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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - N


Alfabeto Literário - N

  N — NARRATIVA:  

a arte de contar histórias - muito mais do que o tamanho do texto.

Por Patrícia.Gabriel

    Durante muito tempo, difundiu-se uma explicação simples: conto é curto, novela tem extensão intermediária e romance é longo. A fórmula é útil, no entanto insuficiente. A extensão do texto participa de sua configuração, mas não constitui, isoladamente, critério capaz de defini-las (SCALIA, 2023; FRANK, 2023).
    Conto, novela e romance pertencem ao campo narrativo e podem compartilhar narrador, personagens, conflito, tempo, espaço e enredo. O que muda é a maneira como esses elementos se organizam. Em outras palavras, a diferença está menos na quantidade de páginas e mais na arquitetura narrativa. O conto tende à concentração. Sua força nasce da seleção rigorosa: poucos elementos precisam produzir alta intensidade de sentido. Isso não significa que deva ter apenas um personagem, um único espaço ou um acontecimento isolado. Significa que seus componentes tendem a convergir para um núcleo dominante. A teoria contemporânea do conto continua destacando justamente sua condensação formal, ao mesmo tempo que reconhece a diversidade histórica assumida pelo gênero (SCALIA, 2023; ZAVALA; BOTOSO, 2026).
    Um conto pode atravessar vinte anos em poucas páginas, desde que o tempo seja condensado por elipses e apenas os momentos decisivos sejam trazidos à cena. Sua economia não é pobreza; é construção estética. Por isso, podemos pensá-lo por quatro ideias: concentração, seleção, economia e intensidade.
    A novela ocupa um território mais complexo, sua faixa de extensão não define sua poética uma vez que a novela possui tradições e configurações formais próprias (FRANK, 2023; MUOIO, 2025; FRANK, 2026). Ao permitir maior desenvolvimento das ações e das personagens, a novela preserva forte unidade em torno de um eixo central. Seu princípio característico pode ser compreendido como progressão: um acontecimento desencadeia outro, produzindo consequências, deslocamentos e transformações. Há expansão, mas ainda sob relativa concentração estrutural. Se o conto concentra, a novela desenvolve.
    O romance, por sua vez, distingue-se pela ampla possibilidade de expansão. Pode articular diferentes núcleos de ação, tempos, espaços, perspectivas, personagens e conflitos. Pode acolher subtramas, digressões, vozes diversas e outros gêneros discursivos, ampliando significativamente a construção do mundo ficcional (WRIGHT, 2024). Existem romances breves, romances concentrados em um único dia e romances construídos em torno de poucas personagens. O que importa não é simplesmente a extensão material, mas a organização e a amplitude estrutural que a obra mobiliza.
    Se o conto concentra e a novela desenvolve, o romance expande. Essa tríade — concentração, progressão e expansão — é mais produtiva do que a sequência escolar “curto, médio e longo”. Ela ajuda o escritor a compreender que a forma narrativa não é um recipiente de tamanho predeterminado, mas uma estratégia de construção.
    Imagine uma mesma situação: uma mulher volta à cidade natal depois de vinte anos para o funeral da mãe.
1. Num conto, poderíamos acompanhar apenas as duas horas do funeral e uma revelação capaz de alterar toda a memória daquela relação.
2. Numa novela, o funeral poderia desencadear uma cadeia de acontecimentos: reencontro com a irmã, descoberta de cartas, investigação, confronto familiar, revisão do passado.
3. Num romance, o retorno poderia abrir vários núcleos: a infância da protagonista, a história da mãe, os irmãos, a cidade, o casamento, os segredos familiares e diferentes perspectivas sobre os mesmos acontecimentos.
    O ponto de partida é idêntico. O que muda é a forma de organizar o mundo narrado. Por isso, o número de páginas deve ser entendido como indicador secundário. A paginação depende inclusive de formato, fonte, entrelinha e projeto gráfico — fatores que evidentemente não modificam o gênero literário de uma obra. A própria discussão recente sobre a novela evidencia os limites de estabelecer fronteiras genéricas apenas pela contagem de palavras (FRANK, 2023; 2026).
    Para quem escreve, portanto, a pergunta mais fértil não é quantas páginas esta história terá?, mas de que forma esta história precisa ser contada? A escolha consciente do gênero começa quando o escritor percebe o que sua narrativa pede: concentração, progressão ou expansão.
O tamanho mede o texto. A arquitetura revela a narrativa.


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Autores e obras
Patrícia.Gabriel
Imagem 12m:pgeditora58078477000170.
FRANK, Morgan Day. Notes on the novella. *Novel: A Forum on Fiction*, v. 56, n. 1, p. 105–127, 2023. DOI: 10.1215/00295132-10251280.
FRANK, Morgan Day. Theory of the novella? *New Literary History*, v. 56, n. 4, p. 745–769, 2026.
MUOIO, Ilaria. *La novella dal 1890 al 1929: tipologie, apparati editoriali, modelli di lettura*. Firenze: Firenze University Press; Siena: USiena Press, 2025.
SCALIA, Daniele. O gênero conto: principais teorias e situação no Brasil. *Anuário de Literatura*, Florianópolis, v. 28, p. 1–18, 2023. DOI: 10.5007/2175-7917.2023.e92854.
WRIGHT, Daniel. *The Grounds of the Novel*. Stanford: Stanford University Press, 2024. DOI: 10.1515/9781503637566.
ZAVALA, Lauro; BOTOSO, Altamir. Breve história da teoria do conto. *Fólio — Revista de Letras*, v. 17, n. 1, p. 811–837, 2026. DOI: 10.22481/folio.v17i1.18739

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Alfabeto LITERÁRIO - M

 

Alfabeto Literário - M

Memória: o que nos constitui

 As memórias são muito mais do que simples lembranças do passado. Elas constituem quem somos, influenciam nossas escolhas, moldam nossos relacionamentos e orientam nosso modo de compreender o mundo. Se a memória pudesse falar, talvez dissesse: "Eu sei o que você fez. Eu vi o que você viu, ouvi o que você ouviu, guardei o perfume que marcou sua infância, o sabor do prato que despertava alegria, as palavras de amor e também os silêncios que feriram. Conservei verdades, ilusões e até aquilo que você acreditou ter esquecido." Desde a vida intrauterina, quando o cérebro inicia sua extraordinária trajetória de desenvolvimento, somos continuamente constituídos pelas experiências que registramos. De certa forma, somos a história que nossas memórias contam.

Opa! Um momento! A memória é apenas um arquivo de acontecimentos?

De forma alguma. Ela participa ativamente da construção da identidade, das emoções, da fé, das decisões e dos hábitos. Carregamos informações herdadas de nossos ancestrais e, ao longo da vida, acrescentamos novas experiências que influenciam nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Cada aprendizado fortalece conexões entre neurônios, transformando nosso cérebro de maneira contínua. Descobertas científicas recentes demonstram que determinadas proteínas, como PKMζ e KIBRA, atuam na estabilização das memórias de longa duração, permitindo que elas permaneçam preservadas por décadas. Estudos mais recentes também apontam avanços promissores relacionados à regeneração cérebro-vascular, ampliando nossa compreensão sobre a plasticidade cerebral e a possibilidade de preservar ou recuperar funções cognitivas.

Embora a inteligência artificial seja capaz de aprender, reconhecer padrões, resolver problemas e produzir conteúdos sofisticados, ela opera a partir de informações produzidas por seres humanos. O cérebro humano, porém, vai muito além do processamento de dados: ele atribui significado às experiências, conecta emoções, valores, espiritualidade e consciência. Por isso, compreender como nossas memórias são formadas e como influenciam nossas atitudes talvez seja uma das tarefas mais importantes da existência.

Vale perguntar: o que você tem escolhido gravar em sua memória? Suas palavras refletem esperança ou desesperança? Gratidão ou ressentimento? Você investe recursos financeiros para construir patrimônio e garantir segurança para o futuro. Por que não investir também em memórias saudáveis, capazes de produzir prosperidade, equilíbrio e felicidade? De pouco adianta transformar apenas a aparência física se antigas memórias emocionais continuam determinando comportamentos, medos e sofrimentos.

Durante muito tempo acreditamos que a memória servia apenas para aprender conteúdos escolares ou decorar informações. Hoje sabemos que ela governa praticamente todos os aspectos da vida. É ela que influencia nossas escolhas, nossos vínculos afetivos, nossa forma de enfrentar desafios e até mesmo nossa percepção sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre o futuro.

O livro O Poder das Memórias é um convite para olhar para suas memórias com novos olhos. Não para permanecer preso ao passado, mas para compreender que ele não precisa determinar o amanhã. As memórias fazem parte daquilo que nos constitui, mas seu significado pode ser transformado. Ao ressignificá-las, abrimos espaço para desenvolver nosso potencial, fortalecer nossa saúde, ampliar nossa capacidade de amar e construir uma vida mais plena. Afinal, nossas memórias registram nossa história, mas somos nós que escolhemos qual história desejamos continuar escrevendo.


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Autores e obras

[1] Marislei Espíndula Brasileiro é Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina - UFG, Doutora em Ciências da Religião pela PUC, Mestre em Saúde Pública pela FE/UFMG, Especialista em Educação e Cultura. Enfermeira pela UFG. Escritora, palestrante e professora dos cursos de medicina e enfermagem. Presidente da Academia Goianiense de Letras, ocupando a cadeira Nº 3 - Cora Coralina. Possui 40 livros publicados (10 romances e 30 livros científicos). Casada com Emídio Silva Falcão Brasileiro, tem um casal de filhos e reside em Goiânia desde 1977..

[2] Imagem 12m:pgeditora58078477000170.

sábado, 25 de julho de 2026

Afonso Félix de Sousa

P.G. GALERIA – LEGADO

DADOS BIOGRÁFICOS

  • Nome literário: Afonso Félix de Sousa
  • Nascimento: 5 de julho de 1925
  • Naturalidade: Jaraguá, Goiás, Brasil
  • Falecimento: 7 de setembro de 2002
  • Local de falecimento: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

    Afonso Félix de Sousa foi poeta, escritor, jornalista e tradutor. Estreou em livro com O Túnel, publicado em 1948, e construiu uma produção literária composta por 18 livros.

FORMAÇÃO

    Realizou seus primeiros estudos em Goiás. Em 1953, recebeu bolsa de estudos para especialização em Economia na École Pratique des Hautes Études, em Paris, instituição vinculada ao ambiente acadêmico da Sorbonne.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

    Afonso Félix de Sousa conciliou a atividade literária com o jornalismo, a tradução e a atuação profissional como economista e funcionário do Banco do Brasil. Exerceu funções relacionadas ao comércio exterior e atuou na representação brasileira em Beirute, no Líbano. Paralelamente, colaborou com jornais, revistas e suplementos literários. Em 1946, participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores – Seção Goiás, contribuindo diretamente para a organização institucional da literatura produzida no estado. Também integrou o grupo fundador da Associação Nacional de Escritores.

OBRAS PUBLICADAS

    Sua produção literária totaliza 18 livros. Entre suas principais obras estão:

  • O Túnel, 1948
  • Do Sonho e da Esfinge, 1950
  • O Amoroso e a Terra, 1953
  • O Memorial do Errante, 1956
  • Íntima Parábola, 1960
  • Nova Antologia Poética, 1991
  • Chamados e Escolhidos, 2001

    As obras Do Sonho e da Esfinge, O Amoroso e a Terra, O Memorial do Errante e Íntima Parábola estão entre os títulos mais representativos de sua trajetória poética.

TRADUÇÕES

    Afonso Félix de Sousa também desenvolveu importante trabalho como tradutor de poesia, contribuindo para a circulação, em língua portuguesa, de autores da literatura universal. Entre os escritores traduzidos por ele estão:

  • Federico García Lorca
  • John Donne
  • François Villon
  • Giacomo Leopardi

    Sua atuação como tradutor ampliou o diálogo entre a poesia brasileira e diferentes tradições literárias europeias.

PREMIAÇÕES E RECONHECIMENTOS

  • Prêmio Nacional de Poesia Olavo Bilac
  • Prêmio de Poesia Álvares de Azevedo, da Academia Paulista de Letras
  • Prêmio Ribeiro Couto de Poesia
  • Prêmio de Literatura do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia
  • Prêmio Nacional de Poesia da Academia Brasileira de Letras, em 2002

    O reconhecimento concedido pela Academia Brasileira de Letras em 2002 consolidou seu nome entre as referências da poesia brasileira do século XX.

ACADEMIAS E INSTITUIÇÕES LITERÁRIAS

  • Participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores – Seção Goiás.
  • Foi um dos fundadores da Associação Nacional de Escritores.
  • É patrono da Cadeira nº 19 da Academia Goianiense de Letras.
  • A Cadeira nº 19 é atualmente ocupada por Luiz Cláudio Veiga Braga.

LEGADO

    Afonso Félix de Sousa ocupa lugar de destaque na literatura goiana e brasileira. Integrante da terceira geração modernista, também identificada como Geração de 45, desenvolveu uma poesia marcada pelo rigor formal, pela reflexão filosófica e pela investigação de temas ligados à existência, ao tempo, à memória, ao amor, à espiritualidade e à condição humana.

    Sua atuação ultrapassou a produção individual. Como tradutor e articulador cultural, participou da criação de instituições que contribuíram para a organização e a valorização dos escritores brasileiros. Ao projetar nacionalmente uma obra produzida a partir de suas raízes goianas, tornou-se referência para pesquisadores, leitores e gerações posteriores de escritores.

TEXTO CURATORIAL

    Afonso Félix de Sousa (1925–2002) ocupa lugar de destaque na poesia brasileira da Geração de 45. Sua obra combina refinamento estético, reflexão filosófica e profundo humanismo, conferindo projeção nacional à literatura goiana. Poeta, tradutor, jornalista e articulador cultural, contribuiu para a organização da vida literária brasileira e para a circulação de importantes autores universais em língua portuguesa. Patrono da Cadeira nº 19 da Academia Goianiense de Letras, permanece como referência da cultura e da poesia de Goiás.

CLASSIFICAÇÃO P.G. GALERIA

  • Categoria: Legado
  • Período literário: Terceira geração do Modernismo – Geração de 45
  • Movimento: Modernismo
  • Gêneros: Poesia, tradução, crônica e jornalismo
  • Temas predominantes: existência, tempo, memória, espiritualidade, amor, cultura e humanismo
  • Palavras-chave: Afonso Félix de Sousa, poesia goiana, Geração de 45, Modernismo, literatura brasileira, tradução, humanismo e cultura goiana

FONTES CONSULTADAS

  • Academia Goianiense de Letras
  • Academia Brasileira de Letras
  • Universidade Federal de Goiás
  • Secretaria de Estado da Educação de Goiás
  • Associação Nacional de Escritores
  • Obras publicadas de Afonso Félix de Sousa
  • Estudos especializados sobre a poesia goiana e a Geração de 45

Patrícia.Gabriel

P.G Galeria – Contemporâneo

👤 Dados Biográficos

  • Nome literário: Patrícia.Gabriel
  • Nome completo: Patrícia Nogueira Braga
  • Naturalidade: São Miguel do Araguaia (GO)
  • Residência: Goiânia (GO)


🎓 Formação

  • Masterpiece of World Literature – Harvard University.
  • Formação de Editor – Casa Educação.
  • Produção Editorial, Revisão Textual e Gramática para Revisores – Universidade do Livro (UNESP).
  • Tecnóloga em Gestão de Pequenas Empresas – UniAnhanguera (GO).
  • Bacharel em Direito – PUC Goiás.


📚 Obras Publicadas

2023 — Mel (2ª edição). Goiânia (GO).
2023 — X: Viagem pela Escrita. Volta Redonda (RJ).
2019 — Sarau Brasil. Vivara Editora. Cabedelo (PB).
2019 — Liberdade – Poesia Livre Luso-Brasileira. Chiado Books. Lisboa (Portugal).
2018 — Além da Terra, Além do Céu. Chiado Books. Lisboa (Portugal).
2018 — Trilogia Mel – Volume I: Mel. Chiado Books. Lisboa (Portugal).

🏆 Premiações e Reconhecimentos

  • Certificado do Mérito Legislativo – Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Ale-GO), 2026.


🏛️ Instituições

  • Membro Associado da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO).
  • Membro correspondente da Academia Goianiense de Letras (AGnL).


📧 E-mail: patricia.gabriel201210@gmail.com

📸 Instagram: @patriciagabriel_escritora


🌐 Site oficial Patrícia.Gabriel: 

Site AGnL: Membra correspondente, cadeira 67: 


📖 Fontes consultadas: Informações fornecidas pela autora.

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