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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Marislei Espíndula Brasileiro

 P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS

Marislei Espíndula Brasileiro

Escritora | Enfermeira | Professora | Pesquisadora | Presidente da Academia Goianiense de Letras – AGnLTitular da Cadeira nº 3 | Patrona: Cora Coralina


DADOS BIOGRÁFICOS

  • Nome completo: Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro
  • Nome de apresentação institucional: Marislei Brasileiro
  • Nascimento: 27 de abril de 1969
  • Naturalidade: Cromínia, Goiás
  • Residência em Goiânia: desde os 7 anos de idade
  • Atuação: escritora, enfermeira, professora e pesquisadora
  • Academia: Academia Goianiense de Letras – AGnL
  • Cadeira: nº 3
  • Patrona: Cora Coralina
  • Função atual na AGnL: Presidente

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro nasceu em Cromínia, Goiás, em 27 de abril de 1969. Aos sete anos, mudou-se para Goiânia com os pais e as irmãs. Sua trajetória reúne literatura, saúde, educação, ciência e atuação institucional. Escritora desde a juventude, desenvolveu paralelamente uma sólida carreira acadêmica e profissional, construindo uma produção intelectual que transita entre diferentes áreas do conhecimento.


FORMAÇÃO ACADÊMICA

    Marislei possui formação multidisciplinar, com percurso acadêmico nas áreas da saúde, educação e religião. Essa formação contribui para uma produção intelectual caracterizada pelo diálogo entre ciência, saúde, educação, espiritualidade e literatura.

  • Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • Doutora em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás;
  • Mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG;
  • Especialista em Educação;
  • Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Goiás – UFG;
  • possui Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Goiás – UFG.



TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

    Marislei construiu carreira como enfermeira, professora, pesquisadora e autora. Sua atuação está relacionada à formação acadêmica e profissional, à pesquisa científica e à produção de conhecimento, especialmente em áreas vinculadas à saúde e à educação. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se à formação de profissionais, ao desenvolvimento da pesquisa científica, à produção intelectual e ao incentivo à leitura e à cultura. Sua experiência acadêmica e científica estabelece uma relação direta com sua produção editorial, fazendo com que sua bibliografia compreenda tanto obras literárias quanto livros de caráter técnico e científico.


TRAJETÓRIA LITERÁRIA

    A literatura integra a trajetória de Marislei desde a juventude. Sua escrita é caracterizada pela Academia Goianiense de Letras como multifacetada, transitando entre ciência e espiritualidade, saúde e educação, com presença do protagonismo feminino. A produção de Marislei aproxima conhecimento científico e expressão literária, permitindo que temas oriundos de sua formação e experiência profissional também se projetem em sua atividade como escritora. Ao longo da carreira, consolidou extensa produção bibliográfica, tornando-se autora de mais de 40 livros, além de centenas de trabalhos e artigos de natureza científica.


OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

    Sua bibliografia abrange literatura, saúde, educação, ciência e outros campos de reflexão e conhecimento.

  • O Poder das Memórias;
  • Madeleine, um passado em Paris;
  • A Joia da Galileia;
  • Leonardo Da Vinci, a alma de um gênio

ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS – AGnL

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro é Titular da Cadeira nº 3 da Academia Goianiense de Letras, cuja patrona é Cora Coralina. Integra a Diretoria da AGnL para o período 2025–2029 como Presidente da instituição. Sua atuação à frente da Academia está vinculada à valorização da literatura, ao fortalecimento da identidade cultural goiana, à preservação da memória e à ampliação do diálogo da instituição com a sociedade. A presença de Marislei na presidência da AGnL reúne dois aspectos centrais de sua trajetória: a produção intelectual e a atuação institucional em favor da literatura, da leitura e da cultura.

    Marislei é também fundadora e membro da Diretoria da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, instituição na qual ocupa a Cadeira nº 3. Sua participação nas duas academias amplia sua atuação institucional em favor da literatura, da memória, da cultura e da circulação do conhecimento em Goiás.

BIBLIOTECA DRA. MARISLEI ESPÍNDULA BRASILEIRO

    A Academia Goianiense de Letras mantém em sua sede a Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro. Segundo a própria AGnL, a denominação foi estabelecida por deliberação da primeira Diretoria da Academia, em 2006, como homenagem à trajetória de Marislei e à sua dedicação à ciência, à educação e às letras. A Biblioteca constitui espaço de preservação da memória, pesquisa, promoção do conhecimento, literatura e difusão cultural. Também abriga o Clube de Leitura da Academia Goianiense de Letras, destinado à realização de encontros, debates, estudos e reflexões sobre obras clássicas e contemporâneas. A existência de uma biblioteca institucional que leva seu nome constitui um registro relevante do reconhecimento de sua contribuição intelectual e cultural.


PRÊMIOS, TÍTULOS E DISTINÇÕES

    A Academia Goianiense de Letras registra oficialmente entre seus títulos e distinções. As distinções registram diferentes dimensões de sua atuação profissional, intelectual e social.

  • Comenda Berenice Artiaga — Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, 2005;
  • Título de Cidadã Goianiense — Câmara Municipal de Goiânia, 2010;
  • Diploma de Honra ao Mérito — Câmara Municipal de Goiânia, 2011;
  • 1º lugar no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios – Finalista Estadual – Microempreendedora — Sebrae, 2023.



PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PESQUISA

    A pesquisa científica constitui parte expressiva da trajetória de Marislei. A Academia Goianiense de Letras registra que a autora possui centenas de artigos científicos, além de extensa produção bibliográfica. Sua atuação como pesquisadora e professora estabeleceu uma produção intelectual que relaciona formação acadêmica, atividade científica, docência e publicação. Essa dimensão científica diferencia sua trajetória dentro do campo literário, ao aproximar produção acadêmica e criação editorial.


FRASE ASSOCIADA À AUTORA

    A Academia Goianiense de Letras registra como frase pela qual Marislei é conhecida. A formulação sintetiza uma perspectiva recorrente em sua trajetória, marcada pela valorização da educação, da sensibilidade e da capacidade de transformação humana.

“A boa vontade transforma pedra em pena, enquanto que a má vontade transforma pena em pedra.”


CONTEMPORANEIDADE

    Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como uma personalidade cuja atuação aproxima literatura, ciência, saúde, educação e participação institucional. Sua trajetória reúne a experiência da escritora à da pesquisadora e professora, demonstrando a possibilidade de diálogo entre produção literária e conhecimento científico. Como titular da Cadeira nº 3, de Cora Coralina, e presidente da Academia Goianiense de Letras no mandato 2025–2029, participa diretamente da preservação e da continuidade da memória literária goianiense. Sua extensa produção bibliográfica, a atividade científica e a atuação na promoção da leitura e da cultura fazem de Marislei uma presença ativa na vida intelectual contemporânea de Goiás. Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro integra a P.G Galeria – Contemporâneos como escritora, pesquisadora e agente da cultura goiana em plena atividade.


FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Academia Goianiense de Letras – AGnL: Perfil oficial de Marislei Brasileiro (Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro). Fonte principal para dados biográficos, formação acadêmica, Cadeira nº 3, patrona Cora Coralina, títulos, distinções, características da produção literária e relação de obras.
  • Academia Goianiense de Letras – Diretoria Atual: Registro oficial da Diretoria e do Conselho Fiscal da AGnL para o mandato 2025–2029, identificando Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro como Presidente e titular da Cadeira nº 3.
  • Academia Goianiense de Letras – Biblioteca Dra. Marislei Espíndula Brasileiro: Fonte institucional para a homenagem que denomina a Biblioteca, deliberação da primeira Diretoria em 2006, produção superior a 40 livros, centenas de artigos científicos e atuação em ciência, educação, literatura e cultura.
  • Universidade Federal de Goiás – UFG: Documentação acadêmica complementar utilizada para conferência do nome e da trajetória acadêmico-científica.
  • Centro Universitário Alfredo Nasser – UNIFAN: Documentação institucional complementar relacionada à atuação docente e à produção acadêmica.


P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS
Literatura, memória e cultura em construção.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

ALFABETO LITERÁRIO - H

 

Alfabeto Literário - H

História - Memória que conta o tempo


    Assim  caminha a humanidade, cantou Lulu Santos(1994). A memória que conta o tempo marca o início da nossa História, tudo antes, aproximadamente três milhões e trezentos mil anos, foi pré. Quem conta um conto, que aumente um ponto - uma palavra, uma frase, uma linha inteira; escreva! Esse é o grande marco da evolução histórica, a escrita traz até nós, nossa humanidade e, por certo, assim caminhamos, às vezes a favor do tempo, às vezes contra o tempo.

    Penso ser contra o tempo tudo aquilo que leva ao retrocesso, promovido em geral por pensamentos retrógrados. Ninguém segura a roda do progresso, que tipo de ABS conseguiria segurar as turbinas que movimentam a nossa Atualidade.

    Nessa música, Lulu Santos salvou, sem usar o salvar como uma memória do nosso tempo, do tempo neste continental país chamado Brasil. Pode-se dizer que a canção melodiosa brinca com a juventude, o amor e capta o zeitgeist , o espírito do tempo, era década de 90, redemocratização, em alta velocidade o que era antigo cede ao novo, a conexão discada já ia morro abaixo, de CP500 a Laptops, globalização! Bauman, o sociólogo da modernidade líquida, as relações humanas fragmentando, as certezas históricas ruindo e um pouco de carpe diem, naquela urgência existencial. Porque amadurecer dói.

    Assim caminha a humanidade - passos de formiga - ele, Lulu Santos falava de sentimentos, expressava o lugar da maturidade, progresso social e o coração, humanos por natureza, a formigar por aí - tanto mais que se queira crescer rápido, os passos jovens são formigantes, não alcanças grandes passadas, grandes velocidades. 

    Talvez, um pouco, para alguns muito, de repente os pensamentos ficaram a vadiar, se enroscaram em redemoinhos de Saci. Nosso gigantesco país e suas incontáveis preciosidades e diversidades entraram para a modernidade globalizada, nós também, entretanto o eu-lírico, o indivíduo sofre junto ao amadurecimento inevitável da vida adulta. Vai levar um tempo pra fecha o que feriu por dentro... 

    A tecnologia bateu à porta, e como cavalo arriado não passa duas vezes, nossa UFG tomou para si o referencial brasileiro em inteligência artificial, deixando na garupa outras grandes universidades nacionais. em contrapartida a urgência do tempo, trouxe consigo a SPA (o pensamento acelerado, a urgência exagerada e o conflito de ritmos), Burnout (numa marcha compulsiva, sem desejo, propósito ou vontade) e autoimunes (resistência interna e autodestruição pelo ritmo voraz, uma revolta do próprio corpo na tentativa de frear o sistema).

    Tempus fugit - a memória é capaz de congelar o tempo para que lá no futuro possamos visitar o passado, examinando-o com os olhos de um novo presente, motivo pelo qual a história conta o tempo pouco se importando se Chronos - a devorar nossos dias, ou se kairós - a abençoar momentos oportuno, tempos de graça e decisão.

    Enfim, História que conta o tempo, que é memória, movimento e escolha, essa história de prosa e poesia, literatura que conta ao tempo que também nos encanta.

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Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.



Autores e obras

[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL. Site da autora:
[2] imagem 8h:pgeditora58078477000170
[3]Lulu Santos. Assim caminha a humanidade. Album de vinil, 1994. a música: Assim caminha a humanidade ( ainda vai levar um tempo/pra fecha o que feriu por dentro/natural que seja assim/tanto pra você quanto pra mim./ ainda leva  uma cara/ pra gente poder dar risada/assim caminha a humanidade/com passos de formiga e sem vontade/ não vou dizer que foi ruim/também não foi tão bom assim/não imagine que te quero mal/apenas não te quero mais).
[4] The Human Past. 5. ed. Londres: Thames & Hudson, 2020.

domingo, 26 de julho de 2026

Alfabeto Literário - F

 

Alfabeto Literário - F 

FICÇÃO – O MUNDO INVENTADO

Vozes da literatura feminina - Brasil


 Conhecer para melhor entender, e assim escrever, 
comunicar e vivenciar um mundo melhor.

Por Patrícia.Gabriel

 

O verbete em si aceita ser criação imaginária; invenção, fantasia; gênero literário baseado na imaginação, cujos personagens, fatos e situações podem ou não ter relação com a realidade[1]. É ato ou efeito de fingir; criação imaginária; invenção literária em prosa ou verso que apresenta acontecimentos e personagens imaginários[2]. Se formos às origens do Latim fictio, derivado do verbo fingere, que significa moldar, formar ou criar, reforçando a ideia de construção imaginativa da realidade [3].

A ficção é uma das mais importantes manifestações da criatividade humana. Por meio dela, autores e autoras constroem universos capazes de transcender os limites da experiência cotidiana, criando personagens, cenários e acontecimentos que, embora imaginários, que podem ou não podem dialogar com a realidade. Mais do que simples entretenimento, a ficção constitui uma poderosa ferramenta de reflexão sobre a condição humana, os conflitos sociais, os sentimentos e os valores que moldam a existência.

Das narrativas míticas da Antiguidade aos nano contos contemporâneos, a ficção desempenha papel fundamental na preservação da memória cultural e na transmissão de conhecimentos. Ao inventar mundos possíveis, a literatura permite ao leitor experimentar outras perspectivas, desenvolver a empatia e ampliar sua compreensão da sociedade. Como observa Antônio Candido[4], a literatura atende a uma necessidade universal de fabulação, contribuindo para a formação humana e para o exercício da imaginação.

Brasil, brasileiro, Brasil Goiano, Brasil Mulher, escritoras nossas que deram vida nova à ficção:

Clarice Lispector  privilegia os movimentos da consciência e os conflitos interiores das personagens. Obras como A Hora da Estrela[5] e A Paixão Segundo G.H.[6] - a complexidade da existência humana, uma aventura dentro da subjetividade.

Lygia Fagundes Telles, a profundidade psicológica e a complexidade das relações humanas. Em obras como As Meninas[7] e Antes do Baile Verde[8], memória, identidade, liberdade e transformação, com personagens que permanecem vivas na imaginação dos leitores.

Conceição Evaristo incorpora as vivências da população negra e das mulheres periféricas. Em obras como Ponciá Vicêncio[9]e Olhos d’Água[10] a escrevivência demonstra que a ficção pode ser simultaneamente arte, memória e instrumento de resistência.

Nélida Piñon trouxe consigo a tradição histórica e mítica, explorou temas relacionados à imigração, à memória e à identidade cultural brasileira. A República dos Sonhos[11]e a formação da sociedade brasileira.

Ana Maria Gonçalves[12], Adriana Lisboa[13] e Martha Batalha[14] ampliaram os horizontes da ficção nacional com obras abordam raça, gênero, pertencimento e desigualdade social. A literatura provando-se capaz de apresentações críticas no mundo contemporâneo.

Rodriana Costa [15], autora do livro de contos Casulo da Borboleta reúne narrativas que exploram sentimentos, conflitos e transformações humanas, utilizando a metáfora do casulo como representação dos processos de mudança vividos pelos personagens. Nas palavras dela Mais ao casulo que às borboletas. Temas como solidão, escolhas, perdas e amadurecimento para mostrar a ficção pode transformar experiências cotidianas em narrativas significativas à complexidade da existência humana.

Jane Costa [16] em O Mundo Secreto de Álvaro. a importância da ficção para a visualização da realidade a infância como momento fundamental na formação de leitores desde a infância, e no aprendizado de valores que formarão consciências livres de discriminação e preconceito – Conhecer para melhor entender, e assim escrever, comunicar e vivenciar um mundo melhor.

A ficção se revela mais do que apenas da fantasia. Constitui-se, pois, em um encontro da imaginação e da realidade, propiciando ao leitor compreender melhor a si, ao outro e ao mundo que o cerca.

Na literatura brasileira feminina, esse mundo inventado ganha vozes múltiplas, perspectivas diversas e novas formas de narrar a experiência humana. Das reflexões existenciais de Clarice Lispector à escrevivência de Conceição Evaristo; das narrativas psicológicas de Lygia Fagundes Telles às histórias contemporâneas de Rodriana Costa e Jane Costa, a ficção reafirma seu papel como instrumento de conhecimento, sensibilidade, transformação e liberdade. Ler ficção é exercitar a capacidade humana de imaginar para compreender, criar para resistir e contar histórias para permanecer.


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Autores e obras

[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL. Site da autora:
[2] imagem 6f:pgeditora58078477000170
[3] MICHAELIS. *Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa*. São Paulo: Melhoramentos, 2015.
[4] [5] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. *Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa*. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
[6] CANDIDO, Antônio. **O direito à literatura**. In: CANDIDO, Antônio. *Vários escritos*. 4. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São Paulo: Duas Cidades, 2004. p. 169-191. Revista Prosa Verso e Arte.
[7] LISPECTOR, Clarice. *A Hora da Estrela*. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
[8] LISPECTOR, Clarice. *A Paixão Segundo G.H.* Rio de Janeiro: Rocco, 2009.
[9] TELLES, Lygia Fagundes. *As Meninas*. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2009.
[10] TELLES, Lygia Fagundes. *Antes do Baile Verde*. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
[11] EVARISTO, Conceição. *Ponciá Vicêncio*. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
[12] EVARISTO, Conceição. *Olhos d'Água*. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.
[13] PIÑON, Nélida. *A República dos Sonhos*. Rio de Janeiro: Record, 1984.
[14] GONÇALVES, Ana Maria. *Um Defeito de Cor*. Rio de Janeiro: Record, 2006.
[15] LISBOA, Adriana. *Sinfonia em Branco*. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
[16] BATALHA, Martha. *A Vida Invisível de Eurídice Gusmão*. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
[17]COSTA, Rodriana. *Casulo da Borboleta*. Goiânia, 2025.
[18]COSTA, Jane. *O Mundo Secreto de Álvaro*. Goiânia, 2025

sábado, 25 de julho de 2026

Gilberto Mendonça Teles

 

P.G Galeria – Legado

👤 Dados Biográficos

  • Nome completo: Gilberto Mendonça Teles
  • Nascimento: 30 de junho de 1931
  • Falecimento: 4 de dezembro de 2024
  • Naturalidade: Bela Vista de Goiás (GO), Brasil.


🎓 Formação

    Graduou-se em Letras Neolatinas pela Universidade Católica de Goiás e em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especializou-se em Língua Portuguesa na Universidade de Coimbra (Portugal), doutorou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e tornou-se livre-docente em Literatura Brasileira.


💼 Trajetória Profissional

    Poeta, ensaísta, crítico literário, professor universitário, tradutor e pesquisador, Gilberto Mendonça Teles foi um dos maiores intelectuais da literatura brasileira contemporânea. Participou da criação da Universidade Católica de Goiás e da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde fundou, em 1962, o Centro de Estudos Brasileiros (CEB). Lecionou também na Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Universidade de Brasília (UnB) e em universidades do exterior. Sua produção acadêmica tornou-se referência nos estudos da poesia brasileira, do Modernismo, da estilística e das vanguardas literárias.


📚 Obras Publicadas

    A produção bibliográfica de Gilberto Mendonça Teles ultrapassa uma centena de títulos entre poesia, crítica literária, teoria da literatura e ensaios. Entre suas principais obras destacam-se:

  • 1955 — Alvorada.
  • 1956 — Estrela-d'Alva.
  • 1972 — A Raiz da Fala.
  • 1979 — Retórica do Silêncio.
  • 1986 — Hora Aberta.
  • 1994 — Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro.

    Além dessas obras, publicou numerosos estudos dedicados à literatura brasileira, à poesia e à crítica literária.


🏆 Premiações e Reconhecimentos

  • • Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
  • • Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano, da União Brasileira de Escritores.
  • • Prêmio Jabuti.
  • • Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, concedida pelo Governo de Portugal.
  • • Diversas homenagens e distinções literárias nacionais e internacionais.


🏛️ Academias e Instituições Literárias

  • • Academia Goiana de Letras (AGL) – Ocupante da Cadeira nº 11.
  • • Academia Brasileira de Filosofia – Membro titular.
  • • Academia das Ciências de Lisboa – Acadêmico correspondente.
  • • Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) – Membro e ex-presidente.
  • • União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO) – Ex-presidente.


🕰️ Legado

    Gilberto Mendonça Teles ocupa lugar de destaque entre os maiores escritores da história de Goiás e da literatura brasileira. Sua obra poética, marcada pelo rigor estético e pela reflexão sobre a linguagem, dialoga com a tradição e a modernidade, enquanto seus estudos críticos transformaram-se em referências para pesquisadores, professores e escritores. Sua atuação como docente, ensaísta e pesquisador contribuiu decisivamente para a consolidação dos estudos literários em Goiás e para a projeção da cultura goiana no cenário nacional e internacional. Seu legado permanece vivo por meio de sua vasta produção intelectual e da influência exercida sobre gerações de leitores, escritores e estudiosos.


📖 Fontes consultadas

  • • Universidade Federal de Goiás (UFG).
  • • Academia Goiana de Letras (AGL).
  • • Academia Brasileira de Filosofia.
  • • Grupo Editorial Global.
  • • Obras do autor e bibliografia especializada.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Alfabeto Literário - D

Diálogo

O Diálogo em tempos de inteligência artificial - IA

Ponte entre ideias e pessoas

Alfabeto Literário - D


Desde que a humanidade descobriu o poder da palavra, dialogar tornou-se muito mais do que trocar informações: tornou-se um ato de reconhecimento. 

Quando escutamos alguém com atenção, validamos sua existência; quando falamos com respeito, construímos pontes. 
O diálogo sempre foi a ferramenta mais sofisticada da civilização. Entretanto, vivemos uma época curiosa. Conversamos menos entre nós e mais com as máquinas. Perguntamos, pedimos conselhos, escrevemos poemas, resolvemos problemas e até desabafamos com sistemas de Inteligência Artificial. Essa transformação não precisa ser vista como uma ameaça, mas como um convite para refletirmos sobre a maneira como nos comunicamos.
Há quem trate uma IA como se fosse uma pessoa. Há quem trate pessoas como se fossem máquinas. Nenhum dos extremos é saudável. A Inteligência Artificial responde, organiza ideias, amplia possibilidades e democratiza o acesso ao conhecimento. Ela pode ser uma excelente parceira de estudo, pesquisa, criação e inovação. Contudo, não substitui a experiência humana de olhar nos olhos, compreender silêncios, acolher emoções ou compartilhar afetos. Uma IA processa linguagem; seres humanos vivem histórias.
Curiosamente, a forma como dialogamos com a IA revela muito sobre nós mesmos. Quem formula perguntas claras costuma receber respostas mais consistentes. Quem escreve com gentileza frequentemente organiza melhor o próprio pensamento. Assim, conversar com uma inteligência artificial também pode ser um exercício de clareza, empatia e reflexão.

Mas há um cuidado indispensável: não permitir que a facilidade tecnológica substitua a profundidade das relações humanas. O risco não está na IA falar conosco; ele existe em deixarmos de conversar uns com os outros, pessoa a pessoa. Nenhum algoritmo pode substituir um abraço, uma conversa entre amigos, um debate respeitoso ou o silêncio compartilhado entre pessoas que se compreendem.

O filósofo Martin Buber[3] afirmava que a verdadeira existência acontece no encontro entre o "Eu" e o "Tu". Esse encontro exige presença, abertura e reciprocidade. 

Paulo Freire[4] também nos ensinou que o diálogo é um ato de amor, humildade e esperança. Dialogar não é vencer uma discussão, mas criar possibilidades para compreender o outro. Talvez essa seja a maior lição para a era digital: utilizar a tecnologia para aproximar pessoas, jamais para substituí-las.
O futuro não será decidido pela Inteligência Artificial, mas pela inteligência humana ao utilizá-la com ética, responsabilidade e sensibilidade. Quanto mais avançam as máquinas, maior deve ser nossa capacidade de ouvir, acolher, questionar e dialogar.
No fim das contas, a tecnologia evolui rapidamente, mas continua sendo a conversa sincera entre pessoas que transforma vidas. Que saibamos dialogar com as máquinas sem perder a capacidade de dialogar com o coração humano. Afinal, nenhuma inovação será verdadeiramente inteligente se nos afastar daquilo que nos torna profundamente humanos.



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[1] Rômulo Vaz Youbube. Natural de Goiânia (GO), o escritor Rômulo conta com quatro obras publicadas: "O menino do alpendre"; "Enquanto a vida passa";  "Não foi à toa, foi a palavra" e o lançamento deste ano, pela PG Editora: De 5 em 5 abrem-se as cortinas. Membro correspondente da Academia Goianiense de Letras – cadeira 58 Formado em Filosofia pela PUC/GO, pós-graduado em Filosofia Clínica (Instituto Pacter/Porto Alegre), Produtor Cênico (pelo Instituto Basileu França). Além do trabalho como ator e professor de artes cênicas (adultos e idosos), Rômulo mantém no Youtube o Programa Convescote. @romulovaz.convescote @teatrohumanista @dragsboulevard romulovaz32@gmail.com
[2] imagem 4d:pgeditora58078477000170
[3] BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro.
[4] FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Alfabeto Literário - C

 

Crônica

A literatura que nasce do cotidiano.

Alfabeto Literário - C


    Na cozinha, a pilha de louça, consequência da reunião da noite anterior para festejar a vitória do Brasil sobre o Japão, era minha. Meu palpite venceu: 2x1. Placar de sufoco, mas na Copa do Mundo todos querem vencer. A louça estava lá, a minha espera, grandes panelas foscas e sujas, uma dezena de pratos e duas de copos, mais talheres. Como podiam os alumínios estarem tão apagados? Na época em que eu tinha mais tempo, as panelas brilhavam sem ajuda de limpa alumínio, e, ainda, lembro de minha avó arear com areia e sabão de bolas as grandes panelas. A secar reluzentes ao sol. Lembro de doer-me as vistas.

    Enquanto, areava a panela, com limpa alumínio e Bombril, uma espuma cinza e espessa surgia com o atrito da esponja. Uma nódoa veio à memória: a menina de chinelos e uma pinta no dedão do pé. Qual era mesmo o nome dela?  No tempo de escola, ela andava para lá e para cá marcada de espuma cinza, esquecida no antebraço. Provavelmente, areava as panelas antes de ir à escola. Pensei na tal tarefa doméstica enquanto me abdicava de escrever algumas linhas para a publicação na coluna do dia seguinte, mas a louça não podia esperar. Era dia de home office e eu ainda não havia aberto o computador.

    Lavaria a louça o mais rápido possível a fim de começar a trabalhar na produção da crônica: um gênero textual do cotidiano. O que seria mais trivial do que lavar louça e se perder em pensamentos?

    O que o tempo teve a ver com as nossas tarefas do dia a dia? Agora, não é necessário arear. As panelas são feitas de outros materiais que facilitam a lavagem. Não se usa alumínio batido como antigamente. Existem outros tipos, mais econômicos ou saudáveis. Dizem que o alumínio é proibido em muitos países do mundo. Esquivei da ideia de contabilizar a quantidade dessa substância em meu organismo, absorvida nos meus quarenta e poucos anos de vida.

    Voltei a pensar na crônica, agora esfregando os talheres. A crônica consiste em narrativas sutis. Não há, necessariamente, uma moral da história. Para ser honesta, moralidade é um termo perdido na sociedade contemporânea, fadado aos moralistas sem moral ... mas se ela existe, nesse gênero textual, não deve ser a protagonista.

    Crônica consiste em uma situação paralisante que deve se remeter ao cotidiano... reflexiva imbuída de estar, numa “verdade do cronista”. Parece-me um conceito justo, mas falho ou questionável se comparada a outros gêneros. Suspeito que a crônica seja prima-irmã do conto.  Sua elaboração poderia consistir no esforço de escrever criticamente sem ser explícito, evasivo, como em uma situação do cotidiano observado pelo seu autor. Uma narrativa que desperta um olhar reflexivo sobre um tema que se transveste-se de trivial. 

    Julgo ser um perigo escrever algo sobre o cotidiano que está imbricado em nós... A crônica consiste em narrativas sutis. Sem moral, por gentileza, insisto ... se há alguma deve ser resgatada pelo leitor ou leitora. Cabe a ele ou ela arrancá-la e lançá-la para dentro de si, se fazer introspectivo a partir da realidade massivamente comum.

    Há a crônica jornalística. Essa possui uma função ainda mais social e ousada. Não compliquemos, por isso, pensaremos na crônica sem definirmos o âmbito discursivo, ao menos por enquanto - Dialogo com a minha consciência. A referida instância discursiva, aberta ao público maior, em que populares a leem no jornal, se divertem com a narrativa sem perceber que cada linha esfrega em sua cara um acontecimento corriqueiro, às vezes, íntimo, nostálgico ou memorável ao seu cronista, com um propósito astuto, esporadicamente, não capturado.

    Veio-me Marcuschi que assegura todos os gêneros textuais a partir da sua forma e função. Assim, aplicando à crônica, tendo a pensar que: o primeiro se molda na narrativa curta sobre um enredo acerca do cotidiano que pressupõe um tema relevante sob o ponto de vista de quem a elabora; enquanto o segundo se relaciona com a finalidade de o leitor apreciar um enredo desvelando um tema crítico-reflexivo, sem lhe ser empurrado goela abaixo, feito pílulas amargas que se devem engolir rapidamente antes que a saliva revele seu gosto amargo.

    É certo que não tenho a pretensão de definir ou de conceituar tal gênero. Aprecio escrevê-lo e lê-lo.

    O que está posto, aqui, consiste em uma reflexão ou tentativa de elaboração. Julgo ser difícil exercer a tarefa de crítico ou teórico literário. Para esse momento, costumo citar a escritora Lêda Selma que traduz a beleza de escrever narrativas curtas, trazendo uma resolução para a questão teórica-literária discutida. Ela cunhou o termo Cronto, sem aspas mesmo: ocorre quando não é possível a distinção entre conto e crônica. Lêda Selma escreve maravilhosamente esse novo gênero literário, assim como Clarice Lispector já o fazia, mas foi Lêda quem ousou resolver tal impasse teórico-conceitual, ainda em discussão por muitos estudiosos da literatura e linguística. 

    Percebi, velozmente, a finalização da louça que agora precede a limpeza da pia... Assim que terminar de secar a cuba, me dedicarei às incumbências da escrita da crônica: uma narrativa do cotidiano, como se o conto também assim não o fosse.




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Autores e obras
[1] Rodriana Costa. Escritora, entusiasta das artes. Escreve contos e crônicas publicados em sites, coletâneas e livros. Destaca-se “Minha amiga Esmeralda”, conto que compôs a “Antologia Mulheres em seus Destinos”, publicada em Cabo Verde. Em 2022, publicou o livro “Aromas e Memórias: contos” e em 2025, o livro de contos “Casulo da Borboleta”. É doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB/Universtià de Pescara (Itália). É Mestre em Linguística e Língua Portuguesa e graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é docente no ensino superior, coordena e atua em projetos literários e Vice-presidente da UBE-seção Goiás. Site da autora:
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Alfabeto Literário - B

BIBLIOGRAFIA

As leituras que formam um escritor

Alfabeto Literário - B




       Ler e escrever – escrever e ler. Ler sem escrever, até pode ser, mas escrever sem ler – complica! Costuma-se dizer que todo escritor é um leitor, verdade sim, no entanto, é uma resposta incompleta.

Os livros são indispensáveis, sejam obras-primas da literatura mundial e nacional, dos clássicos aos ultramodernos (já leu um nano-conto?)

Para os escritores, ler é mais amplo, vai além daquilo que já foi escrito (papiro, papel, on-line). Escritores leem personalidades, humores, cenários, sociedades, situações, ritmos versos e controvérsias, por isso nem toda leitura que forma um escritor está nos livros. Tais leituras estão nas suas próprias vidas e nas histórias que viveram, vivenciaram, estudaram, e até mesmo ouviram falar. É o que dá aos livros sua característica singular – através dos livros é permitido experienciar outra vida, outras histórias, viajar o mundo viajar no tempo e no espaço (passado, presente e futuro) realidades, ficções e tudo quanto mais e maior puder surgir da imaginação e do pensamento humanos.

Ao abrir um livro, o leitor aceita um convite para enxergar através dos olhos de outra pessoa, e.ao mesmo tempo, projetar seus próprio olhar enquanto lê nas linhas e entrelinhas do autor. Talvez não haja experiências humanas que ofereçam um exercício tão profundo de deslocamento. Talvez seja justamente por isso que a leitura esteja na base da formação de tantos escritores.

Imaginação, percepção!

Técnicas de escrita e estilo podem ser aprendidas e copiadas, é assim que os agentes literários de IA escrevem, mas creio que nunca serão capazes de perceber, a literatura vai, então, além, audaciosamente onde a mente puder nos levar.

Perceber aquilo que passa despercebido; perceber a solidão escondida atrás de uma conversa comum; perceber a coragem que existe em pequenos gestos, perceber que cada pessoa carrega uma história que não pode ser resumida a uma aparência, uma opinião ou uma circunstância.

A bibliografia de um autor contemporâneo não se mede apenas pela estante dos livros já lidos, restam os não lidos, as percepções, as experiências, as inquietações provocadas pelas perguntas uma hora respondidas e outras ainda incógnitas.

        O escritor, autor da escrita que constrói e desconstrói, aquele que assume seu papel social e propõe novos valores, novas crenças... que transforma o mundo feio em rara beleza, ou mostra o horror na belezura, que faz ciência e traz vida ou destruição.



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Autores e Obras
[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL.
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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Alfabeto Literário - A



Autor

O papel social do autor na era da IA

Alfabeto Literário - A


    À época da virada do milênio, estávamos percebendo a Era digital. No cerne do mundo literário, o papel do autor na sociedade fortalece sua identidade, uma certeza ou ainda um questionamento.

    A conhecida frase “ninguém segura a roda do progresso” ultrapassou Maverick, alcançou Mach 15. A “roda” não é mais o Concorde ou Stealth pois foguetes de E. Musk agora tem marcha ré! Toda a Terra avançou na Era Digital e vinte seis anos a frente dos anos dois mil, a Era Digital se converteu em Inteligência Artificial - IA.

    Estamos diante de grandes desafios de autoria, qual é o papel do autor/escritor na sociedade hodierna, e para essa resposta, mister é desenvolver uma identidade autoral. Antes, autor que se fazia presente na arte e na literatura escrevia o lhe vinha “à telha”, gêneros e números. Não creio que se persista desta forma, o leitor quer mais, muito mais. Também não se trata da resistência do livro, ele é um sobrevivente, a exemplo de Gilgamech que viveu o grande incêndio, sobreviveu as areias do tempo, literalmente, e hoje se mostra na Biblioteca de Londres. O livro é um sobrevivente há milênios e continuará a ser.

    Voltamos aos autores, escritores sincrônicos, estes que lutam para desenvolver sua identidade, fazer-se presente e agente da sociedade. A IA é um instrumento eficaz e eficiente, mas ainda um instrumento. Por mais que se digne a uma presunçosa posição paralela ao escritor, postando de humanoide, jamais alcançará Machado de Assis ou Clarice Lispector, faltará sempre ingredientes de pertencimentos humanos: a imaginação original, o pensamento originário, a emoção translúcida única.

    Sua velocidade de análises algorítmicas podem alcançar infinitos conhecimentos, no entanto, todas serão provenientes de aprendizes e aprendizados, de Sócrates ou Galileu, de Picasso ou Bach.

    Como se vê a questão é humana – o medo, que trava e empobrece o raciocínio que se conclui na falácia da superioridade da IA. Quem pode ser maior que os nosso ícones literários, alguns dos novos que se compare aos clássicos? Resposta fácil – não! Por quê? Fácil também, cada um de nossos escritores tem identidade própria, aquela maravilha que nos alegra, nos inspira ou até mesmo nos reprime, mas ainda única e autêntica.

    Assim como cada DNA é individual, assim é a identidade autoral, em qualquer Era ou milênio.

    E vêm o questionamento verdadeiro: o autor/escritor, qual seu papel social?

    Se na legislação existe a função social da propriedade, na escrita não é apenas um papel, mas uma ou mais funções sociais a serem desenvolvidas pelo escritor. Encerra-se a beleza da arte da escrita no evento estético de valor social.

É literatura quando a linguagem se torna um evento estético! 



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[1]. Patrícia.Gabriel - Fundadora e editora-chefe da PG Editora. É escritora, romancista, poeta, ghostwriter. Atua na criação de obras literárias, biografias e projetos editoriais, unindo técnica, sensibilidade e excelência textual. Possui formações literárias e editoriais pela Universidade do Livro/Unesp, Casa Educação e pela Harvard University, no curso Masterpieces of World Literature. Também desenvolve consultoria editorial, revisão profissional de textos e ações de incentivo à leitura. É membro efetivo da União Brasileira de Escritores - seção Goiás UBE(GO); membro correspondente da Academia Goianiense de Letras AGnL.
[2] imagem 1a:pgeditora58078477000170
[3] Ademir Luiz, Presidente da UBE(GO) 2026/2027. 

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