quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Alfabeto Literário - R

 

Alfabeto Literário - R

  R - Reflexão

O olhar para dentro e para o mundo

Por José Tannús


        Visitando um museu, não me lembro onde, parei em frente a uma escultura de Rodin, famosa, “O Pensador”. É uma das expressões mais conhecidas da arte de pensar, de refletir. Me imaginei ali sentado, por dias e dias, vendo as pessoas chegarem, olharem, se extasiarem, e saírem. E eu ali... Pensando. Refletindo. Acho que não ficaria ali cinco minutos. Já seria o suficiente para fazer um turbilhão de revisões em minha vida. Por isso gosto de escrever. Pois escrevendo, penso e me liberto do pensamento.
       Quando um escritor envereda por este mundo do pensamento, ele deixa a caneta deslizar, o teclado quase que se auto movimenta, para que as letras sujem o branco papel de tinta. Dali vão aparecendo situações, personagens, suspense, humor. 
        Tenho a mania de não terminar meus escritos com uma conclusão formal. Gosto de deixar isso para o leitor. Ele, o leitor, é capturado e levado a refletir, a pensar. Senta-se num cantinho de sua casa, ao estilo da famosa escultura. O escritor não está ali naquele momento para ver como sua obra trabalhou a mente daquele leitor, mas de longe fica pensando: — O que devem estar pensando disso que eu escrevi? 
        Escrevendo, quase sempre parto de um fato cotidiano, de uma conversa que escuto em um restaurante, de um momento como este da visita ao museu, ou até mesmo na sala de espera de um consultório. Às vezes, o sorriso de uma criança nos captura o pensamento e  voa e ganha vida nos dedos, na caneta, no papel. Como uma varinha mágica de uma fada. É interessante que quase sempre aquela percepção vem realmente de dentro da gente, de coisas que se vive ou que se presencia e de alguma forma fazem parte deste pequenino universo do escritor. Tão espontâneo que muitas vezes ao terminar de escrever, pergunto-me como pode a mente humana ser tão espetacular e maravilhosa. O fato de imaginarmos e colocarmos para o mundo o nosso pensamento traz uma responsabilidade muito grande.
        A frase de Saint-Exupéry, “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”, faz-me refletir como o escritor se expõe e o quanto ele pode estar influenciando fora de seu mundo. 
        A reflexão, que parte de dentro e flui para o mundo, torna-o eternamente responsável, de alguma forma. E não interessa de que forma ele escolheu fazer. A reflexão pode parecer
como poema, poesia, prosa, ensaio ou crônica, sem rótulos ou caixinhas dizendo ser isso ou aquilo. Ela simplesmente é um momento de Rodin, que acontece com o escritor, que transborda para o mundo seu pensamento. Um pensamento que leva a refletir. Simples assim, mas não tão fácil. Eu gostaria de, qualquer dia desses, encontrar esse meu leitor, e sentados ao lado da escultura de Rodin, colocar a mão no queixo e dizer:
        É assim mesmo?

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Autor
José Antônio Ribeiro Tannús é engenheiro eletricista, professor, catequista e cronista brasileiro, cujos textos refletem profunda preocupação com a ética, a espiritualidade e os desafios da convivência humana na era digital. Natural de Uberlândia, Minas Gerais, é filho da professora Terezinha Ribeiro Tannús e do eletrotécnico Sebastião Guimarães Tannús. Nasceu em 21 de junho de 1959. Casado com D. Eliane há mais de 44 anos, tem três filhos e três netos. Especialista em engenharia e automação, traz dessa formação muitas comparações entre o cotidiano, a eletricidade e a informática. Professor universitário aposentado e catequista há quase trinta anos, faz de sua fé o alicerce de suas reflexões. Resumindo, José Tannús se descreve como alguém que prefere “crescer no silêncio” e manter-se no “caminho reto”, buscando extrair lições espirituais das situações cotidianas para promover o bem comum e a paz.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Alfabeto Literário - Q

 

Alfabeto Literário - Q

  Q — Questionamento:  Perguntas que abrem caminhos


A inutilidade desprovida de questionamentos

Rodriana Costa


    Sócrates acordou após o efeito da cicuta. Jaz um sábio. Assim, a viagem iniciou esgotando-lhe não só o corpo como a alma imortal. Atravessou o tempo, perpassou alguns séculos, chegou a lugares contestáveis: foi ao céu, visitou o purgatório, desceu ao inferno incrédulo, quis ficar no limbo, mas divagou no tempo. Sentia-se cheio de dúvidas, revia eras distintas, vasculhava seus próprios pensamentos, refletia incessantemente; concluindo que não sabia nada e confiante em encontrar algum ser humano mais sábio que um dia fora. Seguia sua missão que consistia em contestar o oráculo de Delfos. Acusá-lo-ia de mentiroso! Mas quem é o homem mais sábio de todos?

    Buscava a sabedoria em algum ser humano depois de acompanhar o desenvolvimento das sociedades... Ressignificava suas concepções e instaurava um problema filosófico: Haverá algum ser mais ou tão sábio quanto Sócrates?

    Desembarcou em uma estação de muitas informações. Uma enxurrada de textos, despencou diante de seus olhos. Assim que ouviu sobre a existência de um oráculo veloz a quem tudo respondia, teve impressão de que as pessoas do mundo ocidental tinham mais acesso ao conhecimento. Meio espirituoso, se dedicaria à sua busca. Encontraria o tal sábio. Esse seria dotado de humildade para reconhecer o conhecimento que advém da reflexão, que, por sua vez, precede dos questionamentos, ou seja, não se reconheceria como tal, nem se transverteria em falsa modéstia.

    Desde o oráculo, em tempos de filosofia em pórticos e jardins atenienses, o ser humano se respaldava em um conhecimento vindo de um ser imagético supremo que profetizava e atraia bons ou maus presságios. 

    Agora, Sócrates esbarrava em parafernálias tecnológicas, da automação às Inteligências denominadas por alguns de Superinteligência, sugerindo à sua superioridade mecânica ao intelecto humano. Deveria haver controvérsias! O filósofo jamais conceberia a existência de um cérebro de metal. Possível sugadores de cérebros humanos!

    Sócrates, em sua defesa diante de sua condenação à própria morte, tentando encontrar algum ser humano questionador e desprovido de superegos em diferentes âmbitos, deveria considerar a novidade a qual todos estavam rendidos. Súditos de uma moral encruada. Ele, o filósofo, argumento diante de todos no tribunal:

    “Querofonte foi a Delfos e ousou perguntar ao oráculo se havia alguém mais sábio do que eu [...] A sacerdotisa Pítia respondeu que não havia homem mais sábio”. 

    Na estação XIX, verificaria a atuação feminina, valentes amazonas, reivindicam o seu protagonismo. Ficara absurdamente encantado. Motivou-se buscar nas praças, homens e mulheres que questionam a vida e suas certezas, mas se decepcionava a cada poeta questionado, a cada governante consultado. Não encontrou artesãos como os de outras estações, mas havia oradores, um tanto presunçosos: “todos trágicos, ditirâmbicos e de todos os tipos”.

     Ao perceber que as praças de outrora estavam dentro de aparelhos acoplados em corpos humanos, que podiam ser acessados de qualquer lugar do mundo, a qualquer momento, Sócrates não se fez rogado diante de uma estação fadada ao fracasso. Não ofereceria clemência ou piedade a estação anestesiada.

    Diferentemente do oráculo de outrora, esse podia ser perguntado sem nenhum ritual ou preparo prévio. Assim, Sócrates se regozijou com a satisfação da possibilidade de encontrar um sábio dentre todos os habitantes do planeta.

    Deve apertar as teclas do aparelho de busca ou somente falar o que deseja saber. 

    Pergunte e haverá respostas rapidamente. Essa é uma era da rapidez. De tendências, em que fora dessas praças digitais, ninguém percebe ou é perturbado pelo outro. Disse um homem resguardado em sua própria menoridade.

    Mas para o filósofo, nada lhe interessaria, se não fosse para a aquisição de sabedoria. Durante a sua viagem até a estação XXI, se rendeu, contemplativo, à estação XX, com a obra O idiota, de Dostoievsky, sem titubear, elencou a condição do ser humano como um tema filosófico. O príncipe Míchkin, verdadeiramente, sabe e não se diz saber, mas se questiona a todo tempo. Suspeitava ser esse um sábio.

     Da mesma maneira, de olhar estreito, observava como a sociedade mudou seus costumes, seus comportamentos, suas vestimentas, mas ainda assim, continuava sendo a mesma, com exceção da estação XXI. Assim, examinaria O mentecapto, de Fernando Sabino, como uma figura sábia que não desprezava o questionamento e nem se submetia aos aparelhos ideológicos do discurso.

     Esses, pensava o filósofo, são sujeitos que não se curvam à tendência de “inteligência”. Que não terceirizam seus intelectos provenientes de suas próprias capacidades de pensar, refletir e criar.

    Absorto, na estação XXI, tentava compreender o mundo dividido entre mentes de carne e mentes de metal. Escutava confuso: é feito por humanos de verdade? Esse é humano? Tem garantia de ter sido produzido por humanos? É real ou artificial? Tais questionamentos, colocavam em confronto tudo que havia pensado e ensinado sobre humanidade. Sabia que definitivamente, nada sabia.

    Então pediu para o homem que continuava distraído, de olhos fixados na tela reluzente do tal oráculo, para consultar quem era o mais sábio de todos os tempos. 

    “Não existe um único homem considerado o mais sábio de todos os tempos, pois a resposta depende da tradição religiosa, filosófica ou cultural que você consulta.”

    Satisfeito com a resposta, desejou voltar ao tempo em que foi levado ao tribunal para reafirmar sua tese inicial: de que não poderia ser o homem mais sábio. E constataria que os atenienses ganhariam, de fato, uma imensa e duradoura má fama por terem condenado à morte o sábio Sócrates. O julgamento e a execução por envenenamento (cicuta) em 399 a.C. transformaram-se historicamente no maior símbolo dos perigos da intolerância ideológica e dos excessos da própria democracia.

Então, se sentindo vingado e cheio de razão, desejou nunca ter saído do limbo! 


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Autores e obras
[1] Rodriana Costa. Escritora, entusiasta das artes. Escreve contos e crônicas publicados em sites, coletâneas e livros. Destaca-se “Minha amiga Esmeralda”, conto que compôs a “Antologia Mulheres em seus Destinos”, publicada em Cabo Verde. Em 2022, publicou o livro “Aromas e Memórias: contos” e em 2025, o livro de contos “Casulo da Borboleta”. É doutora em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB/Universtià de Pescara (Itália). É Mestre em Linguística e Língua Portuguesa e graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é docente no ensino superior, coordena e atua em projetos literários e Vice-presidente da UBE-seção Goiás. Site da autora:
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - P


Alfabeto Literário - P

  P — Poesia:  


Ler poesia pra quê?


    Por muito tempo, desde as minhas primeiras leituras de poesia que respondo a esse tipo de questão do título. Com o passar do tempo, treinei minha mente a esquecer esse tipo de tautologia e passei a responder com dois textos, antes de argumentar que, caia chuva ou faça sol (neve, então, ainda mais!) continuarei lendo poesia. O primeiro é do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser e o segundo, do alemão Martin Heidegger (falando sobre a poesia em geral e, especificamente, sobre a poesia de Hölderlin,1940-1960). Volto comentando depois, se mais houvesse pra dizer.

    I

    “Nem sempre estamos cientes do que devemos à poesia, no sentido lato da palavra: quase tudo que percebemos e vivenciamos. Fazer poesia é a produção de modelos de experiência, e sem tais modelos não poderíamos perceber quase nada”. Ficaríamos anestesiados e teríamos de – submetidos aos nossos instintos atrofiados – cambalear cegos, surdos e insensíveis. Os poetas são nossos órgãos do sentido. Nós vemos, ouvimos, sentimos sabores e cheiros devido aos modelos que nos são apresentados pelos poetas. Nós percebemos o mundo por meio desses modelos.

    “Os poetas criaram esses modelos e não os imitaram a partir daquilo que se encontrasse desmodelado e bruto em algum lugar. Quando vemos cores, seja por meio de Van Gogh ou de uma Kodak; [atenção, leitor, que Vilém Flusser ainda atualíssimo em 1987] quando ouvimos sons, seja o de Bach ou de um rock; quando sentimos sabores, seja o de um Brillat-Savarin ou de um fast-food; essas cores, sons e sabores são como são não porque vêm da Natureza assim, mas porque são culturais, isto é, porque foram poeticamente elaborados por um motivo fundamental de alguma forma não percebido naturalmente. Se tentássemos escrever uma história da percepção a partir da hipótese de que as cores são percebidas de maneira diferente antes e depois de Van Gogh, ela seria uma história da estética, da experiência.” (Vilém Flusser).

    II

    “A poesia é o nomear que institui o ser e a essência de todas as coisas, não um dizer qualquer, mas aquele graças ao qual apenas se mostra à abertura tudo o que nós depois discutimos e tratamos na linguagem de todos os dias. Por isso, a poesia não toma jamais a linguagem como um material já presente, mas é somente a poesia mesma a tornar possível a linguagem. A poesia originária de um povo histórico. E, portanto, vice-versa, a essência da linguagem que será compreendida a partir da essência da poesia” (Martin Heidegger, 1889-1976).

    O que dizer depois desses dois pensamentos fundantes? O uso da poesia parece ser posto no terreno da inutilidade cotidiana diante de um mundo que já passou pelo Holocausto e pelo terrorismo de âmbito mundial movido pelo fanatismo religioso.

    Porém, é a poesia também tábua de salvação para muitos homens e mulheres que olham o mundo e diante dele se sentem sem rumo, sem solução diante do problema do ser e do Tempo. É preciso convocar um poeta e não um filósofo para me ajudar a responder pelo atestado de vida da poesia.

    A poesia é a mais condensada forma de expressão verbal, afirma Ezra Pound. Devemos aprender que a poesia antecede ao poema e este (como a boa prosa) pode se basear numa das três saídas: fanopeia, melopeia ou logopeia. Qualquer dos caminhos tomados pode levar o poeta (ou prosador) a bons e maus resultados.

    Uma contradição do mundo atual foi apontada pela professora Goiandira Ortiz: “a literatura, especialmente a poesia, exige um modo de ler que o contexto atual dificulta com sua velocidade de comunicação, de apelos visuais e ruídos, jogando o sujeito para fora de si, não permitindo tempo espaço para uma disponibilidade de silêncio interior”.

    Somente esse “silêncio interior”, esse mutismo pensante, essas meditações, em meio às turbulências do mundo hodierno, só o silêncio, dizia, pode nos conceder o dom e a graça de ler e fazer poesia, em meio ao furacão midiático. Vilém Flusser alertava para os desgastes que a tecnologia e a pressa das rotinas no mundo poderiam impor não só à Poesia, mas à Escrita em geral.

    Por isso, encerro citando a poetisa polonesa Wislawa Szymborska que creio deu o diagnóstico preciso: “Alguns gostam de poesia. Alguns – ou seja, nem todos. Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria. Sem contar a escola onde é obrigatório e os próprios poetas seriam talvez uns dois em mil.”



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Autores e obras
Adalberto de Queiroz: (Goiânia, 5/2/1955) é jornalista e poeta. Estudou Física na Universidade Federal de Goiás e Comunicação Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde frequentou círculos literários e conviveu com autores como Dyonélio Machado, Caio Fernando Abreu e Moacyr Scliar. Mais tarde, concluiu pós-graduação em Marketing e especialização em Estudos Medievais na Universidade do Novo México, formações que dialogam com seu interesse tanto pela tradição quanto pela circulação contemporânea do texto.
Autor de livros de poesia, crônica e ensaio, publicou títulos em que a lírica se cruza com a reflexão sobre o ato de escrever e ler. Sua estreia, Frágil Armação (1985), foi seguida por Destino Palavra, O Rio Incontornável, Os Fios da Escrita, Cadernos de Sizenando, Entrelinhas (Perfis literários), e Entre Esplendores e Misérias (crônicas). O mais recente: Cantos(poesia)”, 2026, prêmio bolsa de publicações Leodegária de Jesus-2024. Sua obra retoma memória, leitura e tradição, com atenção a formas e procedimentos de anotação e comentário. O percurso de Queiroz articula poesia, crônica e ensaio, aproximando gêneros e épocas — e, nesse movimento, consolida uma presença própria e reconhecível na literatura brasileira contemporânea.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - O

Alfabeto Literário - O

  O — Obra:  

o legado do autor

Por Raquel Machado

    O que é uma obra? Talvez, à primeira vista, seja apenas um conjunto de palavras organizadas em páginas, uma história que nasce da imaginação, um poema que traduz emoções, um romance que conduz o leitor por caminhos inventados ou, ainda, uma narrativa que registra acontecimentos que um dia foram vividos. Mas uma obra literária é muito mais do que aquilo que os olhos conseguem enxergar. Ela carrega uma parte invisível de quem a escreveu: seus sentimentos, suas inquietações, suas memórias, seus sonhos e a maneira particular como esse autor olha para o mundo.

    Escrever uma obra é, de certa forma, deixar uma marca no tempo. O escritor recolhe aquilo que a vida lhe oferece — encontros, perdas, descobertas, silêncios, alegrias, dores, perguntas — e transforma tudo em linguagem. Às vezes, escreve sobre aquilo que viveu. Outras vezes, sobre aquilo que imaginou, desejou ou temeu. Há ainda aquilo que não consegue explicar, mas que encontra nas palavras uma possibilidade de existir. A literatura nasce, muitas vezes, desse lugar em que a experiência humana procura uma forma para se expressar.

    Uma obra pode começar com uma lembrança aparentemente pequena: uma voz, um cheiro, uma paisagem, uma conversa, um objeto guardado durante anos. Pode nascer de uma pergunta que insiste em permanecer sem resposta. Pode surgir de uma indignação, de um encantamento ou simplesmente da necessidade de contar uma história. O escritor transforma esses fragmentos em algo novo, oferecendo ao leitor a possibilidade de reconhecer, nas palavras de outra pessoa, sentimentos que também habitam sua própria existência.

    Por isso, uma obra é também expressão de sentimentos. Mesmo quando o texto é ficcional, existe nele alguma verdade emocional. O escritor coloca na criação uma maneira de sentir, de perceber, de compreender ou de questionar a vida. As personagens podem não existir, os lugares podem ser inventados e os acontecimentos podem pertencer ao universo da imaginação, mas as emoções que atravessam essas páginas são profundamente humanas. O medo, o amor, a saudade, a esperança, a solidão, a coragem e a alegria encontram na literatura um espaço para permanecer.

    Quando uma obra é concluída, entretanto, ela deixa de pertencer somente ao seu autor. As páginas são entregues ao mundo. Cada leitor passa a construir uma relação própria com aquela história. Uma mesma personagem pode despertar sentimentos diferentes em pessoas diferentes; uma frase pode tocar alguém de maneira inesperada; uma narrativa pode provocar uma lembrança que o próprio escritor jamais imaginou despertar. É nesse encontro entre quem escreve e quem lê que a obra ganha novas possibilidades de existência.

    Nesse sentido, escrever é também oferecer uma herança ao mundo. Não necessariamente uma herança material, mas algo que pode atravessar gerações: pensamentos, histórias, sensibilidades, perguntas e emoções. O autor parte um dia, mas suas palavras podem continuar encontrando leitores. Uma obra pode sobreviver ao tempo justamente porque registra algo essencial sobre o ser humano e sobre a época em que foi criada. Ela se torna testemunho de uma existência, de uma visão de mundo e de uma necessidade de dizer.

    A literatura tem esse poder de guardar aquilo que poderia desaparecer. Guarda vozes, costumes, sentimentos, acontecimentos e modos de enxergar a realidade. Em suas páginas, o passado pode conversar com o presente e o presente pode deixar pistas para o futuro. Uma obra literária não impede que o tempo passe, mas cria uma espécie de resistência ao esquecimento.

    Talvez seja por isso que escrever seja uma forma tão bonita de permanecer. Não se trata apenas de desejar ser lembrado, mas de compartilhar alguma coisa que possa fazer sentido para alguém. O escritor oferece ao leitor uma parte de si, mas recebe, em troca, a possibilidade de continuar existindo em outras sensibilidades, em outras histórias e em outras leituras.

    E há, ainda, uma dimensão profundamente humana na criação literária: a obra pode ser uma celebração da vida. Mesmo quando fala de sofrimento, perdas ou momentos difíceis, a literatura afirma que aquilo que foi vivido merece ser narrado. Escrever é reconhecer que cada existência é feita de acontecimentos que merecem significado. É transformar a passagem do tempo em memória e a experiência em palavra.

    Celebrar a vida por meio de uma obra não significa ignorar suas dores. Pelo contrário. Significa olhar para elas, dar-lhes nome e, quando possível, transformá-las em alguma forma de beleza. A literatura pode fazer nascer esperança justamente onde antes havia apenas silêncio. Pode transformar uma ferida em narrativa, uma lembrança em poesia, uma experiência em aprendizado.

    Assim, uma obra literária não é somente aquilo que o autor escreve. É também aquilo que permanece depois da escrita. É o sentimento que atravessa as páginas, a pergunta que continua ecoando, a lembrança que desperta, a emoção que encontra um leitor muitos anos depois.

    Uma obra é, portanto, palavra e memória; imaginação e experiência; presença e permanência. É a maneira encontrada pelo escritor para dizer ao mundo: eu estive aqui, eu senti, eu pensei, eu sonhei, eu vivi.

    E talvez essa seja uma das maiores riquezas da literatura: transformar a existência em palavra para que a palavra possa, de algum modo, continuar celebrando a vida.


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Autores e obras

Raquel Machado: Pedagoga, historiadora e mestre em História. Professora e escritora, publicou três livros para crianças. Em sua dissertação de mestrado, pesquisou os santeiros goianos a partir de Veiga Valle, trazendo à luz artistas do século XIX que permaneceram no anonimato e valorizando suas obras. Mãe, apaixonada por plantas e bichos, gosta de viajar e, nas horas vagas, é mãe de plantas e de pet. Escrever é sua paixão e uma forma de criar, sentir e compartilhar histórias.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Alfabeto Literário - N


Alfabeto Literário - N

  N — NARRATIVA:  

a arte de contar histórias - muito mais do que o tamanho do texto.

Por Patrícia.Gabriel

    Durante muito tempo, difundiu-se uma explicação simples: conto é curto, novela tem extensão intermediária e romance é longo. A fórmula é útil, no entanto insuficiente. A extensão do texto participa de sua configuração, mas não constitui, isoladamente, critério capaz de defini-las (SCALIA, 2023; FRANK, 2023).
    Conto, novela e romance pertencem ao campo narrativo e podem compartilhar narrador, personagens, conflito, tempo, espaço e enredo. O que muda é a maneira como esses elementos se organizam. Em outras palavras, a diferença está menos na quantidade de páginas e mais na arquitetura narrativa. O conto tende à concentração. Sua força nasce da seleção rigorosa: poucos elementos precisam produzir alta intensidade de sentido. Isso não significa que deva ter apenas um personagem, um único espaço ou um acontecimento isolado. Significa que seus componentes tendem a convergir para um núcleo dominante. A teoria contemporânea do conto continua destacando justamente sua condensação formal, ao mesmo tempo que reconhece a diversidade histórica assumida pelo gênero (SCALIA, 2023; ZAVALA; BOTOSO, 2026).
    Um conto pode atravessar vinte anos em poucas páginas, desde que o tempo seja condensado por elipses e apenas os momentos decisivos sejam trazidos à cena. Sua economia não é pobreza; é construção estética. Por isso, podemos pensá-lo por quatro ideias: concentração, seleção, economia e intensidade.
    A novela ocupa um território mais complexo, sua faixa de extensão não define sua poética uma vez que a novela possui tradições e configurações formais próprias (FRANK, 2023; MUOIO, 2025; FRANK, 2026). Ao permitir maior desenvolvimento das ações e das personagens, a novela preserva forte unidade em torno de um eixo central. Seu princípio característico pode ser compreendido como progressão: um acontecimento desencadeia outro, produzindo consequências, deslocamentos e transformações. Há expansão, mas ainda sob relativa concentração estrutural. Se o conto concentra, a novela desenvolve.
    O romance, por sua vez, distingue-se pela ampla possibilidade de expansão. Pode articular diferentes núcleos de ação, tempos, espaços, perspectivas, personagens e conflitos. Pode acolher subtramas, digressões, vozes diversas e outros gêneros discursivos, ampliando significativamente a construção do mundo ficcional (WRIGHT, 2024). Existem romances breves, romances concentrados em um único dia e romances construídos em torno de poucas personagens. O que importa não é simplesmente a extensão material, mas a organização e a amplitude estrutural que a obra mobiliza.
    Se o conto concentra e a novela desenvolve, o romance expande. Essa tríade — concentração, progressão e expansão — é mais produtiva do que a sequência escolar “curto, médio e longo”. Ela ajuda o escritor a compreender que a forma narrativa não é um recipiente de tamanho predeterminado, mas uma estratégia de construção.
    Imagine uma mesma situação: uma mulher volta à cidade natal depois de vinte anos para o funeral da mãe.
1. Num conto, poderíamos acompanhar apenas as duas horas do funeral e uma revelação capaz de alterar toda a memória daquela relação.
2. Numa novela, o funeral poderia desencadear uma cadeia de acontecimentos: reencontro com a irmã, descoberta de cartas, investigação, confronto familiar, revisão do passado.
3. Num romance, o retorno poderia abrir vários núcleos: a infância da protagonista, a história da mãe, os irmãos, a cidade, o casamento, os segredos familiares e diferentes perspectivas sobre os mesmos acontecimentos.
    O ponto de partida é idêntico. O que muda é a forma de organizar o mundo narrado. Por isso, o número de páginas deve ser entendido como indicador secundário. A paginação depende inclusive de formato, fonte, entrelinha e projeto gráfico — fatores que evidentemente não modificam o gênero literário de uma obra. A própria discussão recente sobre a novela evidencia os limites de estabelecer fronteiras genéricas apenas pela contagem de palavras (FRANK, 2023; 2026).
    Para quem escreve, portanto, a pergunta mais fértil não é quantas páginas esta história terá?, mas de que forma esta história precisa ser contada? A escolha consciente do gênero começa quando o escritor percebe o que sua narrativa pede: concentração, progressão ou expansão.
O tamanho mede o texto. A arquitetura revela a narrativa.


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Autores e obras
Patrícia.Gabriel
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FRANK, Morgan Day. Notes on the novella. *Novel: A Forum on Fiction*, v. 56, n. 1, p. 105–127, 2023. DOI: 10.1215/00295132-10251280.
FRANK, Morgan Day. Theory of the novella? *New Literary History*, v. 56, n. 4, p. 745–769, 2026.
MUOIO, Ilaria. *La novella dal 1890 al 1929: tipologie, apparati editoriali, modelli di lettura*. Firenze: Firenze University Press; Siena: USiena Press, 2025.
SCALIA, Daniele. O gênero conto: principais teorias e situação no Brasil. *Anuário de Literatura*, Florianópolis, v. 28, p. 1–18, 2023. DOI: 10.5007/2175-7917.2023.e92854.
WRIGHT, Daniel. *The Grounds of the Novel*. Stanford: Stanford University Press, 2024. DOI: 10.1515/9781503637566.
ZAVALA, Lauro; BOTOSO, Altamir. Breve história da teoria do conto. *Fólio — Revista de Letras*, v. 17, n. 1, p. 811–837, 2026. DOI: 10.22481/folio.v17i1.18739

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Alfabeto LITERÁRIO - M

 

Alfabeto Literário - M

Memória: o que nos constitui

 As memórias são muito mais do que simples lembranças do passado. Elas constituem quem somos, influenciam nossas escolhas, moldam nossos relacionamentos e orientam nosso modo de compreender o mundo. Se a memória pudesse falar, talvez dissesse: "Eu sei o que você fez. Eu vi o que você viu, ouvi o que você ouviu, guardei o perfume que marcou sua infância, o sabor do prato que despertava alegria, as palavras de amor e também os silêncios que feriram. Conservei verdades, ilusões e até aquilo que você acreditou ter esquecido." Desde a vida intrauterina, quando o cérebro inicia sua extraordinária trajetória de desenvolvimento, somos continuamente constituídos pelas experiências que registramos. De certa forma, somos a história que nossas memórias contam.

Opa! Um momento! A memória é apenas um arquivo de acontecimentos?

De forma alguma. Ela participa ativamente da construção da identidade, das emoções, da fé, das decisões e dos hábitos. Carregamos informações herdadas de nossos ancestrais e, ao longo da vida, acrescentamos novas experiências que influenciam nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. Cada aprendizado fortalece conexões entre neurônios, transformando nosso cérebro de maneira contínua. Descobertas científicas recentes demonstram que determinadas proteínas, como PKMζ e KIBRA, atuam na estabilização das memórias de longa duração, permitindo que elas permaneçam preservadas por décadas. Estudos mais recentes também apontam avanços promissores relacionados à regeneração cérebro-vascular, ampliando nossa compreensão sobre a plasticidade cerebral e a possibilidade de preservar ou recuperar funções cognitivas.

Embora a inteligência artificial seja capaz de aprender, reconhecer padrões, resolver problemas e produzir conteúdos sofisticados, ela opera a partir de informações produzidas por seres humanos. O cérebro humano, porém, vai muito além do processamento de dados: ele atribui significado às experiências, conecta emoções, valores, espiritualidade e consciência. Por isso, compreender como nossas memórias são formadas e como influenciam nossas atitudes talvez seja uma das tarefas mais importantes da existência.

Vale perguntar: o que você tem escolhido gravar em sua memória? Suas palavras refletem esperança ou desesperança? Gratidão ou ressentimento? Você investe recursos financeiros para construir patrimônio e garantir segurança para o futuro. Por que não investir também em memórias saudáveis, capazes de produzir prosperidade, equilíbrio e felicidade? De pouco adianta transformar apenas a aparência física se antigas memórias emocionais continuam determinando comportamentos, medos e sofrimentos.

Durante muito tempo acreditamos que a memória servia apenas para aprender conteúdos escolares ou decorar informações. Hoje sabemos que ela governa praticamente todos os aspectos da vida. É ela que influencia nossas escolhas, nossos vínculos afetivos, nossa forma de enfrentar desafios e até mesmo nossa percepção sobre Deus, sobre nós mesmos e sobre o futuro.

O livro O Poder das Memórias é um convite para olhar para suas memórias com novos olhos. Não para permanecer preso ao passado, mas para compreender que ele não precisa determinar o amanhã. As memórias fazem parte daquilo que nos constitui, mas seu significado pode ser transformado. Ao ressignificá-las, abrimos espaço para desenvolver nosso potencial, fortalecer nossa saúde, ampliar nossa capacidade de amar e construir uma vida mais plena. Afinal, nossas memórias registram nossa história, mas somos nós que escolhemos qual história desejamos continuar escrevendo.


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Autores e obras

[1] Marislei Espíndula Brasileiro é Doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina - UFG, Doutora em Ciências da Religião pela PUC, Mestre em Saúde Pública pela FE/UFMG, Especialista em Educação e Cultura. Enfermeira pela UFG. Escritora, palestrante e professora dos cursos de medicina e enfermagem. Presidente da Academia Goianiense de Letras, ocupando a cadeira Nº 3 - Cora Coralina. Possui 40 livros publicados (10 romances e 30 livros científicos). Casada com Emídio Silva Falcão Brasileiro, tem um casal de filhos e reside em Goiânia desde 1977..

[2] Imagem 12m:pgeditora58078477000170.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

LÊDA SELMA

P.G GALERIA — CONTEMPORÂNEOS

LÊDA SELMA 

DADOS BIOGRÁFICOS

Nome completo: Lêda Selma de Alencar
Nome literário: Lêda Selma
Naturalidade: Urandi (BA)
Radicação: Goiânia (GO)
Atuação: poeta, escritora, cronista, contista, professora e agente cultural.

Lêda Selma nasceu em Urandi, no sertão baiano, e mudou-se para Goiânia aos dois anos de idade. Em Goiás construiu sua formação, sua trajetória profissional e sua carreira literária, estabelecendo profunda vinculação com a cultura do Estado. Essa relação foi reconhecida institucionalmente com a concessão dos títulos de Cidadã Goianiense, em 2000, e Cidadã Goiana, em 2008.

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FORMAÇÃO ACADÊMICA

  • Graduada em Letras Vernáculas pela então Universidade Católica de Goiás, atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).
  • Pós-graduada em Linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

    Sua formação em Letras e Linguística relaciona-se diretamente à elaboração de uma produção caracterizada pelo trabalho com a linguagem, musicalidade, experimentação formal e trânsito entre diferentes gêneros literários.

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TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

    Lêda Selma exerceu o magistério durante vários anos, atuando como professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Paralelamente à docência, desenvolveu extensa atividade como escritora e cronista. Durante 21 anos manteve publicação semanal de crônicas no jornal Diário da Manhã, em Goiânia. Sua trajetória também inclui intensa participação institucional, contribuindo para a promoção, preservação e circulação da literatura e da cultura produzidas em Goiás.

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TRAJETÓRIA LITERÁRIA

    A produção de Lêda Selma desenvolve-se principalmente na poesia, no conto e na crônica, alcançando também textos ensaísticos e memorialísticos. Uma característica singular de sua escrita é o trânsito entre gêneros. A própria autora emprega a denominação “cronto” para determinados textos que conjugam características da crônica e do conto. Sua produção literária possui significativa recepção crítica e acadêmica e tornou-se objeto de estudos sobre poesia, narrativa, imaginário, memória, linguagem, identidade e experimentação de gêneros.

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OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

    O levantamento bibliográfico da P.G Galeria identificou os seguintes títulos e projetos editoriais autorais ou em coautoria, incluindo reunião de obra e edição artística:

Poesia

  1. Das sendas à travessia — 1986.

  2. A dor da gente — 1988.

  3. Fuligens do sonho — 1990.

  4. Migração das horas — 1991.

  5. Silencios de viento y mar — 2003, edição bilíngue português/espanhol, em parceria com Lygia de Moura Rassi.

  6. À deriva — 2005; com edição posterior.

  7. Sombras e Sobras — 2007.

  8. De sinas e ceias — 2012.

  9. Baralho Poético — 2014; com edição posterior, em parceria com Maria Helena Chein.

  10. Travessias e travessuras — Poemas — 2022, volume de reunião de sua produção poética.

Contos, crônicas e “crontos”

  1. Pois é, filho... — 1997.

  2. Nem te conto...! — 2000.

  3. Até Deus duvida — 2002; com edições posteriores.

  4. Hum... sei não! — 2005; com edição posterior.

  5. Eu, hem?! — 2008.

  6. Sortidos e requentados — 2009.

  7. Mexidos e remexidos — 2011.

  8. Afinal, cadê a sogra?! — 2024.

  9. Ou casa ou desocupa a noiva — publicação identificada em sua bibliografia recente.

  10. Assombração — 2025, edição em livro-arte, realizada em diálogo com as artes visuais.

Ensaio, memória e outras modalidades

  1. Erro médico: uma ferida social — 1991.

  2. Travessia para a eternidade — 2019, obra de caráter ensaístico e memorialístico, reunindo textos dedicados a personalidades da cultura.

    Além dos livros individuais e projetos editoriais relacionados acima, Lêda Selma possui textos publicados em antologias, periódicos, jornais e coletâneas. A bibliografia deve permanecer aberta à incorporação de títulos ou edições que venham a ser documentalmente localizados. O levantamento da P.G Galeria não considera automaticamente diferentes edições de uma mesma obra como novos títulos.

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ACADEMIAS E INSTITUIÇÕES LITERÁRIAS

Academia Goiana de Letras — AGL: 

    Membro titular desde 2000, onde ocupa a Cadeira nº 14. Exerceu anteriormente a presidência da Academia Goiana de Letras em dois mandatos e foi a segunda mulher eleita presidente da instituição. Em 2022, a Academia Goiana de Letras dedicou seu Ano Cultural à escritora, promovendo estudos e atividades relacionados à sua vida e obra. Em janeiro de 2026, Lêda Selma assumiu novamente a Presidência da Academia Goiana de Letras, para o biênio 2026–2028.

União Brasileira de Escritores — Seção Goiás — UBE-GO

    Integra a União Brasileira de Escritores — Seção Goiás, onde sua atuação literária é identificada nos campos da poesia, crônica e conto.

Outras instituições

    Possui vinculação documentada à Associação Goiana de Imprensa e participação em outras iniciativas e entidades relacionadas à literatura e à cultura de Goiás.

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PREMIAÇÕES, TÍTULOS E DISTINÇÕES

Entre os reconhecimentos documentalmente identificados estão:

  • Título de Cidadã Goianiense — 2000.

  • Título de Cidadã Goiana — 2008.

  • Troféu Jaburu — 2020.

  • Ano Cultural Lêda Selma — Academia Goiana de Letras, 2022. 

    O Troféu Jaburu constitui uma das principais distinções culturais de Goiás e reconheceu sua contribuição à literatura e à cultura do Estado.

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PRODUÇÃO CRÍTICA E PESQUISA SOBRE A OBRA

    A produção literária de Lêda Selma possui recepção crítica e acadêmica documentada. O Ano Cultural Lêda Selma, realizado pela Academia Goiana de Letras em 2022, estimulou a realização de estudos, palestras e análises de sua obra. Parte dessa produção crítica foi posteriormente reunida em dossiê da Revista Guará — Revista de Linguagem e Literatura, vinculada à PUC Goiás.

    Sua literatura foi objeto de trabalhos de escritores e pesquisadores como Gilberto Mendonça Teles, Edival Lourenço, Itaney Francisco Campos, Maria Helena Chein, Ademir Luiz, Raquel Naveira, Darcy França Denófrio e Maria de Fátima Gonçalves Lima. A existência de produção crítica específica demonstra sua inserção tanto no campo da criação literária quanto nos estudos acadêmicos sobre a literatura produzida em Goiás.

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LITERATURA E OUTRAS ARTES

    A obra de Lêda Selma também estabelece diálogo com outras linguagens artísticas. Em 2025, seu conto Assombração foi transformado em livro-arte em iniciativa relacionada à Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. A publicação articulou literatura, artes visuais e serigrafia, incorporando elementos do imaginário e do folclore goianos.

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DOCUMENTÁRIO E MEMÓRIA

    A vida e a produção literária de Lêda Selma foram registradas no curta-metragem Lêda Selma: Trajetórias, Desenhos e Voos – Fazedora de Poesias, dirigido por Nelson Santos e produzido com apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás. O documentário reúne depoimentos e registros relacionados à escritora e constitui fonte audiovisual de preservação e divulgação de sua trajetória literária.

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PRESENÇA PÚBLICA E CULTURAL

    Lêda Selma mantém participação ativa na vida literária e institucional de Goiás. Sua atuação compreende encontros literários, lançamentos, palestras, atividades acadêmicas, projetos culturais, produção para a imprensa e iniciativas de promoção da literatura. A presidência da Academia Goiana de Letras no biênio 2026–2028 acrescenta à sua produção autoral uma atuação contemporânea de liderança institucional e preservação da memória literária.

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CONTEMPORANEIDADE

    Lêda Selma ocupa posição de destaque na literatura goiana contemporânea pela extensão de sua produção, pela continuidade de sua atuação, pela recepção crítica de sua obra e pela participação institucional. Embora nascida na Bahia, chegou a Goiânia ainda na infância e construiu em Goiás sua formação intelectual e sua trajetória literária. Sua integração à história cultural do Estado foi reconhecida oficialmente pelos títulos de Cidadã Goianiense e Cidadã Goiana.

    Sua produção atravessa décadas sem se restringir a um único gênero. Poesia, conto, crônica, “cronto”, memória e experimentação literária constituem diferentes dimensões de uma mesma trajetória. O Troféu Jaburu, o Ano Cultural Lêda Selma, a produção acadêmica dedicada à sua literatura, o documentário sobre sua trajetória, o diálogo de seus textos com as artes visuais e sua atual presidência da Academia Goiana de Letras evidenciam a permanência e a circulação de sua obra.

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TEXTO CURATORIAL

    Lêda Selma integra a P.G Galeria – Contemporâneos como uma das vozes de referência da literatura produzida em Goiás. Poeta, cronista, contista, professora e agente cultural, construiu no Estado uma trajetória marcada pela musicalidade da palavra, pela experimentação dos gêneros e pela valorização da cultura goiana. Sua extensa produção atravessa décadas e permanece em circulação por meio de novas edições, estudos acadêmicos, adaptações artísticas e projetos de preservação de sua memória. Agraciada com o Troféu Jaburu e presidente da Academia Goiana de Letras no biênio 2026–2028, Lêda Selma mantém presença ativa na criação, preservação e circulação da literatura de Goiás.

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FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Governo do Estado de Goiás — Secretaria de Estado da Cultura.
  • Academia Goiana de Letras — AGL.
  • Universidade Federal de Goiás — UFG.
  • Pontifícia Universidade Católica de Goiás — PUC Goiás.
  • Revista Guará — Revista de Linguagem e Literatura.
  • União Brasileira de Escritores — Seção Goiás — UBE-GO.
  • Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.
  • Registros bibliográficos e editoriais das obras.
  • Produção crítica e acadêmica dedicada à vida e à obra de Lêda Selma.
  • Registros recentes de imprensa cultural utilizados para atualização bibliográfica.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Alfabeto Literário - L

Alfabeto Literário - L

Leitura: o encontro que transforma

  L de ler, leitor, livro, livraria

A letra L tem uma história longa. Remonta aos egípcios, passando pelos fenícios, gregos e chegando aos romanos que apenas copiaram dos gregos a forma estrutural que usamos até hoje. Inicialmente chamada de “lamed” que queria dizer bastão ou aguilhão. Uma curiosidade linguística ou fonética: o som de L é chamado de "lateral", pois é quando o ar sai pelos lados da língua. Talvez, por isso palavras com L dão certa sensação de leveza: lua, luz, lar, lago.

Para quem gosta ou entende de numerologia, na numerologia romana L = 50. Na linguagem de Libras, L é o polegar e indicador abertos. A maior contribuição da letra L para a humanidade são os Livros! E ou as palavras derivadas ou ligadas ao universo dos livros: leitura, ler, livraria. Porém, a contribuição não para nos livros: nas artes e na música, o L nos apresentou talentos atemporais de grandes obras:


Legião Urbana - banda que marcou o rock brasileiro.
Luiz Gonzaga - o Rei do Baião.
Lupicínio Rodrigues - mestre do samba-canção.
Leonardo da Vinci - gênio renascentista.
Lygia Fagundes Telles - escritora brasileira.

Também na história e na política o L nos traz expoentes que mudaram a geopolítica nacional e mundial:

Lula - Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil.
Lincoln - Abraham Lincoln, presidente dos EUA que aboliu a escravidão.
Lênin - líder da Revolução Russa.
Luís XIV - o "Rei Sol" da França.

Na ciência:

Lavoisier - pai da química moderna.
Lamarck - naturalista, teoria da evolução.
Lovelace - Ada Lovelace, considerada a primeira programadora.

Grandes e relevantes fatos históricos que moldaram o Brasil atual e também outras partes do mundo, tiveram como primeira letra o nosso L:

Lei Áurea - 1888 - A lei que libertou os escravos no Brasil assinada pela Princesa Isabel.

Um dos "L" mais importantes da nossa história.

Luz Elétrica. A invenção da Lâmpada por Thomas Edison em 1879 mudou o mundo. A noite deixou de ser limite.


Lua - 1969
Lançamento da Apollo 11. "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade". O homem levou o pé na Lua.

Liderança e Revoluções

Lenin e a Revolução Russa de 1917.
Lutero e as 95 teses em 1517 que iniciaram a Reforma Protestante.

Literatura: Livros mudaram o mundo. Da Líada de Homero até Lolita. A Língua portuguesa também se espalhou pelo mundo com as Largas navegações portuguesas.

Luta: Libertação das mulheres, Lutas sociais, Lutas pelos direitos civis. O L sempre
aparece quando falamos de avanço.

Mas, e a história do livro e de todas as palavras oriundas desse objeto sagrado? Será que é possível listar uma pequena parte? A história do L nos livros: L de Livro: Vem do latim liber, que era a casca interna
das árvores onde se escrevia. Por isso "liber" virou livro. L de Ler: Também do latim legere = colher, juntar. Ler é colher palavras e juntar sentido. De Literatura. A palavra vem de Littera = Letra. Sem L, não tem letra. Sem letra, não tem literatura.

Ler nos remete a livros, revistas, jornais impressos ou virtuais. Já livros nos remete às livrarias! Ao espaço físico que guarda não apenas livros, mas também, ambiente! Local de aconchego, de conversas sem pressa, de presenças, amizades. Livrarias com cafeterias são aqueles espaços sagrados onde se misturam os cheiros dos livros, do café, do bolo, do pão de queijo! Onde cheiro se torna protagonista, se torna o personagem principal. Onde o amigo se torna mais especial, a conversa vira tratado filosófico digno de publicação!

Se o livro materializa os sentimentos de quem criou o seu conteúdo e externou; a livraria é o relicário de múltiplos sentimentos sacralizados em forma impressa!


Ler é abrir portais dimensionais, bidimensionais e até tridimensionais; é o transporte que leva o leitor às grandes batalhas, às pequenas batalhas, não menos importante, conforme seu contexto. Leva ao coração atormentado e também ao coração apaixonado; leva ao desencontro de pais e filhos; e ao reencontro também. Não sei quem disse que o universo cabe numa página de livro!

Cada universo pode ser descrito numa página de livro ou em várias páginas, visto que cada autor ou autora, descreve sobre universos das mais diversas maneiras! Jorge Amado e o universo da Bahia, em Capitães de areia, Gabriela! Machado, não o que corta a árvore para transformá-la em papel, mas o que
corta a realidade colonial, transformando em dúvida aquilo que não é necessário se duvidar! Carolina e o universo dos quartos de despejo; Cora e o universo rural repleto de doces!

A letra L não é não é a mais importante e ou a mais bonita do nosso alfabeto; nem a que tem as palavras mais impactantes. Quando pensamos em palavras iniciadas com L, lua aparece destacada. Nosso satélite regula o fluxo das marés, embeleza e alumia nossas noites. Aliás, o sertão goiano, à noite, sob a luz do luar é de uma beleza singular. Não importa a região do estado.

Outra palavra com L que também é sempre lembrada é lago. Lago que carrega muita vida, que conserva a água mesmo após o período chuvoso. Que proporciona contemplação, calma, banhos e pesca.

Lavoura, lenha, lida, labareda, laço, laçada, lasca, lebre, leitão falam entre si no dia a dia do povo campesino.


E quantos outras poderíamos destacar que fazem parte do nosso cotidiano?
Talvez, dezenas, centenas ou milhares delas.
Nem sempre atentamos para as letras, apesar de as usarmos rotineiramente, só pensamos em sua utilidade quando fazemos esse tipo de exercício mental. E assim como todo exercício, mental ou não, nos fortalece e revigora-nos. 

Elas exercem a função estrutural das palavras; servem como elos que farão o sentido de cada palavra. As vogais unem as consoantes e as tornam compreensíveis. Sem as vogais nosso idioma ficaria parecido com alguns idiomas europeus onde as consoantes tem a função das vogais inclusive na fonética. Porém, a nossa língua portuguesa é tão rica e vasta que oferecesse palavras para todas coisas com até mais de uma opção para o que desejamos falar, como por exemplo: casa de morar e casa de casamento; Sara como nome próprio e sara de sarar ou o pássaro saracura!


Na nossa cultura goiana, uai serve para exclamar, duvidar ou responder. Serve também para ganhar um tempinho até achar a palavra mais adequada para responder algo a alguém.


Sem a letra, não tem palavra! Sem a palavra não tem a frase! E sem a frase, não tem comunicação. Apesar de a letra ser a menor parte na construção do pensamento, seja escrito ou falado, sem ela, a letra, não há livro, nem música, nem poesia! Há só o silêncio. O silêncio é bom também. Mas só quando não
temos a necessidade de interagir com as outras pessoas. 

Assim, de letra em letra, de sílaba em sílaba, de palavra em palavra e de frase em frase, construí esse texto. Obrigado à todas as letras e em especial à letra L.


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Autores e obras

[1] Idário Carvalho Garcês Filho. Goiano de Itauçu, formado em administração com MBA em Marketing pela FGV-RJ., sócio da Livraria Palavrear. Morador de Goiânia há 55 anos. Sem livro publicado, escrevo por hobbie.

[2] Imagem 11l:pgeditora58078477000170.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ademir Luiz

P.G GALERIA — CONTEMPORÂNEOS

ADEMIR LUIZ 

DADOS BIOGRÁFICOS

Nome completo: Ademir Luiz da Silva
Nome literário: Ademir Luiz
Nascimento: 1976
Naturalidade: Goiânia (GO)
Atuação: escritor, romancista, contista, ensaísta, crítico, historiador, pesquisador, professor universitário, editor e gestor cultural.

    Ademir Luiz desenvolve trajetória intelectual marcada pela articulação entre literatura, História, crítica cultural, pesquisa acadêmica, audiovisual, docência e gestão cultural. Sua atuação reúne produção autoral, pesquisa universitária e participação direta em instituições fundamentais para a vida literária de Goiás.

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FORMAÇÃO ACADÊMICA

  • Bacharelado e Licenciatura em História — Universidade Federal de Goiás (UFG), 1999.
  • Mestrado em História — Universidade Federal de Goiás (UFG), 2003.
  • Doutorado em História — Universidade Federal de Goiás (UFG), 2008.
  • Pós-Doutorado em Poéticas Visuais e Processos de Criação — Universidade Federal de Goiás (UFG), 2013.

    Sua tese de doutorado, Da Cruzada à Demanda: a tradição épica da Ordem dos Templários na Baixa Idade Média portuguesa — séculos XII-XIV, recebeu indicação ao Prêmio Capes de Teses 2009.

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TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E ACADÊMICA

    É professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e pós-graduação. Atua no Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (TECCER) e possui trajetória acadêmica vinculada aos estudos de História, literatura, cultura, imagem, cinema e audiovisual. Foi bolsista pesquisador do Instituto Camões, de Portugal, em 2002. Na UEG, é criador e coordenador do Laboratório de Pesquisa e Produção Audiovisual (LUPPA) e editor da Revista Nós — Cultura, Estética & Linguagens. Integra também a Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM), área diretamente relacionada a uma vertente importante de sua produção acadêmica.

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TRAJETÓRIA LITERÁRIA

A produção literária de Ademir Luiz abrange romance, conto, ensaio e crítica cultural, estabelecendo frequentemente relações entre literatura, História, cinema, artes visuais e cultura contemporânea. Um dos marcos iniciais de sua trajetória foi Hirudo Medicinallis — ou Carta aberta de um vampiro de brinquedo ao espectro de Orson Welles, vencedor da Bolsa de Publicações Cora Coralina de 2002, na categoria romance. Em 2004 publicou Pequenas Estórias da Grande História. Posteriormente, ampliou sua produção ficcional, ensaística e histórico-literária, mantendo como uma das características de sua escrita o trânsito entre criação literária, referências históricas e interpretação cultural. Também desenvolve trabalho de organização editorial e divulgação da produção literária contemporânea.

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OBRAS E PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA

Entre as obras e trabalhos de organização identificados em sua produção estão:

  • Hirudo Medicinallis — ou Carta aberta de um vampiro de brinquedo ao espectro de Orson Welles — 2002; 2ª edição, 2021.
  • Pequenas Estórias da Grande História — 2004.
  • Arquivo de Heresias — ensaios de crítica cultural, 2011; 2ª edição, 2022.
  • Uma breve história do Templo: da fundação da Ordem dos Templários à criação da Ordem de Cristo — séculos XII-XIV — 2012.
  • Uma antologia do conto goiano contemporâneo — organização, 2013.
  • Da Grande Cruzada à Demanda do Graal: A História da Ordem dos Templários — 2015.
  • Conclave — O livro dos últimos dias — com Raquel Carvalho Rocha, 2015.
  • Fogo de Junho — 20 centavos: romance de geração para geração sem romance — edição registrada em 2021.
  • O Beatle Palestino e outras pequenas histórias da grande História — edição de 2021.
  • Brasil 17,1 — 2021.
  • Contos dentro da esfera — 2022.
  • Estórias da Independência — 2022.
  • Contos da Pandemia — 2 anos do dia em que a Terra parou — 2022.
  • Contos de 22, 100 anos da Semana de Arte Moderna — 2022.
  • Dicionário Cínico das Palavras da Moda — Bula Livros, 2023.

    Sua produção bibliográfica inclui ainda trabalhos acadêmicos, capítulos, artigos e participação em publicações coletivas relacionadas à História, cultura, Cerrado, literatura, imagem e audiovisual.

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ACADEMIAS E INSTITUIÇÕES LITERÁRIAS

  • Academia Goiana de Letras — AGL - Membro titular - Cadeira nº 31 - Patrona: Eurídice Natal e Silva. Eleito em 2023, empossado em março de 2024.
  • Eleito vice-presidente da Academia Goiana de Letras para o biênio 2026–2028.

  • União Brasileira de Escritores — Seção Goiás — UBE-GO - Ademir Luiz é presidente da União Brasileira de Escritores — Seção Goiás (UBE-GO), exercendo atuação na articulação da comunidade literária, na promoção da leitura, na formação de escritores e na realização de atividades culturais e literárias.

Outras vinculações

  • Associação Brasileira de Estudos Medievais (ABREM).
  • Gabinete Literário Goyano — sócio honorário desde 2020.
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PREMIAÇÕES, TÍTULOS E DISTINÇÕES

  • Bolsa de Publicações Cora Coralina — 2002, categoria romance, por Hirudo Medicinallis.
  • Indicação ao Prêmio Capes de Teses — 2009.
  • Troféu Goyazes — 2013, da Academia Goiana de Letras, relacionado a Uma antologia do conto goiano contemporâneo.
  • Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos — 2014, categoria prosa, por Fogo de Junho.
  • Medalha de Mérito Cultural — Letras — 2015, Governo de Goiás.
  • Medalha do Mérito Anhanguera — 2019.
  • Comenda do Mérito de Cultura Júlio Vilela — 2022, Câmara Municipal de Goiânia.
  • Troféu Jaburu — 2025. O Troféu Jaburu 2025 representa uma das principais distinções de sua trajetória recente, reconhecendo institucionalmente sua contribuição à cultura de Goiás.
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PRODUÇÃO CIENTÍFICA E PESQUISA

    Sua produção científica desenvolve-se especialmente nas interfaces entre História, literatura, estudos medievais, cultura, imagem, cinema, audiovisual, poéticas visuais, patrimônio e Cerrado. A pesquisa acadêmica dialoga diretamente com sua produção cultural e literária. A relação entre texto e imagem, História e ficção, memória e representação constitui uma dimensão recorrente de sua atividade intelectual. Além da produção científica, participa da orientação e formação de pesquisadores e desenvolve projetos vinculados à produção audiovisual e às expressões culturais.

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PRESENÇA PÚBLICA E CULTURAL

    Como presidente da UBE-GO, Ademir Luiz participa diretamente da articulação entre escritores, instituições e projetos culturais de Goiás. Sua atuação envolve oficinas de escrita, atividades de formação, encontros literários, lançamentos, debates, entrevistas, mesas-redondas e iniciativas destinadas à circulação da literatura. Na Academia Goiana de Letras, sua eleição para a vice-presidência no biênio 2026–2028 amplia sua participação na gestão institucional da literatura goiana. Também mantém presença pública como professor, pesquisador, crítico e debatedor de temas relacionados à História, literatura, cinema e cultura.

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CONTEMPORANEIDADE

    Ademir Luiz ocupa posição relevante na literatura goiana contemporânea pela capacidade de articular criação literária, pesquisa histórica, crítica cultural, docência universitária, audiovisual e gestão institucional. Sua atuação não se restringe à publicação de livros. Como professor da UEG, presidente da UBE-GO e membro da Academia Goiana de Letras, participa da formação de pesquisadores e escritores, da circulação da literatura e da articulação das instituições culturais do Estado. Sua produção evidencia ainda uma característica particularmente contemporânea: a dissolução de fronteiras rígidas entre literatura, História, imagem, cinema, pesquisa acadêmica e intervenção cultural. O reconhecimento por meio do Troféu Jaburu 2025 reforça sua posição no cenário cultural goiano atual.

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TEXTO CURATORIAL

    Ademir Luiz integra a P.G Galeria – Contemporâneos por uma trajetória em que criação literária, pesquisa histórica, crítica cultural, docência e gestão se encontram. Romancista, contista, ensaísta e historiador, construiu uma produção marcada pelo diálogo entre literatura, História, imagem e cultura. Presidente da UBE-GO, membro da Academia Goiana de Letras e professor da Universidade Estadual de Goiás, atua também na formação e articulação de novas gerações de escritores. Agraciado com o Troféu Jaburu 2025, sua presença na cultura goiana contemporânea reúne produção autoral, pesquisa, formação e atuação institucional.

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FONTES DE PESQUISA E VALIDAÇÃO

  • Governo de Goiás / Secretaria de Estado da Cultura.
  • Universidade Estadual de Goiás — UEG.
  • União Brasileira de Escritores — Seção Goiás — UBE-GO.
  • Academia Goiana de Letras — AGL.
  • Academia Brasileira de Letras — registros e matérias de referência sobre a literatura goiana.
  • Produção acadêmica e bibliográfica de Ademir Luiz.
  • Registros editoriais das obras relacionadas nesta ficha.

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CLASSIFICAÇÃO PARA O ACERVO

Categoria: P.G Galeria – Contemporâneos
Nome literário: Ademir Luiz
Nome civil: Ademir Luiz da Silva
Instituições principais: AGL • UBE-GO • UEG
AGL: Cadeira nº 31 — patrona Eurídice Natal e Silva
Distinção de destaque: Troféu Jaburu 2025
Áreas: Literatura • História • Crítica cultural • Educação • Audiovisual • Gestão cultural
Palavras-chave: Ademir Luiz; literatura goiana; escritores goianos; literatura contemporânea; UBE-GO; Academia Goiana de Letras; História; Troféu Jaburu; Universidade Estadual de Goiás.

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