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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - J -

Alfabeto Literário - J

A Jornada do Escritor: a palavra perante o tribunal da História

    Escrever é muito mais do que dominar a linguagem. É assumir um compromisso com a verdade, a beleza e a justiça. O escritor não apenas registra acontecimentos: interpreta seu tempo, denuncia injustiças, preserva a memória e semeia esperança. Sua matéria-prima é a palavra, mas sua verdadeira missão é formar consciências, pois toda obra publicada passa a pertencer não apenas ao autor, mas à História.

    Hegel ensinou que “a História do mundo é o tribunal do mundo”. Diante desse tribunal invisível, escritores e historiadores comparecem como testemunhas permanentes. A historiografia grava na pedra os acontecimentos; a literatura faz florescer sobre ela a sensibilidade humana. A História sem a poesia torna-se fria como o mármore; a poesia sem a História perde suas raízes. São duas asas da mesma memória: uma preserva os fatos, a outra lhes confere significado.

    Rui Barbosa sustentava que os atos humanos jamais escapam ao julgamento da posteridade. Em A Queda do Império e em seus escritos políticos, demonstra que o tempo desfaz as aparências e restitui à História a missão de julgar governantes, ideias e instituições. O escritor, por isso, não escreve apenas para seus contemporâneos, mas para esse tribunal permanente onde as palavras sobrevivem aos próprios autores.

    Jean-Paul Sartre afirmou, em Que é a Literatura?, que escrever é agir. Albert Camus, ao receber o Prêmio Nobel, recordou que o escritor deve servir aos que sofrem a História, e não aos que exercem o poder. Escrever é uma escolha ética. Um livro pode despertar consciências, inspirar reformas, impedir o esquecimento e transformar uma sociedade.

    No Brasil, essa missão encontrou intérpretes extraordinários. Machado de Assis revelou as contradições da alma nacional; Euclides da Cunha denunciou o abandono de Canudos; Lima Barreto combateu o preconceito; Graciliano Ramos deu voz aos esquecidos; Guimarães Rosa universalizou o sertão; Clarice Lispector iluminou a interioridade humana; Cora Coralina revelou a grandeza da simplicidade; Carolina Maria de Jesus rompeu o silêncio da pobreza; Bernardo Élis eternizou o Brasil Central.

    Também a poesia ajudou a construir a consciência nacional. Castro Alves transformou seus versos em um clamor contra a escravidão; Cruz e Sousa fez da dor uma afirmação da dignidade humana; Carlos Drummond de Andrade refletiu sobre a condição do homem; Cecília Meireles cantou a permanência dos valores; Thiago de Mello proclamou a liberdade como dever da consciência. A poesia denuncia para que a barbárie nunca pareça normal e para que novos horrores jamais encontrem o silêncio como aliado.

    Antonio Candido ensinou que a literatura constitui um direito humano, indispensável à formação da sensibilidade e da cidadania. Joseph Campbell mostrou que toda narrativa traduz a busca de sentido; Julia Cameron compreendeu a escrita como coragem criadora; Stephen King recordou que talento exige disciplina; Umberto Eco demonstrou que todo livro continua vivendo na interpretação de seus leitores. Friedrich Nietzsche, ao anunciar a crise dos valores, encontrou na arte uma poderosa afirmação da existência e abriu novas reflexões sobre o sentido da vida.

    Como escreveu Oswaldo Montenegro no poema “Metade”, “Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela mesma não saiba.” A cultura sempre foi guardiã da liberdade e denunciante dos abusos. Entre a pena do historiador e a lira do poeta, a humanidade escreve sua própria biografia. Ambos comparecem perante o tribunal da História levando não apenas os fatos, mas também seu significado, para que a verdade jamais caminhe sem a beleza, nem a justiça sem a esperança. Escrever é semear consciência; publicar é assumir responsabilidade perante o tempo.


 Gostou desta leitura? A P.G Editora publica semanalmente artigos, ensaios, crônicas, poemas, pesquisas, projetos literários e conteúdos voltados ao universo do livro, da escrita e da cultura.

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Porque cada livro transforma um leitor. E cada leitor ajuda a transformar o mundo.


Autores e obras

[1] Abílio Wolney Aires Neto — Juiz de Direito, professor, mestre pela PUC-GO e doutorando em Direito Constitucional pelo IDP/Brasília. Autor de 18 obras publicadas. Graduando em Filosofia, História e Jornalismo. Membro da Academia Goiana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, do Instituto Bernardo Élis, da União Brasileira de Escritores e da Academia Goianiense de Letras.

[2] Imagem 10j:pgeditora58078477000170.

[3] HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da filosofia do direito. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

[4] BARBOSA, Rui. Queda do Império: Diário de Notícias. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde; Casa de Rui Barbosa, 1947. v. 16, t. 1. (Obras completas de Rui Barbosa).

[5] BARBOSA, Rui. O adeus da Academia a Machado de Assis. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 30 set. 1908. 

[6] SARTRE, Jean-Paul. Que é a literatura? 3. ed. São Paulo: Ática, 2004.

[7] CAMUS, Albert. Banquet speech. Stockholm: Nobel Prize, 10 dez. 1957. 

[8] CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 5. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011. p. 171–193.

[9] CAMPBELL, Joseph. The hero with a thousand faces. Novato: New World Library, 2008.

[10] CAMERON, Julia. The artist’s way: a spiritual path to higher creativity. New York: J. P. Tarcher/Putnam, 2002.

[11] KING, Stephen. On writing: a memoir of the craft. New York: Scribner, 2000.

[12] ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo: Perspectiva, 2015.

[13] NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

[14] MONTENEGRO, Oswaldo. Metade. In: MONTENEGRO, Oswaldo. João sem nome. 1974. Poema publicado originalmente no libreto da peça. 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Abílio Wolney Aires Neto

 P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS

ABÍLIO WOLNEY AIRES NETO

ESCRITOR CONTEMPORÂNEO

Escritor | Juiz de Direito | Professor | Pesquisador


DADOS BIOGRÁFICOS

Nome: Abílio Wolney Aires Neto
Atuação: escritor, Juiz de Direito e professor
Produção bibliográfica: 18 obras publicadas

Abílio Wolney Aires Neto desenvolve trajetória intelectual marcada pela convergência entre Direito, literatura, história, pesquisa e docência. Sua atuação profissional na magistratura convive com uma produção voltada à preservação da memória, à pesquisa histórica, à reflexão jurídica e à literatura. Os dados profissionais, acadêmicos e institucionais atuais apresentados nesta ficha foram fornecidos diretamente pelo autor e complementados por registros oficiais das instituições às quais está vinculado.


FORMAÇÃO ACADÊMICA

Abílio Wolney Aires Neto possui formação e trajetória acadêmica multidisciplinar.

  • Mestre pela PUC-GO;
  • Doutorando em Direito Constitucional pelo IDP – Brasília;
  • Graduando em Filosofia;
  • Graduando em História;
  • Graduando em Jornalismo.

A diversidade de sua formação estabelece diálogo direto com sua produção intelectual, especialmente nos campos do Direito, da história, da memória, da cultura e da literatura.


TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

Abílio Wolney Aires Neto é Juiz de Direito e Professor. Sua trajetória profissional é construída no campo jurídico, ao mesmo tempo em que mantém intensa atividade intelectual, acadêmica e literária. A experiência na magistratura, a docência e a pesquisa constituem diferentes dimensões de uma carreira em que o conhecimento jurídico se relaciona com a investigação histórica e a produção cultural. Como pesquisador e escritor, dedica-se particularmente à recuperação e interpretação de acontecimentos, documentos, personagens e processos relacionados à história regional.


TRAJETÓRIA LITERÁRIA

A produção de Abílio Wolney Aires Neto ocupa um espaço de encontro entre literatura, Direito, história e memória. Sua escrita recupera acontecimentos e personagens, preserva documentos e transforma pesquisa histórica em produção destinada também ao público leitor. A dimensão memorialística de sua obra contribui para o registro de episódios ligados à história de Goiás e do antigo norte goiano, atual Tocantins. É autor de 18 obras publicadas, conforme informação fornecida diretamente pelo escritor.


OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

Entre as obras documentalmente identificadas de Abílio Wolney Aires Neto encontram-se:

  • A Cidade de Ana: Anápolis;
  • A Chacina Oficial;
  • Direito Constitucional – Princípios;
  • Juizados, Arbitragem e Mediação;
  • Memórias de João Rodrigues Leal;
  • Movimento Comunista – Liga Camponesa, 1962;
  • No Tribunal da História;
  • O Barulho e os Mártires;
  • O Diário de Abílio Wolney;
  • O Duro e a Intervenção Federal;
  • Um Homem Além de Seu Tempo.

ACADEMIAS E INSTITUIÇÕES LITERÁRIAS

Abílio Wolney Aires Neto participa de importantes instituições dedicadas às letras, à história e à cultura.
É membro da:

  • Academia Goiana de Letras – AGL: Integra também a Academia Goiana de Letras, ampliando sua participação institucional na preservação e produção da cultura literária de Goiás.
  • Instituto Histórico e Geográfico de Goiás – IHGG;
  • Instituto Bernardo Élis;
  • União Brasileira de Escritores – UBE;
  • Academia Goianiense de Letras – AGnL: Integra a Academia Goianiense de Letras como Membro Titular, Cadeira nº 36; Patrono: Luiz Palacin Gómez
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PESQUISA, HISTÓRIA E MEMÓRIA

A pesquisa histórica representa um dos eixos centrais da produção intelectual de Abílio Wolney Aires Neto. Seu trabalho contribui para preservar documentos e acontecimentos associados à formação  política, social e cultural de Goiás e do Tocantins. A investigação documental, a interpretação histórica e a experiência jurídica se articulam em obras que registram episódios e personagens relevantes da memória regional. Essa característica aproxima sua produção do trabalho do historiador e do memorialista, além de sua atuação propriamente literária.


TEXTO CURATORIAL

Abílio Wolney Aires Neto constrói sua trajetória intelectual no encontro entre Direito, história, literatura e memória. Magistrado, professor e escritor, transforma pesquisa documental e experiência profissional em instrumentos de preservação cultural. Sua obra revisita acontecimentos, recupera personagens e registra episódios que ajudam a compreender a formação histórica de Goiás e do Tocantins. Com 18 livros publicados e participação em algumas das principais instituições literárias e históricas de Goiás, Abílio Wolney mantém uma produção em permanente desenvolvimento, articulando conhecimento jurídico, investigação histórica e criação intelectual.


CONTEMPORANEIDADE

Abílio Wolney Aires Neto integra a P.G Galeria – Contemporâneos como escritor, pesquisador e agente de preservação da memória. Sua trajetória demonstra como diferentes áreas do conhecimento podem convergir na construção de uma produção intelectual: Direito, História, Filosofia, Jornalismo e Literatura encontram-se em um percurso marcado pela pesquisa e pela documentação. A atuação na magistratura e na docência, os 18 livros publicados, a formação acadêmica em continuidade e a participação em academias e institutos culturais demonstram uma presença ativa na vida intelectual contemporânea de Goiás. Sua obra contribui para transformar memória em documento, pesquisa em narrativa e história em patrimônio cultural.

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FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Abílio Wolney Aires Neto
  • Informações fornecidas diretamente pelo autor para atualização de sua apresentação biográfica: Juiz de Direito, Professor, Mestre pela PUC-GO, Doutorando em Direito Constitucional pelo IDP/Brasília, autor de 18 obras publicadas, graduando em Filosofia, História e Jornalismo e vínculos institucionais.
  • Academia Goianiense de Letras – AGnL
  • Registro institucional de Abílio Wolney Aires Neto como membro da Academia e ocupante da Cadeira nº 36.
  • Academia Goiana de Letras – AGL
  • Registro institucional de sua participação na Academia Goiana de Letras.
  • Universidade Estadual de Goiás – UEG
  • Acervo institucional utilizado para identificação de títulos de sua produção bibliográfica.
  • Instituto Histórico e Geográfico de Goiás – IHGG
  • Vínculo institucional informado pelo próprio autor.
  • Instituto Bernardo Élis
  • Vínculo institucional informado pelo próprio autor.
  • União Brasileira de Escritores – UBE
  • Vínculo institucional informado pelo próprio autor.


P.G GALERIA – CONTEMPORÂNEOS
Literatura, memória e cultura em construção.

sábado, 25 de julho de 2026

Gilberto Mendonça Teles

 

P.G Galeria – Legado

👤 Dados Biográficos

  • Nome completo: Gilberto Mendonça Teles
  • Nascimento: 30 de junho de 1931
  • Falecimento: 4 de dezembro de 2024
  • Naturalidade: Bela Vista de Goiás (GO), Brasil.


🎓 Formação

    Graduou-se em Letras Neolatinas pela Universidade Católica de Goiás e em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Especializou-se em Língua Portuguesa na Universidade de Coimbra (Portugal), doutorou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e tornou-se livre-docente em Literatura Brasileira.


💼 Trajetória Profissional

    Poeta, ensaísta, crítico literário, professor universitário, tradutor e pesquisador, Gilberto Mendonça Teles foi um dos maiores intelectuais da literatura brasileira contemporânea. Participou da criação da Universidade Católica de Goiás e da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde fundou, em 1962, o Centro de Estudos Brasileiros (CEB). Lecionou também na Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Universidade de Brasília (UnB) e em universidades do exterior. Sua produção acadêmica tornou-se referência nos estudos da poesia brasileira, do Modernismo, da estilística e das vanguardas literárias.


📚 Obras Publicadas

    A produção bibliográfica de Gilberto Mendonça Teles ultrapassa uma centena de títulos entre poesia, crítica literária, teoria da literatura e ensaios. Entre suas principais obras destacam-se:

  • 1955 — Alvorada.
  • 1956 — Estrela-d'Alva.
  • 1972 — A Raiz da Fala.
  • 1979 — Retórica do Silêncio.
  • 1986 — Hora Aberta.
  • 1994 — Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro.

    Além dessas obras, publicou numerosos estudos dedicados à literatura brasileira, à poesia e à crítica literária.


🏆 Premiações e Reconhecimentos

  • • Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
  • • Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano, da União Brasileira de Escritores.
  • • Prêmio Jabuti.
  • • Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, concedida pelo Governo de Portugal.
  • • Diversas homenagens e distinções literárias nacionais e internacionais.


🏛️ Academias e Instituições Literárias

  • • Academia Goiana de Letras (AGL) – Ocupante da Cadeira nº 11.
  • • Academia Brasileira de Filosofia – Membro titular.
  • • Academia das Ciências de Lisboa – Acadêmico correspondente.
  • • Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) – Membro e ex-presidente.
  • • União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO) – Ex-presidente.


🕰️ Legado

    Gilberto Mendonça Teles ocupa lugar de destaque entre os maiores escritores da história de Goiás e da literatura brasileira. Sua obra poética, marcada pelo rigor estético e pela reflexão sobre a linguagem, dialoga com a tradição e a modernidade, enquanto seus estudos críticos transformaram-se em referências para pesquisadores, professores e escritores. Sua atuação como docente, ensaísta e pesquisador contribuiu decisivamente para a consolidação dos estudos literários em Goiás e para a projeção da cultura goiana no cenário nacional e internacional. Seu legado permanece vivo por meio de sua vasta produção intelectual e da influência exercida sobre gerações de leitores, escritores e estudiosos.


📖 Fontes consultadas

  • • Universidade Federal de Goiás (UFG).
  • • Academia Goiana de Letras (AGL).
  • • Academia Brasileira de Filosofia.
  • • Grupo Editorial Global.
  • • Obras do autor e bibliografia especializada.

Bernardo Élis

P.G GALERIA – LEGADO

BERNARDO ÉLIS 


Dados Biográficos

Nome civil completo: Bernardo Élis Fleury de Campos Curado
Nome literário: Bernardo Élis
Nascimento: 15 de novembro de 1915
Naturalidade: Corumbá de Goiás (GO)
Falecimento: 30 de novembro de 1997

Bernardo Élis nasceu em Corumbá de Goiás, filho do poeta Érico José Curado e de Marieta Fleury Curado. Recebeu do pai as primeiras lições e também o estímulo inicial para a literatura. Aos doze anos escreveu seu primeiro conto, inspirado em Assombramento, de Afonso Arinos. Há divergência entre fontes institucionais quanto ao local de seu falecimento. A Academia Brasileira de Letras registra Corumbá de Goiás, enquanto publicação da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás informa Goiânia. Por isso, a P.G Galeria mantém como dado seguro a data de 30 de novembro de 1997, sem fixar o local enquanto persistir a divergência documental. [1] [2]


Formação

Bernardo Élis iniciou os estudos em casa, orientado pelo pai. Em 1923 frequentou o Grupo Escolar na então capital do Estado. Posteriormente retornou a Corumbá de Goiás e, em 1928, mudou-se com a família para a Cidade de Goiás, onde cursou o ginásio no Liceu. Concluiu o curso clássico no Liceu de Goiânia em 1940. Formou-se em Direito em 1945, sendo orador de sua turma. Sua formação literária foi acompanhada por intensa atividade de leitura, com contato, entre outros autores, com Machado de Assis, Eça de Queirós e escritores modernistas. [1]


Trajetória Profissional e Acadêmica

Advogado, professor e escritor, Bernardo Élis iniciou sua atuação no serviço público em 1936, como escrivão da Delegacia de Polícia em Anápolis, e posteriormente exerceu a função de escrivão do cartório do crime de Corumbá. Transferiu-se para Goiânia em 1939 e foi nomeado secretário da Prefeitura Municipal, tendo exercido interinamente funções de prefeito em duas ocasiões. No magistério, foi professor da Escola Técnica de Goiânia e das redes estadual e municipal. Foi cofundador, vice-diretor e professor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás. Lecionou também Literatura na Universidade Católica de Goiás e posteriormente reassumiu atividades docentes na Universidade Federal de Goiás. Entre 1970 e 1978, atuou como assessor cultural do Escritório de Representação do Estado de Goiás no Rio de Janeiro. De 1978 a março de 1985, exerceu a função de diretor-adjunto do Instituto Nacional do Livro, em Brasília. Em 1986, foi nomeado membro do Conselho Federal de Cultura, permanecendo no órgão até sua extinção, em 1989. [1]


Trajetória Literária

Bernardo Élis participou ativamente da vida literária do Brasil Central desde a década de 1930, publicando poemas e textos de orientação modernista em jornais de Goiânia. Em 1942, tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro levando consigo originais de poesia e contos, mas retornou a Goiás sem publicá-los. Foi um dos fundadores da revista Oeste, na qual publicou o conto Nhola dos Anjos e a cheia de Corumbá. Em 1944 publicou Ermos e Gerais: contos goianos, pela Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, obra que lhe proporcionou projeção crítica nacional. [1] [3] Participou, em 1945, do I Congresso Brasileiro de Escritores, em São Paulo. Em 1953, promoveu o I Congresso de Literatura em Goiás. Sua ficção transformou o sertão e as relações sociais de Goiás em matéria literária, articulando linguagem popular, elaboração estética, conflitos fundiários, desigualdade, violência, relações de poder e experiências das populações do interior. Ermos e Gerais, O Tronco, Veranico de Janeiro e Chegou o Governador figuram entre os títulos centrais de sua produção. [1] [3] [4]


Obras e Produção Bibliográfica

A produção de Bernardo Élis abrange conto, romance, poesia, crônica, estudos históricos, ensaios, discursos e outros textos. [3] [4]

Contos

Ermos e Gerais: contos goianos — 1944.
Caminhos e Descaminhos — 1965.
Veranico de Janeiro — 1966; recebeu, ainda como original, o Prêmio José Lins do Rego em 1965. ³ ⁵
Caminhos dos Gerais — 1975.
André Louco — 1978.
Apenas um Violão — 1984. [3]

Romances e narrativa longa

O Tronco — 1956.
Chegou o Governador — 1987. [3]
A Terra e as Carabinas — produção ficcional posteriormente incorporada à Obra Reunida de Bernardo Élis[3]

Poesia

Primeira Chuva — 1955. [3]

Crônicas

Jeca Jica Jica Jeca — 1986. [3] [6]

Estudos, ensaios e outras publicações

Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional — 1973.
Goiás — 1976.
Vila-Boa de Goiás: aspectos turístico-históricos — 1979.
Os Enigmas de Bartolomeu Antônio Cordovil — 1980.
Goiás em Sol Maior — 1985. [3]

Discursos

Cadeira Um — 1983. [3]
Duo em Si Menor — 1983. [3]

Obra Reunida

Obra Reunida de Bernardo Élis — 1987, Coleção Alma de Goiás, José Olympio, em cinco volumes. A coleção reuniu contos, romances, crônicas, poesia, estudos, discursos e textos esparsos, incluindo Ermos e Gerais, Caminhos e Descaminhos, Veranico de Janeiro, O Tronco, A Terra e as Carabinas, Apenas um Violão, Chegou o Governador, Goiás em Sol Maior, Lucro e/ou Logro, Jeca Jica Jica Jeca, Os Enigmas de Bartolomeu Antônio Cordovil, Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional e Primeira Chuva[3]

Antologias e seleções

Presença Literária de Bernardo Élis — organização de Nelly Alves de Almeida, 1970.
Seleta de Bernardo Élis — organização de Gilberto Mendonça Teles, 1974.
Dez Contos Escolhidos — organização de Geraldo Vasconcelos, 1985.
Os Melhores Contos – Bernardo Élis — organização de Gilberto Mendonça Teles, 1996. [3]

Traduções

Ontem, como hoje, como amanhã, como depois foi publicado em inglês em Short Story International, em 1979, com tradução de Silas Curado. Domingo, três horas da tarde foi publicado em alemão em 1991, com tradução de Marianne Gareis. [3]

Observação bibliográfica

A bibliografia da Academia Brasileira de Letras apresenta um conjunto mais sintético de títulos, enquanto o levantamento acadêmico da Unicamp discrimina gêneros, edições, antologias, discursos, traduções e a Obra Reunida. A P.G Galeria adota o levantamento ampliado, preservando as distinções documentais entre obras autônomas, coletâneas, seleções e reunião posterior de textos. [3][4]


Academias e Instituições Literárias

Academia Brasileira de Letras

Bernardo Élis foi o quarto ocupante da Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 23 de outubro de 1975, sucedendo Ivan Lins, e tomou posse em 10 de dezembro de 1975, sendo recebido por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. [1][7]

Associação Brasileira de Escritores

Participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores em Goiás e foi eleito presidente da entidade. [1]

Universidade Federal de Goiás

Foi cofundador, vice-diretor e professor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás e posteriormente exerceu atividades docentes na instituição. [1][6]

Universidade Católica de Goiás

Atuou como professor de Literatura na Universidade Católica de Goiás. [1]

Instituto Nacional do Livro

Exerceu a função de diretor adjunto do Instituto Nacional do Livro, em Brasília, entre 1978 e março de 1985. [1]

Conselho Federal de Cultura

Foi nomeado membro do Conselho Federal de Cultura em 1986, permanecendo na instituição até sua extinção, em 1989. ¹

Academia Goianiense de Letras

Bernardo Élis é patrono da Cadeira nº 1 da Academia Goianiense de Letras. [8]

AC-CLAM

A memória de Bernardo Élis integra o patrimônio cultural e literário preservado em Corumbá de Goiás, com reconhecimento no âmbito da AC-CLAM — Academia Corumbaense de Ciências, Letras, Artes e Música. A documentação consultada registra a preservação de sua memória pela instituição, não sendo utilizada para afirmar que Bernardo Élis tenha sido membro da Academia. [9]


Premiações, Títulos e Distinções

Prêmio José Lins do Rego — 1965
Recebeu o prêmio pelo original de Veranico de Janeiro[1][5]

Prêmio Jabuti — 1966
Recebeu o Prêmio Jabuti por Veranico de Janeiro[1][2]

Prêmio Afonso Arinos
Concedido pela Academia Brasileira de Letras por Caminhos e Descaminhos[1][5]

Prêmio Sesquicentenário da Independência — 1972
Distinção relacionada a Marechal Xavier Curado, Criador do Exército Nacional[1]

Fundação Cultural de Brasília — 1987
Premiação pelo conjunto de sua obra. [1][2]

Instituto de Artes e Cultura de Brasília
Recebeu medalha da instituição. [1][2]


Produção Crítica e Pesquisa sobre a Obra

A obra de Bernardo Élis possui extensa fortuna crítica e permanece objeto de estudos nas áreas de Literatura, História, Sociologia, Linguística, memória, regionalismo e estudos culturais. Sua produção é examinada especialmente pelas relações entre literatura e sociedade, representação do sertão, conflitos pela terra, violência, linguagem regional e processos históricos de Goiás. Na Universidade Federal de Goiás, a dissertação de Rogério Max Canedo Silva, Por essas estradas o homem voa nas asas de sua fantasia: História e ficção em Chegou o governador, de Bernardo Élis, analisa as relações entre história e ficção na obra. [10] A Unicamp registra documentação bibliográfica que permite acompanhar sua produção publicada, antologias, traduções e outros elementos de sua circulação literária. [3]


Legado

Bernardo Élis ocupa posição central na literatura de Goiás e na projeção nacional da narrativa produzida no Brasil Central. Com Ermos e Gerais, publicado em 1944, inseriu de maneira decisiva o sertão goiano no panorama da ficção brasileira moderna. Sua produção transformou conflitos sociais, violência, desigualdade, relações de poder, disputas pela terra, oralidade e modos de vida do interior em matéria literária de forte densidade crítica. [1][5] Sua escrita não se limitou à representação regional. O espaço goiano tornou-se instrumento para examinar relações humanas, estruturas sociais e processos históricos brasileiros, contribuindo para ampliar a presença do Centro-Oeste no panorama da literatura nacional. A eleição para a Academia Brasileira de Letras, em 1975, consolidou institucionalmente uma trajetória já reconhecida pela crítica e por importantes premiações literárias. A permanência de sua obra em pesquisas universitárias e estudos críticos confirma sua relevância para a literatura brasileira. [1][7][10]


Texto Curatorial

Bernardo Élis integra a P.G Galeria – Legado como um dos nomes fundamentais da literatura goiana e brasileira do século XX. Nascido em Corumbá de Goiás, transformou o sertão, seus conflitos, sua linguagem, suas desigualdades e seus personagens em literatura de elevada força estética e crítica social. Contista, romancista, poeta, professor e intelectual, projetou a experiência histórica e humana do Brasil Central para além das fronteiras regionais. Autor de Ermos e Gerais, O Tronco, Veranico de Janeiro e Chegou o Governador, recebeu importantes premiações e alcançou reconhecimento nacional. Sua eleição para a Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras consolidou uma trajetória fundamental para a literatura, a memória e a formação cultural de Goiás. [1][3][7]


Fontes de Pesquisa e Validação

[1] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Biografia. ABL — Biografia de Bernardo Élis
[2] GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS — SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA. Entrevista com Bernardo Élis sobre adaptação de contos para o cinema. Secult Goiás — Bernardo Élis
[3] UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP. Remate de Males — Bibliografia de Bernardo Élis. Unicamp — Bibliografia de Bernardo Élis
[4] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Bibliografia. ABL — Bibliografia
[5] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Discurso de recepção a Bernardo Élis. ABL — Discurso de recepção
[6] UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. Centro de Estudos Brasileiros. Bernardo Élis. UFG — Bernardo Élis
[7] ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Bernardo Élis — Cadeira nº 1. ABL — Perfil acadêmico
[8] ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS. Bernardo Élis — Patrono. Academia Goianiense de Letras — Bernardo Élis
[9] PORTAL CORUMBÁ DE GOIÁS. Arte e Cultura — AC-CLAM e patrimônio cultural de Corumbá de Goiás. Portal Corumbá de Goiás — AC-CLAM
[10] UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. SILVA, Rogério Max Canedo. Por essas estradas o homem voa nas asas de sua fantasia: História e ficção em Chegou o governador, de Bernardo Élis. Repositório UFG — Pesquisa sobre Bernardo Élis


Classificação na P.G Galeria

Categoria: Legado
Período literário: Literatura brasileira do século XX
Gêneros: Conto, romance, poesia, crônica, ensaio e produção histórico-cultural
Palavras-chave: Bernardo Élis, Goiás, Corumbá de Goiás, sertão, regionalismo, literatura goiana, literatura brasileira, Cerrado, conflitos sociais, memória, história e linguagem.

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