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sábado, 25 de julho de 2026

Cora Coralina

P.G GALERIA – LEGADO
CORA CORALINA


Dados Biográficos

Nome civil completo: Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas
Nome literário: Cora Coralina
Nascimento: 20 de agosto de 1889
Naturalidade: Cidade de Goiás (GO)
Falecimento: 10 de abril de 1985, Goiânia (GO)

Cora Coralina nasceu na Casa Velha da Ponte, às margens do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, antiga Vila Boa de Goiás. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e Jacinta Luísa do Couto Brandão, começou a escrever ainda adolescente e adotou o pseudônimo pelo qual se tornaria reconhecida nacionalmente.[1] Casou-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas e deixou Goiás no início da década de 1910. Viveu aproximadamente 45 anos fora de sua cidade natal e retornou definitivamente à Cidade de Goiás em 1956. [2]


Formação

Cora Coralina teve escolarização formal restrita, tendo cursado apenas os primeiros anos do ensino primário. Registros biográficos institucionais informam que estudou até a terceira série do curso primário. Sua formação intelectual desenvolveu-se sobretudo por meio da leitura, da escrita, da experiência cotidiana e da participação na vida cultural e literária. Começou a escrever ainda adolescente e teve textos publicados em periódicos antes da edição de seu primeiro livro.[1]


Trajetória Profissional e Literária

Poeta, contista, cronista e autora de literatura destinada também ao público infantil, Cora Coralina conciliou a atividade literária com diferentes trabalhos ao longo da vida. Sua figura pública ficou particularmente associada ao ofício de doceira, atividade exercida na Casa Velha da Ponte após seu retorno à Cidade de Goiás. Começou a escrever por volta dos 14 anos. Entre seus primeiros textos encontra-se o conto Tragédia na RoçaSeu primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, foi publicado em 1965, quando a escritora já estava na maturidade. Seguiram-se Meu Livro de Cordel e Vintém de cobre – meias confissões de Aninha. Parte de sua produção permaneceu inédita durante sua vida e foi posteriormente organizada e publicada.[3][4] Sua escrita incorporou a Cidade de Goiás, os becos, o Rio Vermelho, a Casa Velha da Ponte, trabalhadores, mulheres, crianças, personagens socialmente marginalizados, memória familiar, culinária, religiosidade, desigualdade social e experiências do cotidiano como matéria literária.


Obras e Produção Bibliográfica

A bibliografia de Cora Coralina exige distinção entre os livros publicados durante sua vida, as publicações póstumas provenientes de seu acervo e os volumes posteriores constituídos por seleção, reorganização ou edição autônoma de seus textos.[3][4][5]

Livros publicados em vida

Poemas dos becos de Goiás e estórias mais — 1965.
Meu Livro de Cordel — 1976.
Vintém de cobre – meias confissões de Aninha — 1983.[3][4]

Esses três títulos constituem o núcleo de livros publicados por Cora Coralina em vida identificado nas fontes bibliográficas e institucionais consultadas.

Obras póstumas e publicações provenientes do acervo

Estórias da Casa Velha da Ponte — 1985.
Os meninos verdes — 1986.
A moeda de ouro que um pato engoliu — 1987.
O tesouro da Casa Velha — publicação póstuma.
Villa Boa de Goyaz — 2001.
O prato azul-pombinho — edição autônoma, 2001.
Poema do milho — edição autônoma posterior.
As cocadas — edição autônoma, 2007.
Doceira e poeta — 2009.
A menina, o cofrinho e a vovó — 2009.
Contas de dividir e trinta e seis bolos — 2011.[3][5]

A preservação do acervo da escritora após sua morte possibilitou a edição de textos inéditos e novas configurações editoriais de sua produção.[5]

Seleções e livros derivados da obra

Melhores Poemas Cora Coralina — seleção de Darcy França Denófrio.
Faz de conto.
Pé de poesia.
Caminho da poesia.
Conto com você.
Um fio de prosa.
Pois é, poesia.
Traço de poeta.
Prosas urbanas.
Lembranças de Aninha.
De medos e assombrações.
Antiguidades.[3]

O catálogo editorial registra ainda traduções, reedições e outras configurações da produção de Cora Coralina.[3]

Observação bibliográfica

Nem todos os volumes publicados após a morte de Cora Coralina correspondem a obras concebidas originalmente como livros independentes. Há títulos resultantes de seleção, reorganização, publicação póstuma ou edição autônoma de textos já pertencentes à produção da autora. Por essa razão, a P.G Galeria distingue obra originalmente publicada, publicação póstuma, seleção e edição autônoma, evitando transformar automaticamente o número de volumes editoriais existentes no número de obras independentes produzidas pela escritora.


Academias e Instituições Literárias

Academia Goiana de Letras

Cora Coralina integrou a Academia Goiana de Letras, ocupando a Cadeira nº 38.[6] Sua participação na instituição deve ser diferenciada das inúmeras instituições culturais, acadêmicas e literárias que posteriormente passaram a preservar, pesquisar, divulgar ou homenagear sua obra.

Museu Casa de Cora Coralina

A Casa Velha da Ponte, residência histórica da escritora na Cidade de Goiás, abriga o Museu Casa de Cora Coralina, instituição dedicada à preservação e à difusão de sua memória, documentação e produção literária. O acervo preservado também se tornou fonte para pesquisas e publicações póstumas.[5]


Premiações, Títulos e Distinções

Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano

Em 1983, Cora Coralina recebeu o Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores. A distinção marcou o reconhecimento alcançado pela escritora no cenário literário nacional.[6]

Doutora Honoris Causa: Em 1983, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás, em reconhecimento à sua contribuição à literatura e à cultura.[7]  Ao longo de sua trajetória e, especialmente, após sua consagração nacional, Cora Coralina recebeu outras homenagens. A P.G Galeria individualiza como premiações e distinções apenas aquelas para as quais seja possível estabelecer documentação verificável quanto à denominação e à instituição concedente.


Produção Crítica e Pesquisa sobre a Obra

A obra de Cora Coralina possui extensa fortuna crítica e permanece objeto de pesquisas nas áreas de Literatura, História, Educação, Estudos de Gênero, Patrimônio, Memória, Museologia e Cultura. Sua produção tem sido analisada sob diferentes perspectivas, entre elas memória, identidade, representação feminina, cotidiano, espaço urbano, patrimônio, regionalidade e construção da autoria. A publicação de Melhores Poemas Cora Coralina, com seleção de Darcy França Denófrio, integra o processo de organização e circulação crítica de sua poesia.[3][8]  A preservação de seu arquivo pessoal e a transformação da Casa Velha da Ponte em espaço museológico ampliaram também as possibilidades de investigação sobre sua trajetória, seus processos de criação, sua memória literária e a circulação póstuma de sua obra.[5][8]


Legado

Cora Coralina ultrapassou os limites da literatura regional e consolidou-se como uma das vozes reconhecidas da literatura brasileira do século XX. Sua obra converteu a experiência cotidiana da Cidade de Goiás em matéria poética de alcance amplo. Becos, casas antigas, lavadeiras, mulheres, trabalhadores, crianças, pessoas socialmente marginalizadas, doces, rios, memórias familiares e transformações urbanas adquiriram dimensão literária em sua escrita. O reconhecimento alcançado sobretudo nas últimas décadas de sua vida ampliou-se após sua morte. A preservação da Casa Velha da Ponte, as publicações póstumas, as novas edições, a produção acadêmica e a permanência de seus livros em circulação mantêm viva sua presença na cultura brasileira. Sua trajetória possui ainda particular importância para a história das mulheres escritoras brasileiras. Com escolarização formal limitada e distante durante grande parte da vida dos principais centros de consagração literária, publicou seu primeiro livro na maturidade e alcançou reconhecimento nacional sem abandonar a memória, a linguagem, os espaços e os personagens relacionados à sua experiência social e à história de Goiás.


Texto Curatorial

Cora Coralina integra a P.G Galeria – Legado como uma das vozes fundamentais da literatura de Goiás e uma autora de projeção nacional. Nascida às margens do Rio Vermelho, transformou a Cidade de Goiás, seus becos, suas mulheres, seus trabalhadores, suas crianças, seus marginalizados, seus afetos e suas memórias em matéria literária. Poeta, contista, cronista e doceira, publicou seu primeiro livro apenas na maturidade e construiu uma escrita marcada pela experiência, pela memória e pela atenção aos sujeitos frequentemente afastados do centro da narrativa histórica. O reconhecimento nacional, o Prêmio Juca Pato, o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás, a preservação da Casa Velha da Ponte e a contínua publicação e pesquisa de sua obra confirmam a permanência de Cora Coralina como patrimônio da literatura e da memória cultural brasileira.


Fontes de Pesquisa e Validação

[1] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. Secretaria de Estado da Cultura. Governo de Goiás lança Vinhetas do Ano Cora CoralinaAcessar fonte 1 
[2] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. Secretaria de Estado da Cultura. A “senhora de poderosas palavras” é homenageada no Fica 2013.  Acessar fonte 2
[3] GRUPO EDITORIAL GLOBAL. Cora Coralina — Biografia e catálogo editorial.  Acessar fonte 3
[4] INSTITUTE OF LANGUAGES, CULTURES AND SOCIETIES. Centre for the Study of Contemporary Women’s Writing. Cora Coralina.  Acessar fonte 4
[5] INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS – IBRAM. Literatura é coisa de museu. Revista Musas, n. 6. Acessar fonte 5
[6] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Registro sobre escritores vinculados à formação da identidade literária de Goiás.  Acessar fonte 6
[7] MULTIRIO. Escola e creche municipais têm nome em homenagem à poetisa Cora Coralina.  Acessar fonte 7
[8] SCIELO. A economia simbólica dos acervos literários: itinerários de produção da crença em Cora Coralina. Acessar fonte 8


Classificação na P.G Galeria

Categoria: Legado
Período literário: Literatura brasileira do século XX
Gêneros: Poesia, conto, crônica, prosa memorialística e literatura infantojuvenil
Palavras-chave: Cora Coralina, Cidade de Goiás, Goiás, memória, mulheres, cotidiano, identidade, Rio Vermelho, patrimônio cultural, poesia brasileira, literatura goiana.

Afonso Félix de Sousa

P.G. GALERIA – LEGADO

DADOS BIOGRÁFICOS

  • Nome literário: Afonso Félix de Sousa
  • Nascimento: 5 de julho de 1925
  • Naturalidade: Jaraguá, Goiás, Brasil
  • Falecimento: 7 de setembro de 2002
  • Local de falecimento: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

    Afonso Félix de Sousa foi poeta, escritor, jornalista e tradutor. Estreou em livro com O Túnel, publicado em 1948, e construiu uma produção literária composta por 18 livros.

FORMAÇÃO

    Realizou seus primeiros estudos em Goiás. Em 1953, recebeu bolsa de estudos para especialização em Economia na École Pratique des Hautes Études, em Paris, instituição vinculada ao ambiente acadêmico da Sorbonne.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

    Afonso Félix de Sousa conciliou a atividade literária com o jornalismo, a tradução e a atuação profissional como economista e funcionário do Banco do Brasil. Exerceu funções relacionadas ao comércio exterior e atuou na representação brasileira em Beirute, no Líbano. Paralelamente, colaborou com jornais, revistas e suplementos literários. Em 1946, participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores – Seção Goiás, contribuindo diretamente para a organização institucional da literatura produzida no estado. Também integrou o grupo fundador da Associação Nacional de Escritores.

OBRAS PUBLICADAS

    Sua produção literária totaliza 18 livros. Entre suas principais obras estão:

  • O Túnel, 1948
  • Do Sonho e da Esfinge, 1950
  • O Amoroso e a Terra, 1953
  • O Memorial do Errante, 1956
  • Íntima Parábola, 1960
  • Nova Antologia Poética, 1991
  • Chamados e Escolhidos, 2001

    As obras Do Sonho e da Esfinge, O Amoroso e a Terra, O Memorial do Errante e Íntima Parábola estão entre os títulos mais representativos de sua trajetória poética.

TRADUÇÕES

    Afonso Félix de Sousa também desenvolveu importante trabalho como tradutor de poesia, contribuindo para a circulação, em língua portuguesa, de autores da literatura universal. Entre os escritores traduzidos por ele estão:

  • Federico García Lorca
  • John Donne
  • François Villon
  • Giacomo Leopardi

    Sua atuação como tradutor ampliou o diálogo entre a poesia brasileira e diferentes tradições literárias europeias.

PREMIAÇÕES E RECONHECIMENTOS

  • Prêmio Nacional de Poesia Olavo Bilac
  • Prêmio de Poesia Álvares de Azevedo, da Academia Paulista de Letras
  • Prêmio Ribeiro Couto de Poesia
  • Prêmio de Literatura do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia
  • Prêmio Nacional de Poesia da Academia Brasileira de Letras, em 2002

    O reconhecimento concedido pela Academia Brasileira de Letras em 2002 consolidou seu nome entre as referências da poesia brasileira do século XX.

ACADEMIAS E INSTITUIÇÕES LITERÁRIAS

  • Participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores – Seção Goiás.
  • Foi um dos fundadores da Associação Nacional de Escritores.
  • É patrono da Cadeira nº 19 da Academia Goianiense de Letras.
  • A Cadeira nº 19 é atualmente ocupada por Luiz Cláudio Veiga Braga.

LEGADO

    Afonso Félix de Sousa ocupa lugar de destaque na literatura goiana e brasileira. Integrante da terceira geração modernista, também identificada como Geração de 45, desenvolveu uma poesia marcada pelo rigor formal, pela reflexão filosófica e pela investigação de temas ligados à existência, ao tempo, à memória, ao amor, à espiritualidade e à condição humana.

    Sua atuação ultrapassou a produção individual. Como tradutor e articulador cultural, participou da criação de instituições que contribuíram para a organização e a valorização dos escritores brasileiros. Ao projetar nacionalmente uma obra produzida a partir de suas raízes goianas, tornou-se referência para pesquisadores, leitores e gerações posteriores de escritores.

TEXTO CURATORIAL

    Afonso Félix de Sousa (1925–2002) ocupa lugar de destaque na poesia brasileira da Geração de 45. Sua obra combina refinamento estético, reflexão filosófica e profundo humanismo, conferindo projeção nacional à literatura goiana. Poeta, tradutor, jornalista e articulador cultural, contribuiu para a organização da vida literária brasileira e para a circulação de importantes autores universais em língua portuguesa. Patrono da Cadeira nº 19 da Academia Goianiense de Letras, permanece como referência da cultura e da poesia de Goiás.

CLASSIFICAÇÃO P.G. GALERIA

  • Categoria: Legado
  • Período literário: Terceira geração do Modernismo – Geração de 45
  • Movimento: Modernismo
  • Gêneros: Poesia, tradução, crônica e jornalismo
  • Temas predominantes: existência, tempo, memória, espiritualidade, amor, cultura e humanismo
  • Palavras-chave: Afonso Félix de Sousa, poesia goiana, Geração de 45, Modernismo, literatura brasileira, tradução, humanismo e cultura goiana

FONTES CONSULTADAS

  • Academia Goianiense de Letras
  • Academia Brasileira de Letras
  • Universidade Federal de Goiás
  • Secretaria de Estado da Educação de Goiás
  • Associação Nacional de Escritores
  • Obras publicadas de Afonso Félix de Sousa
  • Estudos especializados sobre a poesia goiana e a Geração de 45

Bernardo Élis

P.G GALERIA – LEGADO

BERNARDO ÉLIS 


Dados Biográficos

Nome civil completo: Bernardo Élis Fleury de Campos Curado
Nome literário: Bernardo Élis
Nascimento: 15 de novembro de 1915
Naturalidade: Corumbá de Goiás (GO)
Falecimento: 30 de novembro de 1997

Bernardo Élis nasceu em Corumbá de Goiás, filho do poeta Érico José Curado e de Marieta Fleury Curado. Recebeu do pai as primeiras lições e também o estímulo inicial para a literatura. Aos doze anos escreveu seu primeiro conto, inspirado em Assombramento, de Afonso Arinos. Há divergência entre fontes institucionais quanto ao local de seu falecimento. A Academia Brasileira de Letras registra Corumbá de Goiás, enquanto publicação da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás informa Goiânia. Por isso, a P.G Galeria mantém como dado seguro a data de 30 de novembro de 1997, sem fixar o local enquanto persistir a divergência documental. [1] [2]


Formação

Bernardo Élis iniciou os estudos em casa, orientado pelo pai. Em 1923 frequentou o Grupo Escolar na então capital do Estado. Posteriormente retornou a Corumbá de Goiás e, em 1928, mudou-se com a família para a Cidade de Goiás, onde cursou o ginásio no Liceu. Concluiu o curso clássico no Liceu de Goiânia em 1940. Formou-se em Direito em 1945, sendo orador de sua turma. Sua formação literária foi acompanhada por intensa atividade de leitura, com contato, entre outros autores, com Machado de Assis, Eça de Queirós e escritores modernistas. [1]


Trajetória Profissional e Acadêmica

Advogado, professor e escritor, Bernardo Élis iniciou sua atuação no serviço público em 1936, como escrivão da Delegacia de Polícia em Anápolis, e posteriormente exerceu a função de escrivão do cartório do crime de Corumbá. Transferiu-se para Goiânia em 1939 e foi nomeado secretário da Prefeitura Municipal, tendo exercido interinamente funções de prefeito em duas ocasiões. No magistério, foi professor da Escola Técnica de Goiânia e das redes estadual e municipal. Foi cofundador, vice-diretor e professor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás. Lecionou também Literatura na Universidade Católica de Goiás e posteriormente reassumiu atividades docentes na Universidade Federal de Goiás. Entre 1970 e 1978, atuou como assessor cultural do Escritório de Representação do Estado de Goiás no Rio de Janeiro. De 1978 a março de 1985, exerceu a função de diretor-adjunto do Instituto Nacional do Livro, em Brasília. Em 1986, foi nomeado membro do Conselho Federal de Cultura, permanecendo no órgão até sua extinção, em 1989. [1]


Trajetória Literária

Bernardo Élis participou ativamente da vida literária do Brasil Central desde a década de 1930, publicando poemas e textos de orientação modernista em jornais de Goiânia. Em 1942, tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro levando consigo originais de poesia e contos, mas retornou a Goiás sem publicá-los. Foi um dos fundadores da revista Oeste, na qual publicou o conto Nhola dos Anjos e a cheia de Corumbá. Em 1944 publicou Ermos e Gerais: contos goianos, pela Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, obra que lhe proporcionou projeção crítica nacional. [1] [3] Participou, em 1945, do I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo. Em 1953, promoveu o I Congresso de Literatura em Goiás. Sua ficção transformou o sertão e as relações sociais de Goiás em matéria literária, articulando linguagem popular, elaboração estética, conflitos fundiários, desigualdade, violência, relações de poder e experiências das populações do interior. Ermos e Gerais, O Tronco, Veranico de Janeiro e Chegou o Governador figuram entre os títulos centrais de sua produção. [1] [3] [4]


Obras e Produção Bibliográfica

A produção de Bernardo Élis abrange conto, romance, poesia, crônica, estudos históricos, ensaios, discursos e outros textos. [3] [4]

Contos

Ermos e Gerais: contos goianos — 1944.
Caminhos e Descaminhos — 1965.
Veranico de Janeiro — 1966; recebeu, ainda como original, o Prêmio José Lins do Rego em 1965. ³ ⁵
Caminhos dos Gerais — 1975.
André Louco — 1978.
Apenas um Violão — 1984. [3]

Romances e narrativa longa

O Tronco — 1956.
Chegou o Governador — 1987. [3]
A Terra e as Carabinas — produção ficcional posteriormente incorporada à Obra Reunida de Bernardo Élis[3]

Poesia

Primeira Chuva — 1955. [3]

Crônicas

Jeca Jica Jica Jeca — 1986. [3] [6]

Estudos, ensaios e outras publicações

Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional — 1973.
Goiás — 1976.
Vila-Boa de Goiás: aspectos turístico-históricos — 1979.
Os Enigmas de Bartolomeu Antônio Cordovil — 1980.
Goiás em Sol Maior — 1985. [3]

Discursos

Cadeira Um — 1983. [3]
Duo em Si Menor — 1983. [3]

Obra Reunida

Obra Reunida de Bernardo Élis — 1987, Coleção Alma de Goiás, José Olympio, em cinco volumes. A coleção reuniu contos, romances, crônicas, poesia, estudos, discursos e textos esparsos, incluindo Ermos e Gerais, Caminhos e Descaminhos, Veranico de Janeiro, O Tronco, A Terra e as Carabinas, Apenas um Violão, Chegou o Governador, Goiás em Sol Maior, Lucro e/ou Logro, Jeca Jica Jica Jeca, Os Enigmas de Bartolomeu Antônio Cordovil, Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional e Primeira Chuva[3]

Antologias e seleções

Presença Literária de Bernardo Élis — organização de Nelly Alves de Almeida, 1970.
Seleta de Bernardo Élis — organização de Gilberto Mendonça Teles, 1974.
Dez Contos Escolhidos — organização de Geraldo Vasconcelos, 1985.
Os Melhores Contos – Bernardo Élis — organização de Gilberto Mendonça Teles, 1996. [3]

Traduções

Ontem, como hoje, como amanhã, como depois foi publicado em inglês em Short Story International, em 1979, com tradução de Silas Curado. Domingo, três horas da tarde foi publicado em alemão em 1991, com tradução de Marianne Gareis. [3]

Observação bibliográfica

A bibliografia da Academia Brasileira de Letras apresenta um conjunto mais sintético de títulos, enquanto o levantamento acadêmico da Unicamp discrimina gêneros, edições, antologias, discursos, traduções e a Obra Reunida. A P.G Galeria adota o levantamento ampliado, preservando as distinções documentais entre obras autônomas, coletâneas, seleções e reunião posterior de textos. [3][4]


Academias e Instituições Literárias

Academia Brasileira de Letras

Bernardo Élis foi o quarto ocupante da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 23 de outubro de 1975, sucedendo Ivan Lins, e tomou posse em 10 de dezembro de 1975, sendo recebido por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. [1][7]

Associação Brasileira de Escritores

Participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores em Goiás e foi eleito presidente da entidade. [1]

Universidade Federal de Goiás

Foi cofundador, vice-diretor e professor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás e posteriormente exerceu atividades docentes na instituição. [1][6]

Universidade Católica de Goiás

Atuou como professor de Literatura na Universidade Católica de Goiás. [1]

Instituto Nacional do Livro

Exerceu a função de diretor adjunto do Instituto Nacional do Livro, em Brasília, entre 1978 e março de 1985. [1]

Conselho Federal de Cultura

Foi nomeado membro do Conselho Federal de Cultura em 1986, permanecendo na instituição até sua extinção, em 1989. ¹

Academia Goianiense de Letras

Bernardo Élis é patrono da Cadeira nº 1 da Academia Goianiense de Letras. [8]

AC-CLAM

A memória de Bernardo Élis integra o patrimônio cultural e literário preservado em Corumbá de Goiás, com reconhecimento no âmbito da AC-CLAM — Academia Corumbaense de Ciências, Letras, Artes e Música. A documentação consultada registra a preservação de sua memória pela instituição, não sendo utilizada para afirmar que Bernardo Élis tenha sido membro da Academia. [9]


Premiações, Títulos e Distinções

Prêmio José Lins do Rego — 1965
Recebeu o prêmio pelo original de Veranico de Janeiro[1][5]

Prêmio Jabuti — 1966
Recebeu o Prêmio Jabuti por Veranico de Janeiro[1][2]

Prêmio Afonso Arinos
Concedido pela Academia Brasileira de Letras por Caminhos e Descaminhos[1][5]

Prêmio Sesquicentenário da Independência — 1972
Distinção relacionada a Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional[1]

Fundação Cultural de Brasília — 1987
Premiação pelo conjunto de sua obra. [1][2]

Instituto de Artes e Cultura de Brasília
Recebeu medalha da instituição. [1][2]


Produção Crítica e Pesquisa sobre a Obra

A obra de Bernardo Élis possui extensa fortuna crítica e permanece objeto de estudos nas áreas de Literatura, História, Sociologia, Linguística, memória, regionalismo e estudos culturais. Sua produção é examinada especialmente pelas relações entre literatura e sociedade, representação do sertão, conflitos pela terra, violência, linguagem regional e processos históricos de Goiás. Na Universidade Federal de Goiás, a dissertação de Rogério Max Canedo Silva, Por essas estradas o homem voa nas asas de sua fantasia: História e ficção em Chegou o governador, de Bernardo Élis, analisa as relações entre história e ficção na obra. [10] A Unicamp registra documentação bibliográfica que permite acompanhar sua produção publicada, antologias, traduções e outros elementos de sua circulação literária. [3]


Legado

Bernardo Élis ocupa posição central na literatura de Goiás e na projeção nacional da narrativa produzida no Brasil Central. Com Ermos e Gerais, publicado em 1944, inseriu de maneira decisiva o sertão goiano no panorama da ficção brasileira moderna. Sua produção transformou conflitos sociais, violência, desigualdade, relações de poder, disputas pela terra, oralidade e modos de vida do interior em matéria literária de forte densidade crítica. [1][5] Sua escrita não se limitou à representação regional. O espaço goiano tornou-se instrumento para examinar relações humanas, estruturas sociais e processos históricos brasileiros, contribuindo para ampliar a presença do Centro-Oeste no panorama da literatura nacional. A eleição para a Academia Brasileira de Letras, em 1975, consolidou institucionalmente uma trajetória já reconhecida pela crítica e por importantes premiações literárias. A permanência de sua obra em pesquisas universitárias e estudos críticos confirma sua relevância para a literatura brasileira. [1][7][10]


Texto Curatorial

Bernardo Élis integra a P.G Galeria – Legado como um dos nomes fundamentais da literatura goiana e brasileira do século XX. Nascido em Corumbá de Goiás, transformou o sertão, seus conflitos, sua linguagem, suas desigualdades e seus personagens em literatura de elevada força estética e crítica social. Contista, romancista, poeta, professor e intelectual, projetou a experiência histórica e humana do Brasil Central para além das fronteiras regionais. Autor de Ermos e Gerais, O Tronco, Veranico de Janeiro e Chegou o Governador, recebeu importantes premiações e alcançou reconhecimento nacional. Sua eleição para a Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras consolidou uma trajetória fundamental para a literatura, a memória e a formação cultural de Goiás. [1][3][7]


Fontes de Pesquisa e Validação

[1] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Biografia. ABL — Biografia de Bernardo Élis
[2] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS — SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA. Entrevista com Bernardo Élis sobre adaptação de contos para o cinema. Secult Goiás — Bernardo Élis
[3] UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP. Remate de Males — Bibliografia de Bernardo Élis. Unicamp — Bibliografia de Bernardo Élis
[4] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Bibliografia. ABL — Bibliografia
[5] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Discurso de recepção a Bernardo Élis. ABL — Discurso de recepção
[6] UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Centro de Estudos Brasileiros. Bernardo Élis. UFG — Bernardo Élis
[7] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Cadeira nº 1. ABL — Perfil acadêmico
[8] ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS. Bernardo Élis — Patrono. Academia Goianiense de Letras — Bernardo Élis
[9] PORTAL CORUMBÁ DE GOIÁS. Arte e Cultura — AC-CLAM e patrimônio cultural de Corumbá de Goiás. Portal Corumbá de Goiás — AC-CLAM
[10] UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. SILVA, Rogério Max Canedo. Por essas estradas o homem voa nas asas de sua fantasia: História e ficção em Chegou o governador, de Bernardo Élis. Repositório UFG — Pesquisa sobre Bernardo Élis


Classificação na P.G Galeria

Categoria: Legado
Período literário: Literatura brasileira do século XX
Gêneros: Conto, romance, poesia, crônica, ensaio e produção histórico-cultural
Palavras-chave: Bernardo Élis, Goiás, Corumbá de Goiás, sertão, regionalismo, literatura goiana, literatura brasileira, Cerrado, conflitos sociais, memória, história e linguagem.

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