. Na linguagem de Libras, L é o polegar e indicador abertos. A maior contribuição da letra L para a humanidade são os Livros! E ou as palavras derivadas ou ligadas ao universo dos livros: leitura, ler, livraria. Porém, a contribuição não para nos livros: nas artes e na música, o L nos apresentou talentos atemporais de grandes obras:


Legião Urbana - banda que marcou o rock brasileiro.
Luiz Gonzaga - o Rei do Baião.
Lupicínio Rodrigues - mestre do samba-canção.
Leonardo da Vinci - gênio renascentista.
Lygia Fagundes Telles - escritora brasileira.

Também na história e na política o L nos traz expoentes que mudaram a geopolítica nacional e mundial:

Lula - Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil.
Lincoln - Abraham Lincoln, presidente dos EUA que aboliu a escravidão.
Lênin - líder da Revolução Russa.
Luís XIV - o "Rei Sol" da França.

Na ciência:

Lavoisier - pai da química moderna.
Lamarck - naturalista, teoria da evolução.
Lovelace - Ada Lovelace, considerada a primeira programadora.

Grandes e relevantes fatos históricos que moldaram o Brasil atual e também outras partes do mundo, tiveram como primeira letra o nosso L:

Lei Áurea - 1888 - A lei que libertou os escravos no Brasil assinada pela Princesa Isabel.

Um dos "L" mais importantes da nossa história.

Luz Elétrica. A invenção da Lâmpada por Thomas Edison em 1879 mudou o mundo. A noite deixou de ser limite.


Lua - 1969
Lançamento da Apollo 11. "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade". O homem levou o pé na Lua.

Liderança e Revoluções

Lenin e a Revolução Russa de 1917.
Lutero e as 95 teses em 1517 que iniciaram a Reforma Protestante.

Literatura: Livros mudaram o mundo. Da Líada de Homero até Lolita. A Língua portuguesa também se espalhou pelo mundo com as Largas navegações portuguesas.

Luta: Libertação das mulheres, Lutas sociais, Lutas pelos direitos civis. O L sempre
aparece quando falamos de avanço.

Mas, e a história do livro e de todas as palavras oriundas desse objeto sagrado? Será que é possível listar uma pequena parte? A história do L nos livros: L de Livro: Vem do latim liber, que era a casca interna
das árvores onde se escrevia. Por isso "liber" virou livro. L de Ler: Também do latim legere = colher, juntar. Ler é colher palavras e juntar sentido. De Literatura. A palavra vem de Littera = Letra. Sem L, não tem letra. Sem letra, não tem literatura.

Ler nos remete a livros, revistas, jornais impressos ou virtuais. Já livros nos remete às livrarias! Ao espaço físico que guarda não apenas livros, mas também, ambiente! Local de aconchego, de conversas sem pressa, de presenças, amizades. Livrarias com cafeterias são aqueles espaços sagrados onde se misturam os cheiros dos livros, do café, do bolo, do pão de queijo! Onde cheiro se torna protagonista, se torna o personagem principal. Onde o amigo se torna mais especial, a conversa vira tratado filosófico digno de publicação!

Se o livro materializa os sentimentos de quem criou o seu conteúdo e externou; a livraria é o relicário de múltiplos sentimentos sacralizados em forma impressa!


Ler é abrir portais dimensionais, bidimensionais e até tridimensionais; é o transporte que leva o leitor às grandes batalhas, às pequenas batalhas, não menos importante, conforme seu contexto. Leva ao coração atormentado e também ao coração apaixonado; leva ao desencontro de pais e filhos; e ao reencontro também. Não sei quem disse que o universo cabe numa página de livro!

Cada universo pode ser descrito numa página de livro ou em várias páginas, visto que cada autor ou autora, descreve sobre universos das mais diversas maneiras! Jorge Amado e o universo da Bahia, em Capitães de areia, Gabriela! Machado, não o que corta a árvore para transformá-la em papel, mas o que
corta a realidade colonial, transformando em dúvida aquilo que não é necessário se duvidar! Carolina e o universo dos quartos de despejo; Cora e o universo rural repleto de doces!

A letra L não é não é a mais importante e ou a mais bonita do nosso alfabeto; nem a que tem as palavras mais impactantes. Quando pensamos em palavras iniciadas com L, lua aparece destacada. Nosso satélite regula o fluxo das marés, embeleza e alumia nossas noites. Aliás, o sertão goiano, à noite, sob a luz do luar é de uma beleza singular. Não importa a região do estado.

Outra palavra com L que também é sempre lembrada é lago. Lago que carrega muita vida, que conserva a água mesmo após o período chuvoso. Que proporciona contemplação, calma, banhos e pesca.

Lavoura, lenha, lida, labareda, laço, laçada, lasca, lebre, leitão falam entre si no dia a dia do povo campesino.


E quantos outras poderíamos destacar que fazem parte do nosso cotidiano?
Talvez, dezenas, centenas ou milhares delas.
Nem sempre atentamos para as letras, apesar de as usarmos rotineiramente, só pensamos em sua utilidade quando fazemos esse tipo de exercício mental. E assim como todo exercício, mental ou não, nos fortalece e revigora-nos. 

Elas exercem a função estrutural das palavras; servem como elos que farão o sentido de cada palavra. As vogais unem as consoantes e as tornam compreensíveis. Sem as vogais nosso idioma ficaria parecido com alguns idiomas europeus onde as consoantes tem a função das vogais inclusive na fonética. Porém, a nossa língua portuguesa é tão rica e vasta que oferecesse palavras para todas coisas com até mais de uma opção para o que desejamos falar, como por exemplo: casa de morar e casa de casamento; Sara como nome próprio e sara de sarar ou o pássaro saracura!


Na nossa cultura goiana, uai serve para exclamar, duvidar ou responder. Serve também para ganhar um tempinho até achar a palavra mais adequada para responder algo a alguém.


Sem a letra, não tem palavra! Sem a palavra não tem a frase! E sem a frase, não tem comunicação. Apesar de a letra ser a menor parte na construção do pensamento, seja escrito ou falado, sem ela, a letra, não há livro, nem música, nem poesia! Há só o silêncio. O silêncio é bom também. Mas só quando não
temos a necessidade de interagir com as outras pessoas. 

Assim, de letra em letra, de sílaba em sílaba, de palavra em palavra e de frase em frase, construí esse texto. Obrigado à todas as letras e em especial à letra L.


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Autores e obras

[1] Idário Carvalho Garcês Filho. Goiano de Itauçu, formado em administração com MBA em Marketing pela FGV-RJ., sócio da Livraria Palavrear. Morador de Goiânia há 55 anos. Sem livro publicado, escrevo por hobbie.

[2] Imagem 11l:pgeditora58078477000170.


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - J -

Alfabeto Literário - J

A Jornada do Escritor: a palavra perante o tribunal da História

    Escrever é muito mais do que dominar a linguagem. É assumir um compromisso com a verdade, a beleza e a justiça. O escritor não apenas registra acontecimentos: interpreta seu tempo, denuncia injustiças, preserva a memória e semeia esperança. Sua matéria-prima é a palavra, mas sua verdadeira missão é formar consciências, pois toda obra publicada passa a pertencer não apenas ao autor, mas à História.

    Hegel ensinou que “a História do mundo é o tribunal do mundo”. Diante desse tribunal invisível, escritores e historiadores comparecem como testemunhas permanentes. A historiografia grava na pedra os acontecimentos; a literatura faz florescer sobre ela a sensibilidade humana. A História sem a poesia torna-se fria como o mármore; a poesia sem a História perde suas raízes. São duas asas da mesma memória: uma preserva os fatos, a outra lhes confere significado.

    Rui Barbosa sustentava que os atos humanos jamais escapam ao julgamento da posteridade. Em A Queda do Império e em seus escritos políticos, demonstra que o tempo desfaz as aparências e restitui à História a missão de julgar governantes, ideias e instituições. O escritor, por isso, não escreve apenas para seus contemporâneos, mas para esse tribunal permanente onde as palavras sobrevivem aos próprios autores.

    Jean-Paul Sartre afirmou, em Que é a Literatura?, que escrever é agir. Albert Camus, ao receber o Prêmio Nobel, recordou que o escritor deve servir aos que sofrem a História, e não aos que exercem o poder. Escrever é uma escolha ética. Um livro pode despertar consciências, inspirar reformas, impedir o esquecimento e transformar uma sociedade.

    No Brasil, essa missão encontrou intérpretes extraordinários. Machado de Assis revelou as contradições da alma nacional; Euclides da Cunha denunciou o abandono de Canudos; Lima Barreto combateu o preconceito; Graciliano Ramos deu voz aos esquecidos; Guimarães Rosa universalizou o sertão; Clarice Lispector iluminou a interioridade humana; Cora Coralina revelou a grandeza da simplicidade; Carolina Maria de Jesus rompeu o silêncio da pobreza; Bernardo Élis eternizou o Brasil Central.

    Também a poesia ajudou a construir a consciência nacional. Castro Alves transformou seus versos em um clamor contra a escravidão; Cruz e Sousa fez da dor uma afirmação da dignidade humana; Carlos Drummond de Andrade refletiu sobre a condição do homem; Cecília Meireles cantou a permanência dos valores; Thiago de Mello proclamou a liberdade como dever da consciência. A poesia denuncia para que a barbárie nunca pareça normal e para que novos horrores jamais encontrem o silêncio como aliado.

    Antonio Candido ensinou que a literatura constitui um direito humano, indispensável à formação da sensibilidade e da cidadania. Joseph Campbell mostrou que toda narrativa traduz a busca de sentido; Julia Cameron compreendeu a escrita como coragem criadora; Stephen King recordou que talento exige disciplina; Umberto Eco demonstrou que todo livro continua vivendo na interpretação de seus leitores. Friedrich Nietzsche, ao anunciar a crise dos valores, encontrou na arte uma poderosa afirmação da existência e abriu novas reflexões sobre o sentido da vida.

    Como escreveu Oswaldo Montenegro no poema “Metade”, “Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela mesma não saiba.” A cultura sempre foi guardiã da liberdade e denunciante dos abusos. Entre a pena do historiador e a lira do poeta, a humanidade escreve sua própria biografia. Ambos comparecem perante o tribunal da História levando não apenas os fatos, mas também seu significado, para que a verdade jamais caminhe sem a beleza, nem a justiça sem a esperança. Escrever é semear consciência; publicar é assumir responsabilidade perante o tempo.


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Autores e obras

[1] Abílio Wolney Aires Neto — Juiz de Direito, professor, mestre pela PUC-GO e doutorando em Direito Constitucional pelo IDP/Brasília. Autor de 18 obras publicadas. Graduando em Filosofia, História e Jornalismo. Membro da Academia Goiana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, do Instituto Bernardo Élis, da União Brasileira de Escritores e da Academia Goianiense de Letras.

[2] Imagem 10j:pgeditora58078477000170.

[3] HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da filosofia do direito. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

[4] BARBOSA, Rui. Queda do Império: Diário de Notícias. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde; Casa de Rui Barbosa, 1947. v. 16, t. 1. (Obras completas de Rui Barbosa).

[5] BARBOSA, Rui. O adeus da Academia a Machado de Assis. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 30 set. 1908. 

[6] SARTRE, Jean-Paul. Que é a literatura? 3. ed. São Paulo: Ática, 2004.

[7] CAMUS, Albert. Banquet speech. Stockholm: Nobel Prize, 10 dez. 1957. 

[8] CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011. p. 171–193.

[9] CAMPBELL, Joseph. The hero with a thousand faces. Novato: New World Library, 2008.

[10] CAMERON, Julia. The artist’s way: a spiritual path to higher creativity. New York: J. P. Tarcher/Putnam, 2002.

[11] KING, Stephen. On writing: a memoir of the craft. New York: Scribner, 2000.

[12] ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo: Perspectiva, 2015.

[13] NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[14] MONTENEGRO, Oswaldo. Metade. In: MONTENEGRO, Oswaldo. João sem nome. 1974. Poema publicado originalmente no libreto da peça. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Marislei Espíndula Brasileiro

 P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS

Marislei Espíndula Brasileiro

Escritora | Enfermeira | Professora | Pesquisadora | Presidente da Academia Goianiense de Letras – AGnL | Titular da Cadeira nº 3 | Patrona: Cora Coralina


DADOS BIOGRÁFICOS

  • Nome completo: Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro
  • Nome de apresentação institucional: Marislei Brasileiro
  • Nascimento: 27 de abril de 1969
  • Naturalidade: Cromínia, Goiás
  • Residência em Goiânia: desde os 7 anos de idade
  • Atuação: escritora, enfermeira, professora e pesquisadora
  • Academia: Academia Goianiense de Letras – AGnL
  • Cadeira: nº 3
  • Patrona: Cora Coralina
  • Função atual na AGnL: Presidente

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro nasceu em Cromínia, Goiás, em 27 de abril de 1969. Aos sete anos, mudou-se para Goiânia com os pais e as irmãs. Sua trajetória reúne literatura, saúde, educação, ciência e atuação institucional. Escritora desde a juventude, desenvolveu paralelamente uma sólida carreira acadêmica e profissional, construindo uma produção intelectual que transita entre diferentes áreas do conhecimento.


FORMAÇÃO ACADÊMICA

    Marislei possui formação multidisciplinar, com percurso acadêmico nas áreas da saúde, educação e religião. Essa formação contribui para uma produção intelectual caracterizada pelo diálogo entre ciência, saúde, educação, espiritualidade e literatura.

  • Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • Doutora em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás;
  • Mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG;
  • Especialista em Educação;
  • Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • possui Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Goiás – UFG.



TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

    Marislei construiu carreira como enfermeira, professora, pesquisadora e autora. Sua atuação está relacionada à formação acadêmica e profissional, à pesquisa científica e à produção de conhecimento, especialmente em áreas vinculadas à saúde e à educação. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à formação de profissionais, ao desenvolvimento da pesquisa científica, à produção intelectual e ao incentivo à leitura e à cultura. Sua experiência acadêmica e científica estabelece uma relação direta com sua produção editorial, fazendo com que sua bibliografia compreenda tanto obras literárias quanto livros de caráter técnico e científico.


TRAJETÓRIA LITERÁRIA

    A literatura integra a trajetória de Marislei desde a juventude. Sua escrita é caracterizada pela Academia Goianiense de Letras como multifacetada, transitando entre ciência e espiritualidade, saúde e educação, com presença do protagonismo feminino. A produção de Marislei aproxima conhecimento científico e expressão literária, permitindo que temas oriundos de sua formação e experiência profissional também se projetem em sua atividade como escritora. Ao longo da carreira, consolidou extensa produção bibliográfica, tornando-se autora de mais de 40 livros, além de centenas de trabalhos e artigos de natureza científica.


OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

    Sua bibliografia abrange literatura, saúde, educação, ciência e outros campos de reflexão e conhecimento.

  • O Poder das Memórias;
  • Madeleine, um passado em Paris;
  • A Joia da Galileia;
  • Leonardo Da Vinci, a alma de um gênio

ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS – AGnL

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro é Titular da Cadeira nº 3 da Academia Goianiense de Letras, cuja patrona é Cora Coralina. Integra a Diretoria da AGnL para o período 2025–2029 como Presidente da instituição. Sua atuação à frente da Academia está vinculada à valorização da literatura, ao fortalecimento da identidade cultural goiana, à preservação da memória e à ampliação do diálogo da instituição com a sociedade. A presença de Marislei na presidência da AGnL reúne dois aspectos centrais de sua trajetória: a produção intelectual e a atuação institucional em favor da literatura, da leitura e da cultura.

    Marislei é também fundadora e membro da Diretoria da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, instituição na qual ocupa a Cadeira nº 3. Sua participação nas duas academias amplia sua atuação institucional em favor da literatura, da memória, da cultura e da circulação do conhecimento em Goiás.

BIBLIOTECA DRA. MARISLEI ESPÍNDULA BRASILEIRO

    A Academia Goianiense de Letras mantém em sua sede a Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro. Segundo a própria AGnL, a denominação foi estabelecida por deliberação da primeira Diretoria da Academia, em 2006, como homenagem à trajetória de Marislei e à sua dedicação à ciência, à educação e às letras. A Biblioteca constitui espaço de preservação da memória, pesquisa, promoção do conhecimento, literatura e difusão cultural. Também abriga o Clube de Leitura da Academia Goianiense de Letras, destinado à realização de encontros, debates, estudos e reflexões sobre obras clássicas e contemporâneas. A existência de uma biblioteca institucional que leva seu nome constitui um registro relevante do reconhecimento de sua contribuição intelectual e cultural.


PRÊMIOS, TÍTULOS E DISTINÇÕES

    A Academia Goianiense de Letras registra oficialmente entre seus títulos e distinções. As distinções registram diferentes dimensões de sua atuação profissional, intelectual e social.

  • Comenda Berenice Artiaga — Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, 2005;
  • Título de Cidadã Goianiense — Câmara Municipal de Goiânia, 2010;
  • Diploma de Honra ao Mérito — Câmara Municipal de Goiânia, 2011;
  • 1º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – Finalista Estadual – Microempreendedora — Sebrae, 2023.



PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PESQUISA

    A pesquisa científica constitui parte expressiva da trajetória de Marislei. A Academia Goianiense de Letras registra que a autora possui centenas de artigos científicos, além de extensa produção bibliográfica. Sua atuação como pesquisadora e professora estabeleceu uma produção intelectual que relaciona formação acadêmica, atividade científica, docência e publicação. Essa dimensão científica diferencia sua trajetória dentro do campo literário, ao aproximar produção acadêmica e criação editorial.


FRASE ASSOCIADA À AUTORA

    A Academia Goianiense de Letras registra como frase pela qual Marislei é conhecida. A formulação sintetiza uma perspectiva recorrente em sua trajetória, marcada pela valorização da educação, da sensibilidade e da capacidade de transformação humana.

“A boa vontade transforma pedra em pena, enquanto que a má vontade transforma pena em pedra.”


CONTEMPORANEIDADE

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como uma personalidade cuja atuação aproxima literatura, ciência, saúde, educação e participação institucional. Sua trajetória reúne a experiência da escritora à da pesquisadora e professora, demonstrando a possibilidade de diálogo entre produção literária e conhecimento científico. Como titular da Cadeira nº 3, de Cora Coralina, e presidente da Academia Goianiense de Letras no mandato 2025–2029, participa diretamente da preservação e da continuidade da memória literária goianiense. Sua extensa produção bibliográfica, a atividade científica e a atuação na promoção da leitura e da cultura fazem de Marislei uma presença ativa na vida intelectual contemporânea de Goiás. Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como escritora, pesquisadora e agente da cultura goiana em plena atividade.


FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Academia Goianiense de Letras – AGnL: Perfil oficial de Marislei Brasileiro (Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro). Fonte principal para dados biográficos, formação acadêmica, Cadeira nº 3, patrona Cora Coralina, títulos, distinções, características da produção literária e relação de obras.
  • Academia Goianiense de Letras – Diretoria Atual: Registro oficial da Diretoria e do Conselho Fiscal da AGnL para o mandato 2025–2029, identificando Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro como Presidente e titular da Cadeira nº 3.
  • Academia Goianiense de Letras – Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro: Fonte institucional para a homenagem que denomina a Biblioteca, deliberação da primeira Diretoria em 2006, produção superior a 40 livros, centenas de artigos científicos e atuação em ciência, educação, literatura e cultura.
  • Universidade Federal de Goiás – UFG: Documentação acadêmica complementar utilizada para conferência do nome e da trajetória acadêmico-científica.
  • Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN: Documentação institucional complementar relacionada à atuação docente e à produção acadêmica.


P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS
Literatura, memória e cultura em construção.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ALFABETO LITERÁRIO - H

 

Alfabeto Literário - H

História - Memória que conta o tempo


    Assim  caminha a humanidade, cantou Lulu Santos(1994). A memória que conta o tempo marca o início da nossa História, tudo antes, aproximadamente três milhões e trezentos mil anos, foi pré. Quem conta um conto, que aumente um ponto - uma palavra, uma frase, uma linha inteira; escreva! Esse é o grande marco da evolução histórica, a escrita traz até nós, nossa humanidade e, por certo, assim caminhamos, às vezes a favor do tempo, às vezes contra o tempo.

    Penso ser contra o tempo tudo aquilo que leva ao retrocesso, promovido em geral por pensamentos retrógrados. Ninguém segura a roda do progresso, que tipo de ABS conseguiria segurar as turbinas que movimentam a nossa Atualidade.

    Nessa música, Lulu Santos salvou, sem usar o salvar como uma memória do nosso tempo, do tempo neste continental país chamado Brasil. Pode-se dizer que a canção melodiosa brinca com a juventude, o amor e capta o zeitgeist , o espírito do tempo, era década de 90, redemocratização, em alta velocidade o que era antigo cede ao novo, a conexão discada já ia morro abaixo, de CP500 a Laptops, globalização! Bauman, o sociólogo da modernidade líquida, as relações humanas fragmentando, as certezas históricas ruindo e um pouco de carpe diem, naquela urgência existencial. Porque amadurecer dói.

    Assim caminha a humanidade - passos de formiga - ele, Lulu Santos falava de sentimentos, expressava o lugar da maturidade, progresso social e o coração, humanos por natureza, a formigar por aí - tanto mais que se queira crescer rápido, os passos jovens são formigantes, não alcanças grandes passadas, grandes velocidades. 

    Talvez, um pouco, para alguns muito, de repente os pensamentos ficaram a vadiar, se enroscaram em redemoinhos de Saci. Nosso gigantesco país e suas incontáveis preciosidades e diversidades entraram para a modernidade globalizada, nós também, entretanto o eu-lírico, o indivíduo sofre junto ao amadurecimento inevitável da vida adulta. Vai levar um tempo pra fecha o que feriu por dentro... 

    A tecnologia bateu à porta, e como cavalo arriado não passa duas vezes, nossa UFG tomou para si o referencial brasileiro em inteligência artificial, deixando na garupa outras grandes universidades nacionais. em contrapartida a urgência do tempo, trouxe consigo a SPA (o pensamento acelerado, a urgência exagerada e o conflito de ritmos), Burnout (numa marcha compulsiva, sem desejo, propósito ou vontade) e autoimunes (resistência interna e autodestruição pelo ritmo voraz, uma revolta do próprio corpo na tentativa de frear o sistema).

    Tempus fugit - a memória é capaz de congelar o tempo para que lá no futuro possamos visitar o passado, examinando-o com os olhos de um novo presente, motivo pelo qual a história conta o tempo pouco se importando se Chronos - a devorar nossos dias, ou se kairós - a abençoar momentos oportuno, tempos de graça e decisão.

    Enfim, História que conta o tempo, que é memória, movimento e escolha, essa história de prosa e poesia, literatura que conta ao tempo que também nos encanta.

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Autores e obras

[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL. Site da autora:
[2] imagem 8h:pgeditora58078477000170
[3]Lulu Santos. Assim caminha a humanidade. Album de vinil, 1994. a música: Assim caminha a humanidade ( ainda vai levar um tempo/pra fecha o que feriu por dentro/natural que seja assim/tanto pra você quanto pra mim./ ainda leva  uma cara/ pra gente poder dar risada/assim caminha a humanidade/com passos de formiga e sem vontade/ não vou dizer que foi ruim/também não foi tão bom assim/não imagine que te quero mal/apenas não te quero mais).
[4] The Human Past. 5. ed. Londres: Thames & Hudson, 2020.

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