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sábado, 25 de julho de 2026

Cora Coralina

P.G GALERIA – LEGADO
CORA CORALINA


Dados Biográficos

Nome civil completo: Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas
Nome literário: Cora Coralina
Nascimento: 20 de agosto de 1889
Naturalidade: Cidade de Goiás (GO)
Falecimento: 10 de abril de 1985, Goiânia (GO)

Cora Coralina nasceu na Casa Velha da Ponte, às margens do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, antiga Vila Boa de Goiás. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacinta Luísa do Couto Brandão, começou a escrever ainda adolescente e adotou o pseudônimo pelo qual se tornaria reconhecida nacionalmente.[1] Casou-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas e deixou Goiás no início da década de 1910. Viveu aproximadamente 45 anos fora de sua cidade natal e retornou definitivamente à Cidade de Goiás em 1956. [2]


Formação

Cora Coralina teve escolarização formal restrita, tendo cursado apenas os primeiros anos do ensino primário. Registros biográficos institucionais informam que estudou até a terceira série do curso primário. Sua formação intelectual desenvolveu-se sobretudo por meio da leitura, da escrita, da experiência cotidiana e da participação na vida cultural e literária. Começou a escrever ainda adolescente e teve textos publicados em periódicos antes da edição de seu primeiro livro.[1]


Trajetória Profissional e Literária

Poeta, contista, cronista e autora de literatura destinada também ao público infantil, Cora Coralina conciliou a atividade literária com diferentes trabalhos ao longo da vida. Sua figura pública ficou particularmente associada ao ofício de doceira, atividade exercida na Casa Velha da Ponte após seu retorno à Cidade de Goiás. Começou a escrever por volta dos 14 anos. Entre seus primeiros textos encontra-se o conto Tragédia na RoçaSeu primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, foi publicado em 1965, quando a escritora já estava na maturidade. Seguiram-se Meu Livro de Cordel e Vintém de cobre – meias confissões de Aninha. Parte de sua produção permaneceu inédita durante sua vida e foi posteriormente organizada e publicada.[3][4] Sua escrita incorporou a Cidade de Goiás, os becos, o Rio Vermelho, a Casa Velha da Ponte, trabalhadores, mulheres, crianças, personagens socialmente marginalizados, memória familiar, culinária, religiosidade, desigualdade social e experiências do cotidiano como matéria literária.


Obras e Produção Bibliográfica

A bibliografia de Cora Coralina exige distinção entre os livros publicados durante sua vida, as publicações póstumas provenientes de seu acervo e os volumes posteriores constituídos por seleção, reorganização ou edição autônoma de seus textos.[3][4][5]

Livros publicados em vida

Poemas dos becos de Goiás e estórias mais — 1965.
Meu Livro de Cordel — 1976.
Vintém de cobre – meias confissões de Aninha — 1983.[3][4]

Esses três títulos constituem o núcleo de livros publicados por Cora Coralina em vida identificado nas fontes bibliográficas e institucionais consultadas.

Obras póstumas e publicações provenientes do acervo

Estórias da Casa Velha da Ponte — 1985.
Os meninos verdes — 1986.
A moeda de ouro que um pato engoliu — 1987.
O tesouro da Casa Velha — publicação póstuma.
Villa Boa de Goyaz — 2001.
O prato azul-pombinho — edição autônoma, 2001.
Poema do milho — edição autônoma posterior.
As cocadas — edição autônoma, 2007.
Doceira e poeta — 2009.
A menina, o cofrinho e a vovó — 2009.
Contas de dividir e trinta e seis bolos — 2011.[3][5]

A preservação do acervo da escritora após sua morte possibilitou a edição de textos inéditos e novas configurações editoriais de sua produção.[5]

Seleções e livros derivados da obra

Melhores Poemas Cora Coralina — seleção de Darcy França Denófrio.
Faz de conto.
Pé de poesia.
Caminho da poesia.
Conto com você.
Um fio de prosa.
Pois é, poesia.
Traço de poeta.
Prosas urbanas.
Lembranças de Aninha.
De medos e assombrações.
Antiguidades.[3]

O catálogo editorial registra ainda traduções, reedições e outras configurações da produção de Cora Coralina.[3]

Observação bibliográfica

Nem todos os volumes publicados após a morte de Cora Coralina correspondem a obras concebidas originalmente como livros independentes. Há títulos resultantes de seleção, reorganização, publicação póstuma ou edição autônoma de textos já pertencentes à produção da autora. Por essa razão, a P.G Galeria distingue obra originalmente publicada, publicação póstuma, seleção e edição autônoma, evitando transformar automaticamente o número de volumes editoriais existentes no número de obras independentes produzidas pela escritora.


Academias e Instituições Literárias

Academia Goiana de Letras

Cora Coralina integrou a Academia Goiana de Letras, ocupando a Cadeira nº 38.[6] Sua participação na instituição deve ser diferenciada das inúmeras instituições culturais, acadêmicas e literárias que posteriormente passaram a preservar, pesquisar, divulgar ou homenagear sua obra.

Museu Casa de Cora Coralina

A Casa Velha da Ponte, residência histórica da escritora na Cidade de Goiás, abriga o Museu Casa de Cora Coralina, instituição dedicada à preservação e à difusão de sua memória, documentação e produção literária. O acervo preservado também se tornou fonte para pesquisas e publicações póstumas.[5]


Premiações, Títulos e Distinções

Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano

Em 1983, Cora Coralina recebeu o Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores. A distinção marcou o reconhecimento alcançado pela escritora no cenário literário nacional.[6]

Doutora Honoris Causa: Em 1983, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás, em reconhecimento à sua contribuição à literatura e à cultura.[7]  Ao longo de sua trajetória e, especialmente, após sua consagração nacional, Cora Coralina recebeu outras homenagens. A P.G Galeria individualiza como premiações e distinções apenas aquelas para as quais seja possível estabelecer documentação verificável quanto à denominação e à instituição concedente.


Produção Crítica e Pesquisa sobre a Obra

A obra de Cora Coralina possui extensa fortuna crítica e permanece objeto de pesquisas nas áreas de Literatura, História, Educação, Estudos de Gênero, Patrimônio, Memória, Museologia e Cultura. Sua produção tem sido analisada sob diferentes perspectivas, entre elas memória, identidade, representação feminina, cotidiano, espaço urbano, patrimônio, regionalidade e construção da autoria. A publicação de Melhores Poemas Cora Coralina, com seleção de Darcy França Denófrio, integra o processo de organização e circulação crítica de sua poesia.[3][8]  A preservação de seu arquivo pessoal e a transformação da Casa Velha da Ponte em espaço museológico ampliaram também as possibilidades de investigação sobre sua trajetória, seus processos de criação, sua memória literária e a circulação póstuma de sua obra.[5][8]


Legado

Cora Coralina ultrapassou os limites da literatura regional e consolidou-se como uma das vozes reconhecidas da literatura brasileira do século XX. Sua obra converteu a experiência cotidiana da Cidade de Goiás em matéria poética de alcance amplo. Becos, casas antigas, lavadeiras, mulheres, trabalhadores, crianças, pessoas socialmente marginalizadas, doces, rios, memórias familiares e transformações urbanas adquiriram dimensão literária em sua escrita. O reconhecimento alcançado sobretudo nas últimas décadas de sua vida ampliou-se após sua morte. A preservação da Casa Velha da Ponte, as publicações póstumas, as novas edições, a produção acadêmica e a permanência de seus livros em circulação mantêm viva sua presença na cultura brasileira. Sua trajetória possui ainda particular importância para a história das mulheres escritoras brasileiras. Com escolarização formal limitada e distante durante grande parte da vida dos principais centros de consagração literária, publicou seu primeiro livro na maturidade e alcançou reconhecimento nacional sem abandonar a memória, a linguagem, os espaços e os personagens relacionados à sua experiência social e à história de Goiás.


Texto Curatorial

Cora Coralina integra a P.G Galeria – Legado como uma das vozes fundamentais da literatura de Goiás e uma autora de projeção nacional. Nascida às margens do Rio Vermelho, transformou a Cidade de Goiás, seus becos, suas mulheres, seus trabalhadores, suas crianças, seus marginalizados, seus afetos e suas memórias em matéria literária. Poeta, contista, cronista e doceira, publicou seu primeiro livro apenas na maturidade e construiu uma escrita marcada pela experiência, pela memória e pela atenção aos sujeitos frequentemente afastados do centro da narrativa histórica. O reconhecimento nacional, o Prêmio Juca Pato, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás, a preservação da Casa Velha da Ponte e a contínua publicação e pesquisa de sua obra confirmam a permanência de Cora Coralina como patrimônio da literatura e da memória cultural brasileira.


Fontes de Pesquisa e Validação

[1] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. Secretaria de Estado da Cultura. Governo de Goiás lança Vinhetas do Ano Cora CoralinaAcessar fonte 1 
[2] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. Secretaria de Estado da Cultura. A “senhora de poderosas palavras” é homenageada no Fica 2013.  Acessar fonte 2
[3] GRUPO EDITORIAL GLOBAL. Cora Coralina — Biografia e catálogo editorial.  Acessar fonte 3
[4] INSTITUTE OF LANGUAGES, CULTURES AND SOCIETIES. Centre for the Study of Contemporary Women’s Writing. Cora Coralina.  Acessar fonte 4
[5] INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS – IBRAM. Literatura é coisa de museu. Revista Musas, n. 6. Acessar fonte 5
[6] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Registro sobre escritores vinculados à formação da identidade literária de Goiás.  Acessar fonte 6
[7] MULTIRIO. Escola e creche municipais têm nome em homenagem à poetisa Cora Coralina.  Acessar fonte 7
[8] SCIELO. A economia simbólica dos acervos literários: itinerários de produção da crença em Cora Coralina. Acessar fonte 8


Classificação na P.G Galeria

Categoria: Legado
Período literário: Literatura brasileira do século XX
Gêneros: Poesia, conto, crônica, prosa memorialística e literatura infantojuvenil
Palavras-chave: Cora Coralina, Cidade de Goiás, Goiás, memória, mulheres, cotidiano, identidade, Rio Vermelho, patrimônio cultural, poesia brasileira, literatura goiana.

Hugo de Carvalho Ramos

👤 Dados Biográficos

Nome completo: Hugo de Carvalho Ramos

Nascimento: 21 de maio de 1895

Naturalidade: Vila Boa de Goiás (atual Cidade de Goiás – GO)

Falecimento: 19 de maio de 1921, Rio de Janeiro (RJ)


🎓 Formação

Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde desenvolveu intensa atividade intelectual e literária. Embora sua carreira tenha sido interrompida precocemente, destacou-se como um dos principais representantes do regionalismo brasileiro do início do século XX.


💼 Trajetória Profissional

Escritor, contista e cronista.

Sua obra retrata o universo do sertão goiano, valorizando a cultura regional, os costumes, a linguagem e os conflitos humanos do interior de Goiás.

É considerado um dos pioneiros da literatura regionalista goiana e um dos primeiros autores a projetar a literatura produzida em Goiás no cenário nacional.


📚 Obras Publicadas

  • 1917Tropas e Boiadas. Rio de Janeiro.

(Obra clássica da literatura regionalista brasileira.)

Também publicou contos, crônicas e textos em jornais e revistas da época, posteriormente reunidos em edições póstumas.


🏆 Premiações e Reconhecimentos

  • Patrono de cadeira da Academia Goiana de Letras.
  • Reconhecido como precursor do regionalismo literário em Goiás.
  • Considerado um dos mais importantes escritores da literatura goiana.
  • Sua obra integra estudos acadêmicos sobre o regionalismo brasileiro.

🏛️ Academias e Instituições Literárias

  • Patrono de cadeira da Academia Goiana de Letras.
  • Patrono de cadeira em academias literárias do Estado de Goiás.

🕰️ Legado

Hugo de Carvalho Ramos ocupa posição central na formação da identidade literária goiana. Em Tropas e Boiadas, transformou o sertão goiano em matéria literária de alto valor estético, registrando personagens, paisagens, falares e modos de vida que se tornaram referência para gerações posteriores.

Sua produção influenciou escritores regionalistas e permanece como leitura fundamental para o estudo da literatura goiana e brasileira.


📖 Fontes consultadas

  • Academia Goiana de Letras
  • Academia Brasileira de Letras
  • Enciclopédias e estudos sobre literatura brasileira e regionalismo.
  • Edições de Tropas e Boiadas.

Classificação na P.G Galeria

Categoria: Escritores do Legado

Período literário: Pré-Modernismo / Regionalismo

Gêneros: Conto, Crônica e Prosa Regionalista

Palavras-chave: Regionalismo, Sertão Goiano, Literatura Goiana, Pré-Modernismo, Cultura Goiana.

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